Manaus seg, 2 nov
A Crítica
Geral

Violência contra crianças: como perceber que os pequenos estão sendo vítimas de maus tratos

Pessoas ao redor da criança precisam ficar atentas às marcas no corpo ou mudanças de comportamento antes que aconteça algo mais grave

Publicado em 25/04/2021 às 10h20 · Atualizado em 09/03/2022 às 09h03
Violência contra crianças: como perceber que os pequenos estão sendo vítimas de maus tratos
Foto: Reprodução/Internet

Neste exato momento, uma criança que você conhece pode estar sendo vítima de violência física ou moral e, por medo do agressor, acaba sofrendo sozinha, o que aumenta as chances de agravamento das agressões. Foi o que aconteceu com o pequeno Henry Borel, que morreu dentro de casa e os principais suspeitos do crime são o padrasto e a própria mãe da criança, o vereador “Dr. Jairinho” (sem partido) e Monique Medeiros.

O “caso Henry” acendeu o alerta para muitas famílias em relação aos sinais de que as crianças possam estar sofrendo algum tipo de violência. Hematomas, fissuras, fraturas sem explicações e ferimentos até mesmo em locais mais escondidos do corpo podem sinalizar que a criança está sendo vítima de maus tratos, segundo informou a pediatra e neonatologista Adeliane Biamchini.

De acordo com ela, a criança que está sofrendo com esse tipo de violência muda seu comportamento de forma drástica. “Uma criança que era feliz e falante pode ficar mais calada, introspectiva, apática, triste ou até mais agitada e irritada, comportamento compulsivo. Mostra sinais de ansiedade e medo na presença do agressor”, pontuou.

Segundo relatos das testemunhas no caso da morte de Henry, ele estava constantemente apresentando esses sinais, como chorar até vomitar na hora de ir para a casa da mãe e com constantes lesões pelo corpo. Em um dos vídeos apresentados no inquérito, pode-se observar o menino mancando sem nenhum motivo aparente.

Conforme a especialista, o pediatra também pode constatar possíveis marcas de violência. “Mais fácil o pediatra detectar uma agressão física através de um exame físico minucioso e observar presença de hematomas, sinais de queimadura e fraturas antigas e recentes através de RX . Quando o pediatra conhece a criança há bastante tempo pode perceber a mudança de comportamento”.

O que as crianças falam também precisam ser levados muito em consideração, pois em uma fala ela pode estar pedindo ajuda ou tentando falar sobre a violência, mas por medo acaba não conseguindo se expressar de forma explícita.

Dados alarmantes*

Segundo o Departamento Científico de Segurança da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), entre 2010 e agosto do ano passado, 2,083 crianças mortas por maus-tratos estavam na faixa etária de zero a 4 anos de idade.

Embora os números relativos a 2020 ainda sejam preliminares, a análise da década revela que as agressões por meio de disparo de outra arma ou de arma não especificada lideram os óbitos entre crianças e jovens, totalizando 76,528 mil casos. Na faixa até 4 anos, esse tipo de agressão causou 386 mortes nos últimos dez anos. Em seguida, aparecem as agressões por meio de objeto cortante ou penetrante, com 10,066 mil mortes entre crianças e adolescentes de até 19 anos.

De acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, as agressões por meios não especificados foram as causas de 451 mortes de crianças até 4 anos no período investigado, seguidas por agressões por meio de objeto contundente (254), por outras síndromes de maus-tratos (190) e por agressões por meio de objeto cortante ou penetrante (164).

Denúncias

As denúncias sobre esse tipo de crime devem ser feitas à Polícia Militar pelo número 190 ou pelo Disk 100, número destinado a esse tipo de caso.

*Dados disponibilizados pela Agência Brasil

Leia também

Voltar para Geral