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A Crítica
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Vereadores ignoram TCU e se preocupam em abrir setor comercial de Manaus

Determinação do Tribunal de Contas da União exige manifestação da Semsa se foi ou não pressionada a receitar remédios ineficazes contra a Covid-19; Tempo passa e vereadores não tocam no assunto

Publicado em 09/02/2021 às 19h59 · Atualizado em 09/03/2022 às 09h58
Vereadores ignoram TCU e se preocupam em abrir setor comercial de Manaus
Foto: Divulgação

No segundo dia regimental da Câmara Municipal de Manaus (CMM), nenhum dos vereadores que compareceram à sessão plenária desta terça-feira (09) ou virtualmente, se preocupou em colocar em discussão, a determinação do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Benjamin Zymler que exige a manifestação da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) se foi ou não pressionada pelo Ministério da Saúde a usar cloroquina, ivermectina e azitromicina em pacientes vítimas de Covid-19, no prazo de 10 dias.

Nenhum dos vereadores de Manaus, alguns deles provenientes da área de saúde, lembrou que o prazo do órgão municipal já está correndo e que é preciso dar uma satisfação ao TCU, como também à população de Manaus, sobre o uso dos medicamentos e eficácia nos tratamentos aplicados. No despacho, Zymler menciona a visita da força-tarefa de saúde à Manaus, no início de janeiro, quando já se apresentavam altos índices da doença e, logo após o sistema de saúde entrou em colapso, e houve falta de oxigênio.

Ignorando a questão, os vereadores se preocuparam com as necessidades relacionadas à suspensão das atividades comerciais não essenciais por conta da pandemia de Coronavírus.

O vereador Peixoto (PTC) levantou questões sobre os prejuízos que o setor de bares e restaurantes estão tendo com a suspensão do funcionamento dos estabelecimentos.

“O presidente da Abrasel, Fábio Cunha, em entrevista coletiva realizada ontem, pede que sejam criadas solução para que a economia volte a circular em parceria com uma solução para a para o problema da saúde, junto com as autoridades públicas como foi feito na tentativa passada. A falta de renda, a falta de emprego, a fome também mata. Então é necessário que se chegue a um equilíbrio entre saúde e economia para que de uma maneira responsável o poder público possa olhar para essa questão com um pouco mais de carinho. Eles empregam mais de 80 mil pessoas o Amazonas. É um setor onde está havendo demissão em massa, fechamento de empresas e isso vai impor que o poder público aumente seus braços para dar auxilio a essas pessoas”, disse o vereador.

O vereador Mitoso (PTB) exaltou a mensagem inicial do Prefeito de Manaus, David Almeida, sobre os tempos de Covid e também pediu atenção à criação das comissões parlamentares.

“Nós temos que escolher o conselho de líderes e das escolhas das comissões que competem aos líderes, e a coordenação parlamentar”, salientou.

O vereador Bessa (Solidariedade) defendeu o posicionamento do Governo do Estado e Prefeitura de Manaus em manter a suspensão das atividades não essenciais e, ressaltou a importância do processo de fiscalização para frear o avanço o vírus na cidade.

“Já havíamos cobrado um posicionamento do Governador Wilson Lima, com relação a trabalho, abertura de lojas e espaços para as pessoas trabalharem. O governo já tinha informações sobre a segunda onda. Mas, a pressão em cima do governador foi muito grande e ele cedeu a festas, a bares, a toda cidade. E veio a segunda onda devastadora, como estamos passando aí. Mas, será que foi culpa do governador? Fica a interrogação. Agora sabemos que a população, dos que trabalham com a informalidade estão sofrendo porque não tem o que comer. E o governador do Estado está entre a cruz e espada. Se ele abre o comércio vai morrer gente, vai faltar oxigênio, os hospitais vão ficar lotados. Se ele abre a culpa é dele. Se ele fecha a culpa é dele”, falou.

Bessa disse que considera que deveria haver uma abertura gradual. “Tem que abrir gradativamente algumas coisas que deveriam estar funcionando de maneira controlada. Mas infelizmente alguns setores da nossa cidade não tem essa educação, não consegue controlar, organizar. Aí faz com coloque a Polícia Militar para fazer um trabalho que não é dela”, disse o vereador defendendo também que auxílio financeiro federal é necessário para a cidade.

Já o vereador Rodrigo Guedes (PSC), defendeu uma sessão com representantes do comércio. “A gente precisa ouvir os comerciantes. A gente tem que acabar, de uma vez por todas, que só há duas alternativas: ou se abre tudo ou se fecha tudo. Nós temos que achar soluções viáveis e racionas nessa discussão. É possível planejamento estratégico”, disse

Rodrigo Guedes disse que o comércio não é inimigo da saúde. “Esse caos na cidade de Manaus é fruto das milhares de aglomerações e festas de fim de ano. Porque nós passamos meses com o comércio aberto e não aconteceu isso. E vamos ser sinceros. A faísca inicial foi, inclusive, as eleições. Foram 1400 campanhas eleitorais. Nós fazíamos reuniões porque era permitido. Tenho certeza de que se não fosse permitido, nós não faríamos. Agora culpar só o comércio, não dá”, comentou.

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