Arquidiocese vai apurar denúncia de intolerância religiosa em igreja
Momento em que padre impede que participantes de religião de matriz-africana realizem devoção em uma igreja da Zona leste de Manaus foi capturado em vídeo
Quatro pessoas de matrizes religiosas africanas afirmam terem sido vítimas de intolerância religiosa em uma igreja Católica, localizada no bairro São José Operário, na Zona Leste de Manaus. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM).
De acordo com uma das vítimas, a candomblecista Fabianne Souza, ao se fazer o santo, antes do “Iaô”, na volta para casa, sempre os povos de matrizes africanas vão até a igreja para tomar benção do padre, no entanto um lider religio, da Igreja Cristo Rei, teria destratado os candomblecistas no local. O pároco Grzegorz Paderewski nega que as camdoblecistas tenham sido destratadas. Ele diz que não estava no local durante a ocasião. O pároco, no entanto, não esclareceu quem teria autoridade para retirada das religiosas do recinto. Em consulta ao site oficial da Arquidiocese de Manaus, a reportagem verificou que Jaroslaw Piasecki também é líder religioso da comunidade.
“Ele [o líder religiosoo] já foi perguntando o que a gente tinha ido fazer la. Respondi que tínhamos ido tomar a bênção da igreja e dele. Ele já veio falando que santo era, e eu respondi Oxum. Ele respondeu Oxum não é santo da igreja Católica”, disse Souza.
Ainda conforme a vítima, o padre teria dito que não iria ocorrer a mistura de atos umbandista ou candomblecista com o catolicismo.
“Não iríamos vamos fazer ato nenhum, só queríamos tomar benção de Deus, pois Deus está em qualquer lugar e para nós a igreja é a casa dele. Tenho 16 anos como umbandista e três como candomblecista e nunca aconteceu isso”, desabafou a mulher.
O caso foi registrado no 9° Distrito Integrado de Polícia (DIP), no bairro São José, que vai ouvir os candomblecistas e o padre envolvido na situação.
A assessoria de imprensa da Arquidiocese de Manaus informou que não estava a par do fato, mas que as devidas providências serão tomadas.
*A matéria foi atualizada para inserir o posicionamento do padre Grzegorz Paderewski