Ciclovia que deveria se estender até a Marina do Davi ainda é pouco usada
Quem mora nas proximidades afirma que a ciclovia é mais utilizada para outras atividades, como a caminhada ou mesmo por vendedores ambulantes
Um ano após ter sido inaugurada, a ciclovia Boulevard-Ponta Negra, que deveria ligar a Zona Centro-Sul da capital amazonense à Marina do Davi, na Zona Oeste, ainda é pouco utilizada pelos ciclistas. Para ativistas do modal, o desuso da faixa se dá pela falta de funcionalidade no espaço.
No projeto original, o prefeito Artur Neto (PSDB) prometeu, até o fim deste ano, construir 80 km de extensão para interligar o via até a marina, passando pelas avenidas Brasil e Coronel Teixeira. No entanto, até agora, faltando pouco mais de dois meses para o fim do seu atual mandato na prefeitura, o projeto ainda não foi finalizado.
Quem mora nas proximidades afirma que a ciclovia é mais utilizada para outras atividades, como a caminhada ou mesmo por vendedores ambulantes. Na opinião do aposentado Altair Souza, 67, a pista deveria ser mais larga para ter espaço tanto para os ciclistas quanto para os pedestres.
“A gente quase não vê ciclistas por aqui e, quando tem, a gente tem que dividir o espaço com eles, porque só um lado da calçada que ficou sobrando para os pedestres”, disse ele, que costuma caminhar no local todas as tardes. “O mais comum é ver pessoas caminhando e correndo por aqui mesmo”, completou.
Apesar do pouco uso dos amantes de “bikes”, a ciclovia Boulevard-Ponta Negra apresenta alguns problemas como a pintura desgastada em vários pontos.
Segurança
Para um dos coordenadores do Pelada Manaus, um dos maiores grupo de pedal em Manaus, Paulo Aguiar, a ciclovia do Boulevard ainda não é funcional por que ainda não possui uma continuidade, com ligação de um ponto ao outro da cidade. “Quando ela estiver completa, ligando até a Marina do Davi, ai sim ela será”, afirmou.
Outro problema que aumenta o desuso, segundo Aguiar, é a falta de segurança para os ciclistas. “Para acessar a ciclovia, você tem que cruzar o Boulevard. Então, imagina você cruzar o Boulevard, entrar na ciclovia, e lá no final você vai sair dela e cruzar novamente a avenida para continuar o caminho. Ou seja, é mais fácil e mais seguro não entrar na ciclovia e manter o percurso no lado direito ou esquerdo da via”, pontuou.
Cerca de R$ 440 mil foram gastos para a criação deste trecho da ciclovia, que tem dois quilômetros e trezentos metros de extensão.
Dias de maior movimento
De acordo com moradores da área, o movimento de ciclistas que andam na faixa exclusiva da avenida Natan Xavier é maior, principalmente, nos fins de semana e feriados, que é quando os adeptos aproveitam para a prática de esportes. A avenida Natan Xavier possui 6 quilômetros de extensão.
Ciclofaixa da avenida Natan Xavier agrada
Na avenida Natan Xavier, no bairro Novo Aleixo, na Zona Norte de Manaus, a ciclofaixa implantada caiu no gosto dos usuários de bicicletas como meio de transporte. Apesar de apresentar alguns problemas em um trecho da avenida, onde a parte da faixa está apagada e com buracos acumulando lama, os adeptos dizem que a ciclofaixa ajudou a melhorar o fluxo de trânsito na área. Foi o que afirmou o aposentado Rosinaldo Oliveira Silva, 62, que todos os dias passa pelo local.
“Antes, a gente andava pelo meio dos carros e isso era bastante perigoso. Com a ciclofaixa, isso melhorou muito, mas ainda há aqueles que não respeitam a sinalização”, frisou.
Na opinião dele, o município devia investir na ampliação e adaptação de mais ciclofaixas nos corredores viários para facilitar a vida dos ciclistas e diminuir o risco de acidente de trânsito nessas áreas. “A pista está boa e acredito que essa faixa deveria ser maior para termos mais segurança”, contou.
Seminf reajusta projeto
De acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), atualmente o município está ajustando o projeto dos dois novos trechos da ciclovia Boulevard-Ponta Negra, que compreendem as avenidas Coronel Teixeira e Brasil (25,5 km ida e volta), e trecho da Bola do Mindu, no Parque Dez, até a avenida das Torres (26 km ida e volta). Com a execução desses trechos, mais os 10,5 km lineares de ciclovia implantados, a capital passará a ter 62 km de ciclovia. Ainda de segundo a Seminf, em parceria com o Implurb e o Manaustrans, outros projetos estão sendo elaborados na avenida Humberto Calderaro passando por vários bairros, de tal maneira que todos os trechos consigam se interligar.