Vereadores de Manaus divergem a respeito do aumento de seus salários
Aumento foi aprovado no final do ano passado
Os vereadores da nova legislatura que assumem as 41 vagas da Câmara Municipal de Manaus (CMM) em fevereiro, concordam que a aprovação do aumento salarial de 26% a toque de caixa, durante sessão extraordinária por vereadores da legislatura passada, é “imoral”, mas divergem da possibilidade de derrubar o projeto de lei aprovado.
O vereador, Amom Mandel (Podemos), do partido do candidato derrotado a prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, e filho do presidente do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM), Mário de Mello, afirma que os vereadores eleitos para a 18° legislatura não têm competência para alterar o que foi definido pela legislatura anterior.
Segundo Amom, isso não é possível porque os vereadores não podem legislar sobre os “próprios salários” seja para aumentar ou para diminuir. Ele assegura que não vai usufruir da diferença salarial e que vai destinar uma parte dos vencimentos a algumas iniciativas.
O vereador, William Alemão (Cidadania), disse que o aumento é não só “ilegal”, mas “imoral” por ter sido aprovado em plena pandemia. Ele assegura que uma das iniciativas do mandato dele será apresentar um projeto de lei para diminuir o salário dos vereadores em 20% a 50%.
“Acredito que nesse momento de fechamento de comércio temos coisas mais importantes para discutir, do que algo que teremos o ano todo, pois como foi frisado o aumento é somente para 2022 ou se derrubarem o veto do presidente”, declarou.
No ano passado, em meio ao primeiro pico da covid-19 em Manaus, o ex- vereador, Chico Preto (DC), apresentou um projeto semelhante que pretendia diminuir em 50% a remuneração dos vereadores.
O projeto, que também previa a transferência de recursos da Cota de Exercício Parlamentar (Ceap) ao Tesouro Municipal, foi bombardeado pelos vereadores e acabou sendo arquivado pelo então presidente da CMM, vereador Joelson Silva (Patriota), por inconstitucionalidade.
O vereador, Capitão Carpê Andrade (Republicanos), criticou o aumento, destacando que o projeto de lei é uma “falta de respeito”. Carpê Andrade registrou que mesmo que o reajuste salarial esteja previsto para janeiro de 2022, a CMM ignorou o “fato de estarmos na segunda de covid-19”. “Diante da realidade de uma crise causada pela pandemia, não é razoável e moral aumentar o salário”, defendeu.
O vereador, Rodrigo Guedes (PSC), autor de um projeto de lei que pleiteia a revogação do aumento salarial, ao ser perguntado se acredita que o projeto vai ser bem recebido pela Câmara, evitou entrar no mérito da questão e salientou que o momento não é o ideal para esse tipo propositura.
“Não acredito e nem desacredito. A política é um processo de convencimento. O que eu peço aos demais vereadores é que façamos isso juntos. Não é momento para fazer isso. Entendo que em um outro momento numa situação totalmente diversa da atual, poderia ter uma rediscussão por causa da inflação e uma série de outras questões”, criticou.
Aumento
Os vereadores de Manaus aprovaram no dia 21 de dezembro dois projetos de lei que aumentam o salário deles, do prefeito, do vice-prefeito, dos secretários e subsecretários municipais. O reajuste valerá a partir de 2021 caso seja revogada uma norma federal que proíbe o aumento de salário de membros dos poderes e servidores.
Os projetos, de autoria da Mesa Diretora, foram aprovados em reunião extraordinária. No mesmo dia, os parlamentares discutiram as propostas e aprovaram os pareceres nas comissões técnicas e no plenário, e os projetos de lei foram promulgados.
Todavia, o projeto prevê que, caso a proibição de reajuste seja revogada pelo Congresso Nacional, os parlamentares já poderão receber o valor reajustado no próximo ano.