Universidade Aberta da Terceira Idade faz alerta sobre AVC no Amazonas
Estudo mostra que uma a cada quatro pessoas vai ter um derrame, que é principal causa de mortes no País
Estudo divulgado pela revista britânica Lancet Neurology revelou que uma em cada quatro pessoas vai sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ao longo da vida. A pesquisa traz informações alarmantes: a cada seis segundos uma pessoa morre devido ao problema, que é a segunda maior causa de óbitos em pessoas com mais de quarenta anos e o principal fator de incapacidade no mundo.
É a principal causa de mortalidade no Brasil, onde os maiores índices concentram-se na região Nordeste. “No Sul, apesar de maior população, eles estão mais bem orientados e se previnem com mais facilidade”, avalia o médico Euler Ribeiro, reitor da Universidade Aberta da Terceira Idade do Amazonas (UnaTI). A instituição sediou, na manhã de ontem, a abertura da “Campanha Nacional de Combate ao AVC”.
Com palestras gratuitas sobre os riscos e prevenção, a atividade, promovida pela universidade em parceria com neurologistas do Hospital Santa Júlia, marcou o “Dia Nacional do AVC”, celebrado em 29 de outubro. O popular derrame ocorre quando há paralisia da área cerebral causada pelo entupimento dos vasos que levam sangue ao órgão. Há dois tipos de AVC: hemorrágico e obstrutivo (sem vestígio de sangue).
Ainda faltam dados sobre o número de mortes no Amazonas, pois o Sistema Único de Saúde (SUS) não dispõe de centro de notificações sobre a doença. Atualmente, Ribeiro coordena uma pesquisa sobre a incidência do AVC na região Norte a partir da análise de hábitos e rotinas durante o envelhecimento dessas populações.
“Em Maués a longevidade é maior. Eles se exercitam e dormem mais, sofrem menos por causa do estresse e se alimentam melhor”, resume o médico. “Eles consomem mandioca, cará e batata doce e frutos da floresta com grande capacidade nutricional, como tucumã e guaraná. O jaraqui, por exemplo, tem mais concentração de Ômega 3 do que o salmão”, complementa.
Além alimentação adequada e prática de atividades físicas, é preciso observar fatores que podem ocasionar um Acidente Vascular Cerebral, independente da predisposição do indivíduo. Alterações na circulação sanguínea, hipertensão arterial, diabetes mellitus e qualquer doença inflamatória que possa alterar o vaso cerebral interno servem como sinais de alerta. A apneia do sono, ainda não diagnosticada por 30% da população que sofre desse problema, também pode provocar derrame. “O ronco aumenta a pressão e a arritmia cardíaca”, explica a neurologista Drielle Sales.
‘Não tive sequelas’, diz paciente
Há três anos, enquanto visitava a irmã, a aposentada Maria de Fátima Sales, 65, começou a sentir dores na perna direita. Ela foi conduzida ao Hospital e Pronto Socorro (HPS) 28 de Agosto, na Zona Centro-Sul de Manaus, onde passou três noites internada. Lá, ela foi diagnosticada com Acidente Vascular Cerebral.
Hipertensa e diabética, Maria de Fátima toma oito remédios de uso contínuo e faz consultas periódicas com uma médica da Universidade Aberta da Terceira Idade. Ela também mudou de hábitos após o AVC. “Também pratico caminhada orientada e equilíbrio corporal”, conta. “Não sinto mais nada e não tive sequelas”, relata.
Sintomas incluem dores, tontura, desmaio e confusão
Já os sintomas do Acidente Vascular Cerebral incluem tontura, escotomas cintilantes (“estrelinhas” no campo de visão), dor de cabeça incomum desmaios, dor no peito e confusão mental. “São sintomas previsíveis, e deve-se procurar o médico tão logo sejam detectados”, lembra o médico Euler Ribeiro, reitor da UnaTI.
“Quando falamos em tratamento, estamos nos referindo à agilidade. Ao identificar o sintoma e receber o tratamento precocemente, o paciente pode ficar livre de sequelas e voltar ao convívio familiar e laboral”, diz a neurologista Drielle Sales.
Durante a abertura da campanha, ontem pela manhã, foi lançado um aplicativo para smartphones chamado “Riscômetro do AVC”, no qual o usuário registra hábitos relacionados aos fatores de risco e avalia as possibilidades de desenvolver derrame. O aplicativo foi criado pela Rede AVC Brasil, organização que promove campanhas de orientação sobre a doença.
Além de palestras, foram oferecidos gratuitamente serviços de aferição de pressão e testes de glicemia, além de orientações de como lidar com a doença, prevenções e tratamento.