Wilson Lima busca apoio para manter ajuda a venezuelanos
Governo dos EUA cortou recursos usados por organizações que apoiam refugiados
O governador do Amazonas, Wilson Lima (União), demonstrou preocupação após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspender por 90 dias o envio de recursos para a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que sustenta operações de recepção a refugiados. No Brasil, as instituições que atendem migrantes da Venezuela são as mais afetadas com a suspensão, fazendo o país deixar de receber 5 milhões de dólares.
“A gente recebe [a notícia] com muita preocupação, porque essa é uma ajuda significativa e nós temos uma demanda muito grande agora de venezuelanos por conta da crise que está acontecendo na Venezuela. Ontem, inclusive, já estive reunido com a minha secretária de Cidadania para que a gente possa montar um planejamento em que não haja descontinuidade naquele serviço que acontece em Manaus”, disse.
O governador ressaltou à imprensa que espera que outros países que aportam recursos na OIM não desistam de enviar as verbas, “para que a gente possa manter ou dar o mínimo de dignidade para essas pessoas que estão aqui”. O corte nos recursos do organismo vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU) já é sentido no país. Em Roraima, dois locais administrados pela Rede Cáritas foram fechados nessa segunda-feira (27).
Após uma reunião de emergência, o governo federal decidiu bancar, temporariamente, a Operação Acolhida, um trabalho conjunto do Exército Brasileiro e outros ministérios para atender refugiados. Em nota, o Ministério da Justiça afirmou que “as autoridades brasileiras estão mobilizadas e seguem em tratativas para reduzir os impactos da ausência das equipes da OIM na operação logística e na gestão de abrigos. Entre as ações emergenciais estão a realocação de servidores das áreas de saúde, assistência social, da Polícia Federal e Defesa para manterem, em caráter emergencial, as atividades essenciais”.
O esforço conjunto busca garantir o funcionamento das atividades nos próximos 15 dias. A Operação Acolhida ocorre desde 2018, época em que a Venezuela entrou na mais profunda crise das últimas décadas, atendendo a migrantes principalmente nos estados de Roraima e Amazonas.
Além do corte de recursos, Donald Trump também suspendeu o programa que permitia a entrada de refugiados nos Estados Unidos, incluindo os que já estavam previamente admitidos. O canal EuroNews noticiou a incerteza de mais de 3 mil afegãos que se refugiaram na Albânia enquanto aguardavam a emissão de vistos norte-americanos. Localmente, o presidente interrompeu o auxílio para refugiados recém-chegados aos Estados Unidos, incluindo pessoas que ajudaram o país em guerras no Oriente Médio.