Brechó volta a ser um empreendimento atrativo em Manaus
Segmento atrai público diversificado, entre jovens, adultos e idosos, atendendo a todas as classes sociais
Basta uma busca simples no Google ou até mesmo nas principais redes sociais que diversas sugestões de “brechó” para todos os públicos e gostos surgem nos resultados.
As constantes mudanças econômicas durante e pós-pandemia, e o resgate de tendências são alguns dos motivos que fazem do brechó um empreendimento atrativo para aqueles que desejam abrir um novo negócio ou até mesmo ganhar um dinheiro extra.
A militar Aline Danielle Farias, 33, é quem comanda o brechó online Moça Bonita, que surgiu em 2020, no ápice da pandemia. Ela conta que à época perdeu peso e precisou vender boa parte das peças que não lhe cabiam mais.
“Estávamos passando por momentos delicados devido à Covid-19 e o clima extremamente tenso me fez ‘mergulhar’ de cabeça na criação da página da loja online no Instagram”, contou, ao explicar que a idéia passou a não ser somente uma forma de se livrar das roupas, mas também um escape para ocupar a cabeça e ganhar uma renda.
Além disso, esse segmento atrai um público diversificado, entre jovens, adultos e idosos, atendendo a todas as classes sociais, com interesses que variam desde a procura por marcas famosas até a economia na aquisição de roupas.
O diferencial do brechó é focado em dois nichos específicos: roupas executivas e moda inverno.
“O que mais me surpreende é que ao passar do tempo, fomos alcançando vendas e espaço nos guarda-roupas das diversas classes sociais. O que me levou a perceber o quanto o mundo dos usados vem ganhando espaço independentemente do poder aquisitivo do consumidor”, compartilha a empreendedora.
Com modelos únicos e diferenciados, essas peças consideradas antigas ganham um novo significado no guarda roupas de quem ama garimpar. Com o passar dos anos, a antiga nova tendência acabou se tornando não somente a queridinha do momento, mas também a oportunidade de expansão com um custo menor tanto para o comércio quanto para o consumidor.
Investimento
Para a empreendedora Márcia Rodrigues, 47, proprietária do brechó Desengaveta, todo empreendimento necessita de investimento na gestão financeira, pois a organização é o pilar para manter a saúde do negócio e gerar uma boa rentabilidade.

Márcia Rodrigues vai lança nos próximos meses um e-book gratuito para mulheres que gostam de moda (Foto: Arquivo pessoal)
“O brechó é um empreendimento sem muito custo relativo, você optar por trabalhar com peças em consignação ou comprar lotes de roupas, ambas as possibilidades te dão um lucro de mais ou menos 150%”, ressalta.
Ela ainda explica que para alcançar uma margem de lucro alta no mercado, o ideal é oferecer produtos de qualidade.
“E sim, um brechó bem organizado pode ser sua fonte de renda extra ou até mesmo sua fonte principal, depende de onde você quer chegar”, frisou.
A empreendedora ainda compartilhou em primeira mão que vai lança nos próximos meses um e-book gratuito, para mulheres que gostam de moda e desejam ter seu próprio negócio e não sabem por onde começar.
“Toda minha experiência em gestão de empresas, na própria criação do brechó estará nesse e-book”, ressalta ela.
Moda Sustentável
As empreendedoras e irmãs Erikarla Sarmento, 33, e Stella Sarmento, 38, são proprietárias do Brechó 3:30 desde 2017, tendo uma loja física no centro comercial Djalma Center, na avenida Djalma Batista, zona centro-sul de Manaus.

As irmãs Erikarla Sarmento, 33, e Stella Sarmento, 38, são proprietárias do Brechó 3:30 desde 2017, no centro comercial Djalma Center (Foto: Junio Matos)
Há mais de cinco anos trabalhando nesse segmento, as irmãs acreditam que abrir um brechó vai muito além de uma contribuição econômica para o mercado, mas engloba a sustentabilidade e preservação do meio ambiente.
O reaproveitamento de matéria prima é uma economia de recursos do planeta, ao mesmo tempo em que diminui a produção de resíduos.
“É um sentimento de felicidade e alívio incrível por está fomentando economicamente um empreendedor, ajudando o planeta ao reaproveitar ao e por está super bem vestido”.
Empreender do jeito certo
As vendas em brechó viabilizam uma economia de até 80% em relação às lojas convencionais de vestuário, segundo dados do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).
Com o objetivo de apoiar e qualificar as pessoas que desejam entrar nesse segmento ou que já estão atuando no ramo de brechós, o Senac inicia uma programação de atividades voltadas para este segmento, com uma palestra com o tema ‘Brechós: Negócio com Sustentabilidade’.
O evento será realizado no Auditório do Senac Centro, Rua Saldanha Marinho, no dia 01/03, às 14h. Serão disponibilizadas 85 vagas gratuitas e as inscrições podem ser feitas por meio do telefone: 99111-4918.
Na ocasião, serão divulgados cursos e demais palestras disponíveis para 2023.
Curiosidade
Mas você sabe como surgiram os brechós? De acordo com um estudo de caso feito em Porto Alegre, a primeira loja de vendas de roupas e utensílios usados surgiu no Rio de Janeiro, no século XIX, fundada por um comerciante português chamado Belchior. Devido ao fato de que várias pessoas tinham dificuldade em pronunciar o nome do vendedor, o nome de Belchior foi adaptado, foi a partir daí que nasceu o termo “brechó”.