Cheia em 2024 deve ser menor que a de 2021, mas ainda deve causar impactos
Prognósticos do Censipam foram apresentados no “Pré-cheia: Análise e Prognóstico Hidrometeorológico 2024”, realizado na manhã de hoje (13)
A estimativa é que a cheia do ano que vem não ultrapasse a marca histórica de 30 metros e dois centímetros vista no ano de 2021, segundo o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), órgão vinculado ao Ministério da Defesa. Nesta quarta-feira (13), a instituição promoveu o “Pré-cheia: Análise e Prognóstico Hidrometeorológico 2024” com representantes de órgãos que monitoram o clima, as bacias hidrográficas da região Amazônica e também secretarias de atuação emergencial.
De acordo com o Coordenador Operacional de Hidrologia do Censipam, Flávio Altiere, o Rio Amazonas está em processo de recuperação após passar pela forte seca.
“O que a gente pode antecipar é que provavelmente, em função dos níveis do risco estarem muito baixos ainda para o período, o que podemos prever é que a próxima cheia será tão impactante quanto os anos normais que não antecederam uma seca tão severa quanto essa”, disse.

Flávio Altiere é coordenador pperacional de hidrologia do Censipam (Foto: Márcio Silva/A CRÍTICA)
Realizado no auditório do Censipam, localizado no bairro Tarumã, zona Oeste de Manaus, o seminário reuniu representantes da Defesa Civil do Amazonas, Serviço Geológico do Brasil – Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (SGB-CPRM), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia (Inpa), Centro de Hidrografia e Navegação Noroeste (CHN 9) da Marinha do Brasil e Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).
“Todos são atores importantes. Cada um tem a visão e complementa todo esse processo de análise prognóstico que vai acontecer no ano que vem. O objetivo principal do Censipam é gerar conhecimento e informação. Após o seminário, o Censipam elabora um resumo de tudo que foi dito, compilado em um relatório. E isso fica à disposição de todos os órgãos e a população em geral”, detalhou Altiere.
Sobre as chuvas para o período, o coordenador pontua que estão bem abaixo do esperado. “A gente ainda está num processo de estiagem, de pouca chuva para a região, inclusive para o período que a gente está, o mês de dezembro. Tudo isso é reflexo ainda do vento da El Niño, que segundo as pesquisas, mostra que até abril ainda vai se prolongar. Então, certamente, o nível de chuva ainda vai estar bem abaixo do que é normal”, ponderou.
Em junho deste ano, foi realizado em Porto Velho (RO) o evento “Pré-Seca 2023: Análise e Prognóstico”, e segundo o Censipam, os debates com especialistas conseguiram criar estimativas que chegaram próximas da realidade, figurando como a maior seca da história do Amazonas. Altiere ressalta a importância científica de seminários como esse, cujo objetivo é gerar informação para prevenção.
“O seminário tem um papel muito importante para a Amazônia, porque o evento reúne especialistas, pesquisadores e técnicos de órgãos operacionais no sentido de discutir a problemática que, nesse caso, é da próxima cheia. É preciso fazer uma análise, ainda que saindo de uma seca severa, então é preciso entender de que forma isso pode impactar na próxima cheia e na próxima estiagem que vai acontecer ano que vem”, destacou.
A pesquisadora em geociência do SGB – CPRM, Jussara Cury, salientou que as chuvas estão abaixo da média para o período. “Nossa região depende muito da questão do inverno Amazônico que está iniciando agora, mas segundo os dados climatológicos, as precipitações estão abaixo da média. Aqui vamos conseguir perceber qual o cenário do ano que vem. A vazante desse ano impacta no que teremos de enchente do ano que vem”, disse.
Cury argumentou que é de suma importância os órgãos de pesquisa e institutos de atuação direta e indireta atuarem de forma convergente, assim como é fundamental passar a informação para a população, para que munidos de conhecimento possam se preparar e também diminuir os impactos que podem enfrentar na cheia e também na seca do Rio Amazonas.
“De certa forma, estamos totalmente dependentes da questão do clima, da hidrologia, principalmente porque os rios ainda são os nossos principais meios de transporte para locomoção e abastecimento. Passamos pela vazante mais severa e foi acompanhada por toda a região. Da mesma forma que foi significativa para o Amazonas, também foi para Roraima, Rondônia e sul do Pará”, disse Cury.
Prognósticos
Os prognósticos do Censipam são realizados por meio do Sistema Integrado de Monitoramento e Alerta Hidrometeorológico (SipamHidro), que gera informações que permitem avaliar a situação tanto dos níveis dos rios quanto as condições climáticas. Por meio da ferramenta, é possível agir preventivamente em relação a alagamentos, inundações, erosões no solo, desmoronamentos, secas, entre outros eventos.