Amazon adapta logística para vencer distâncias na Amazônia
Operação logística alcança capital, interior e comunidades ribeirinhas com apoio de parceiros locais
“Ficamos muito felizes em receber uma compra diretamente na porta da nossa casa. Chega muito rápido. Quando a gente pensa que não, já está aqui na nossa cidade. Nunca deu problema, por isso somos clientes há mais de 5 anos. Estamos muito satisfeitos com a Amazon”, contou a vendedora Eliane Moreira, de 37 anos. Moradora do Careiro da Várzea, município distante 29 quilômetros de Manaus, ela utiliza a plataforma da varejista tanto para adquirir produtos pessoais quanto para abastecer a loja onde trabalha.
Inaugurada em 1º de setembro deste ano, a primeira Estação de Entrega da Amazon em Manaus (DAM1) passa a integrar uma operação que já soma 20 centros logísticos no estado. As unidades estão distribuídas entre cidades da Região Metropolitana de Manaus e municípios do interior, com prazos de entrega que chegam a dois dias na capital e até cinco dias no interior.

Pacotes aguardam roteirização na Estação de Entrega de Manaus (DAM1), ponto estratégico da operação logística da Amazon no estado. Daniel Brandão ()
Em um estado de dimensões continentais, onde deslocamentos são condicionados por rios e extensas áreas de floresta, a expansão da Amazon representa um novo capítulo da logística da empresa na Amazônia. A estrutura promete reduzir prazos de entrega em regiões que, por décadas, enfrentaram isolamento geográfico e limitações de acesso, das grandes cidades às comunidades ribeirinhas.

Funcionários atuam na triagem e separação de pedidos na DAM1, unidade responsável por processar milhares de encomendas diariamente no Amazonas. Foto: Daniel Brandão ()

Vista interna da Estação de Entrega da Amazon em Manaus (DAM1), onde os pacotes são organizados e direcionados para a capital e municípios do interior do Amazonas. Foto: Daniel Brandão ()
No coração do Amazonas
Operar no Amazonas impõe desafios que não se repetem em nenhuma outra região do país. Em um território marcado por longos percursos fluviais e comunidades acessíveis apenas por rios, igarapés, palafitas, flutuantes ou estradas sazonais, a logística precisa vencer barreiras históricas para garantir eficiência no serviço.
“É uma operação muito recente. À medida que vai escalando, escala em volume também. Muitos municípios são distantes, por isso estamos estudando a melhor forma de abrir um centro logístico. Como Tabatinga, Boca do Acre, São Gabriel da Cachoeira, por questões geográficas e logísticas, nos obrigam a pensar fora da caixa”, afirmou Aryson Trevisan, gerente de operações do Oeste da Região Norte.

Aryson Trevisan, gerente de operações do Oeste da Região Norte, fala sobre os desafios logísticos e as estratégias adotadas para atender municípios remotos da Amazônia. Foto: Daniel Brandão ()
Para alcançar esses locais e fazer os produtos chegarem aos consumidores, mesmo em áreas remotas, a Amazon atua em parceria com operadores logísticos e entregadores associados (Delivery Associates). Esses profissionais conhecem a realidade amazônica, seus desafios e as estratégias necessárias para superá-los.
“A seleção dos entregadores associados fica a cargo do parceiro logístico, mas simplificamos que tem que ser uma pessoa da região, que a conheça e que entenda o impacto social que ela está fazendo. A partir daí nós vamos monitorando, entendendo as necessidades, as reclamações e as oportunidades de melhoria”, explicou Trevisan.
Da conectividade limitada às variações no nível dos rios, cada etapa do trajeto exige planejamento específico. Esse contexto evidencia a complexidade de levar produtos com rapidez a um território tão vasto e diverso como a Amazônia, ao mesmo tempo em que reforça o papel dos entregadores associados na qualidade do serviço e na geração de oportunidades locais.
“É um projeto bom, que gera emprego e oportunidades. Entendo que é um trabalho que leva dignidade às pessoas, pois muitas delas compram os produtos, mas não tinham o direito de receber em suas casas. Nem todos conseguem ir a Manaus. Hoje tenho a experiência de estar fazendo as entregas”, relatou o entregador associado Yan Carneiro, de 18 anos.

O entregador associado Yan Carneiro, de 18 anos, morador do Careiro da Várzea, durante a entrega de encomendas no município do interior do Amazonas. Foto: Daniel Brandão ()
Estação de Entrega em Manaus (DAM1)
No centro da operação logística da Amazon no Amazonas está a Estação de Entrega de Manaus (DAM1). A unidade é responsável por organizar, separar e direcionar milhares de produtos que chegam à capital antes de seguirem para os municípios do interior, onde são entregues aos clientes finais.
“Estamos trazendo modelos de operação que a Amazon tem pelo mundo para o Brasil e por isso que estamos acelerando bastante o crescimento. Conseguimos sair de um cenário onde demorava em torno de 15 a 20 dias para receber um produto e a Amazon traz uma realidade onde entregamos em 2 dias”, destacou Maria Bezerra, líder de operação da DAM1.

Maria Bezerra, líder de operação da Estação de Entrega de Manaus (DAM1), durante apresentação sobre o funcionamento da unidade e os avanços na redução dos prazos de entrega. Foto: Daniel Brandão ()
A estação funciona como elo estratégico entre os centros de distribuição e o consumidor final. É ali que são coordenadas rotas, prazos e modais de transporte, que incluem vias aéreas, terrestres, fluviais e até percursos a pé, etapa considerada uma das mais desafiadoras da logística amazônica.
Segundo Bezerra, cerca de 80% do volume de produtos destinados ao estado tem origem em São Paulo, onde estão concentradas as maiores operações da Amazon no Brasil. Em apenas três meses de funcionamento, a DAM1 alcançou quase 10 mil pacotes processados por dia, quebrando recordes e tornando-se referência nacional.
“Estamos rodando um volume bem alto, comparado ao que é operado nas grandes cidades do Brasil. O que muda de uma operação para outra é o tamanho. Aqui temos uma esteira, mas cada operação tem uma série de características diferentes. Como o perfil dos motoristas que irão entregar ou como o perfil de compra dos clientes”, explicou.
Ao consolidar a Estação de Entrega de Manaus como peça-chave de sua malha logística, a Amazon acelera prazos e redefine a circulação de mercadorias no Amazonas. Ao compreender e se adaptar às particularidades locais, a empresa enfrenta obstáculos históricos do contexto amazônico.
“Escuto muitas pessoas falarem que a logística na Amazônia é um problema. Não é, é solução. É a gente criar soluções logísticas eficientes e funcionais, para atender justamente o ribeirinho que mora lá na ‘cabeça do cachorro’, utilizando uma rede logística inteligente, que já existe e já opera, para conseguir entregar esse produto”, ressaltou.