Workshop celebra o Dia da Visibilidade Trans
Com o tema central “Perspectivas de vida e envelhecimento digno”, o Dia da Visibilidade Trans foi lembrado durante um workshop no Teatro da Instalação, Centro de Manaus
O Dia da Visibilidade Trans, comemorado neste sábado (27) foi lembrado durante um workshop organizado pela Associação de Travestis, Transsexuais e Transgêneros do Amazonas (Assotram) no Teatro da Instalação, Centro de Manaus. Saúde, educação e o mercado de trabalho foram algumas das pautas debatidas durante o encontro.
O tema central “Perspectivas de vida e envelhecimento digno” de acordo com presidente da Assotram, Joyce Gomes, o tema foi escolhido para enfatizar a necessidade de políticas públicas voltadas para essa parcela da população. Um documento foi organizado ao longo das discussões nas mesas redondas para nortear as ações sociais ao longo do ano. O relatório será repassado também aos órgãos públicos.
“A gente espera esse retorno a partir de políticas públicas efetivas, com um atendimento mais humano, menos evasão escolar (entre pessoas transexuais), mais oportunidades no mercado de trabalho, quem sabe com vagas afirmativas, e nesse documento a gente pede colaboração dessas instituições”, explicou Joyce.

De acordo com presidente da Assotram, Joyce Gomes, o tema foi escolhido para enfatizar a necessidade de políticas públicas voltadas para essa parcela da população. (Foto: Giovanna Marinho)
O termo trans é utilizado para se referir a uma pessoa que não se identifica com o gênero ao qual foi designado em seu nascimento. O Brasil é o país onde elas mais são assassinadas, de acordo com o dossiê “Assassinatos e violências contra travestis e transexuais brasileiras”, o que reduz drasticamente a longevidade desse grupo social.
“A sociedade de uma maneira geral nos invisibiliza. Não somos pessoas invisíveis. e fazer esse workshop da visibilidade trans é mostrar para a sociedade que nós estamos aqui, nós existimos, queremos saúde, queremos direito, somos cidadãos e cidadãs. Quando procuramos pessoas trans que envelheceram, dificilmente vamos achar, porque a expectativa de vida é 35, porque as pessoas trans morrem cada vez mais cedo”, enfatizou a cabeleireira e associada da Assotram, Nichole Oliveira.
Empreendedoras como Louise Manicongo, proprietária da Louise Pantie – loja especializada em moda íntima para pessoas trans – tiveram espaço para compartilhar sua jornada e colaborar para o ambiente de acolhida do workshop. Este é o segundo ano que ela participa como palestrante e conta que focou em mostrar que apesar do esforço empreender vale a pena.
“Eu acredito que existem muitas pessoas trans que realmente não conseguem ter uma perspectiva e eu trazendo um pouco da minha vivência como empreendedora é muito importante”.

Empreendedoras como Louise Manicongo, tiveram espaço para compartilhar sua jornada e colaborar para o ambiente de acolhida do workshop. (Foto: Giovanna Marinho)
Ao longo da sexta-feira e do sábado dezenas de pessoas participaram de mesas redondas onde foram abordados assuntos como direito e cidadania, educação acessível, saúde para ‘todes’ e mercado de trabalho. Ao fim do evento, artistas locais realizaram apresentações musicais e de dança.