Carona solidária: atos de humanidade ajudam os que sofrem sem ônibus
Professor fez três viagens em seu próprio carro dando carona a quem precisava; hashtag uniu atitudes solidárias
No meio do caos, pequenas atitudes de solidariedade podem mudar a vida de muita gente. E foi pensando nisso que o professor universitário e jornalista Márcio Vieira, de 38 anos, resolveu agir. Ele foi uma das pessoas que saiu pelas paradas de ônibus oferecendo carona para aqueles que foram abandonados à própria sorte na noite desta quinta-feira, por conta da paralisação total dos ônibus em Manaus. por conta da paralisação total dos ônibus em Manaus.
A hashtag #caronasolidária repercutiu bastante entre os internautas de Manaus, motivando pessoas que têm carros a oferecerem caronas para aqueles que necessitavam. Antes mesmo de ver o movimento mais organizado, Márcio resolveu agir. Ele estava em sala de aula, soube da situação, e resolveu liberar os alunos e ajudar.
Entre 20h30 e 23h30, quando falou com a reportagem, Márcio já havia feito três viagens da Constantino Nery até a Cidade Nova, ajudando aqueles que estavam em seu caminho. “Por mais que você não deixe todo mundo em seu destino exato, você deixa mais perto e já ajuda muito. Fica uma pessoa em um carro e um monte de gente na rua, então pensei nisso e resolvi oferecer carona”, afirmou ele.
Uma história em especial chamou a atenção de Márcio. Ele estava voltando da Cidade Nova para a Constantino, para mais caronas, quando viu uma senhora com dois filhos. “Ela já tinha andado do Mutirão até a Cidade Nova. Ela tinha ido vender balas e quando terminou de trabalhar não tinha como voltar pra casa”, contou ele, que deixou a senhora e os dois filhos no Bairro da Paz.
O ato de ajudar, no entanto, caminha lado a lado com o receio, com a preocupação de ser vítima de um assalto – ou mesmo de ser visto como um potencial assaltante. “Eu cheguei a ficar com um pouco de medo sim, mas as pessoas também. Porque aqui não há esse costume, então todo mundo fica um pouco preocupado. Mas confiei, a maioria das pessoas que estão na parada de ônibus a essa hora são trabalhadores”.
O dia de Márcio não foi exatamente como ele havia planejado, mas ele foi para casa com um sentimento de que o ato de solidariedade pode deixar algo de positivo em meio ao caos vivido pela população. “Quem sabe isso não possa unir mais as pessoas”.
Veja exemplos da mobilização na internet
E confira um relato de quem foi ajudada: