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Vice-presidente do TRE-AM defende urnas eletrônicas nas eleições

Desembargador Jorge Lins afirma que a decisão sobre o voto impresso deveria vir por meio de plebiscito

Publicado em 01/08/2021 às 22h35 · Atualizado em 09/03/2022 às 01h34
Vice-presidente do TRE-AM defende urnas eletrônicas nas eleições
Foto: Reprodução/Internet

O vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), desembargador Jorge Lins, reagiu à live do presidente Bolsonaro (sem partido) ocorrida na quinta-feira passada e classificou a tentativa de Bolsonaro de deslegitimar o processo eleitoral de “discurso político irresponsável”.

O magistrado eleitoral defendeu ainda que a sociedade seja consultada em um eventual plebiscito sobre qual modelo deve ser adotado.

“Não posso deixar de registrar minha indignação no discurso político e irresponsável que insinua que a Democracia e/ou a paz nacional está atrelada ao voto impresso. Transferindo ao povo eventuais conflitos decorrentes da adoção deste ou daquele modelo. Que se ouça o povo em um Plebiscito, para que se manifeste sobre qual modelo o brasileiro quer utilizar”, declarou Lins ao A CRÍTICA no fim de semana.

O vice-presidente reiterou a segurança da urna eleitoral. “Todos os processos de auditoria são públicos, recebendo especial convites dos partidos políticos, membros do Ministério Público, dentre outras”.

Jorge Lins rebateu o argumento de que a Justiça Eleitoral estaria influenciando o Congresso. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, chegou a se reunir com dirigentes de partidos que são contrários ao voto impresso para montar uma frente contra o dispositivo impresso.

“Não cabe à Justiça Eleitoral definir como será o modelo do sistema eleitoral, preferindo um ou outro modelo. Essa atribuição é da Casa do Povo. Mas temos a obrigação de participar dos diálogos, apresentando as informações e contextualizando eventuais benefícios e prejuízos de um eventual modelo, que possam subsidiar a decisão daqueles que estão representando o povo brasileiro”, criticou.

Para Lins, as suspeitas levantadas pelo presidente não se tratam de uma questão “técnica” do sistema eleitoral, “haja vista jamais ter sido comprovada a fraude em uma eleição sequer”. Trata-se, então, de uma disputa política. Nesse sentido, a discussão deve acontecer no Pleno do Parlamento”.

Interino na presidência do Tribunal Regional até abril por conta da morte por covid-19 do ex- presidente, desembargador Aristóteles Thury, quando foi eleito o desembargador Wellington José Araújo, como presidente, Jorge Lins marcou a posição contrária do TRE-AM à pauta bolsonarista do “voto auditável”.

Na quinta-feira, durante o 2° Fórum Social Judaico Cristão da Torá, realizado na sede da Ordem dos Advogados do Brasil- seccional Amazonas (OAB-AM), o seu contraparte de Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) e presidente do TRE-AM durante as eleições de 2018, desembargador Yedo Simões, disse que assinou o manifesto do fórum pelo voto impresso.

Em conversa com a reportagem, Simões disse que a população duvida da urna eletrônica e que ela precisa de uma resposta. Perguntado se o momento atual seria o ideal para essa discussão, o magistrado declarou que não entra no mérito da polarização política.

“Sou um ferrenho defensor da urna eletrônica, mas o momento é outro, a sociedade duvida da urna e precisa de uma resposta. Não entro nessa questão ( da polarização). O voto impresso dá mais transparência e isso pacifica e as pessoas terão a confiança que o voto não será fraudado”, disse Yedo na ocasião.

Tanto o presidente Bolsonaro quanto a genitora da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso, a deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF) reconheceram que não podem comprovar as denúncias de fraude. A PEC deve ser derrotada na Comissão Especial da Câmara depois que 11 partidos chegaram a um acordo contrário à matéria.

*Colaborou Giovanna Marinho

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