AM terá maior integração entre profissionais no combate à malária
Estratégia deve ser reforçada para evitar uma nova ‘explosão’ de casos, como aconteceu no ano passado
A integração entre os profissionais de atendimento básico à saúde, executado por agentes de endemias e agentes comunitários, deve ser ampliado para intensificar o controle da malária no Amazonas. A iniciativa já vem sendo desenvolvida desde o ano passado, por meio de oficinas de capacitação e aquisição de materiais para diagnósticos, e oficializada em nota técnica assinada por órgãos do sistema de saúde do Estado.
“Temos mais de mil laboratórios espalhados em todo o estado, agora precisamos ampliar nossas ações de vigilância”, argumentou o diretor técnico da FVS, Cristiano Fernandes. “Atualmente, há condições de quadruplicar a força de trabalho desses agentes”, acrescentou. A experiência foi apresentada na tarde de segunda-feira, primeiro dia da Reunião Técnica sobre a eliminação da Malária na América do Sul, organizada pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) que segue até hoje, no hotel Blue Tree Premium Manaus, Zona Centro-Sul.
Durante o evento, gestores dos programas de combate à doença em nove países amazônicos, além de representantes do departamento de saúde dos Estados Unidos, vão divulgar experiências de enfretamento ao mosquito Plasmodium e discutir a redução dos casos em seus respectivos países.
“Neste momento, Manaus é a sede mundial para discussão sobre técnicas de enfretamento e controle desta doença endêmica da região amazônica”, destacou o secretário de Estado da Saúde, Rodrigo Tobias.
“É uma discussão de extrema relevância, visto que o Amazonas é o responsável pelo maior número de casos do País. Então temos uma responsabilidade sanitária e um compromisso com o Ministério da Saúde para eliminação da malária, principalmente pelo Plasmodium Falciparum, nosso principal desafio”, informa Cristiano Fernandes.
Apesar de associado a cerca de 10% dos casos, este último tipo está relacionado às formas mais graves da doença, e se caracteriza por um ciclo de hospedagem diferenciada no corpo humano. Nesse sentido, o diagnóstico precoce é fundamental. Um compromisso firmado com a Organização Mundial de Saúde (OMS) estabelece que o Brasil deve eliminar, até 2030, as doenças causadas pelo Falciparum.
“Para isso, é preciso esforço conjunto entre Estado, municípios e governo federal”, lembrou o diretor técnico da FVS, reforçando a relevância do trabalho dos agentes que trabalham na ponta do atendimento. Além de colaborar para a superação das dificuldades logísticas do estado, garantindo a oferta de serviços para as cidades mais distantes, o atendimento básico se tornou referência para o controle da doença no Brasil.
“Hoje, dispomos de mais de 6 mil agentes comunitários e 2 mil agentes de endemias”, informou Fernandes. Segundo ele, a integração está alinhada à Política Nacional de Atenção Básica do Ministério da Saúde. A eficácia da vigilância, resistência dos antimaláricos e questões específicas, como os registros da doença em áreas de mineração, são alguns temas previstos no evento, além das estratégias adotadas no Brasil.
O último boletim epidemiológico da FVS atestou que o número de casos notificados da doença no período de janeiro a julho de 2019 foi de 33.071 casos, o que representa uma redução de 24% em comparação ao mesmo período de 2018, quando foram notificados 43.264 casos da doença.