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Codam avalia R$ 705 mi em projetos que podem gerar 1,2 mil empregos no AM

Nesta quinta-feira (17), o Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas se reúne e avalia 29 projetos de impacto econômico

Publicado em 17/02/2022 às 01h00 · Atualizado em 12/03/2022 às 13h17
Codam avalia R$ 705 mi em projetos que podem gerar 1,2 mil empregos no AM

Nesta quinta-feira, o Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam) realiza a primeira reunião deste ano para avaliar 29 projetos com investimentos avaliados em R$ 705 milhões e possibilidade de geração de 1.286 novos empregos. A realização do encontro é da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti).

Com 84 páginas, a pauta oficial é extensa e abarca 14 novos projetos de implantação para o Amazonas, outros 12 de diversificação e mais três de atualização, totalizando 29. Todos estão pré-aprovados pela Sedecti, mas para avançar precisam de parecer do Codam, órgão colegiado de aconselhamento das decisões econômicas do governo.

Dentre os destaques a serem avaliados estão a proposta da empresa GBR Componentes, um investimento de R$ 85,6 milhões para fabricação de celular na Zona Franca, e a da Samsung, com R$ 35,7 milhões para manufatura de projetor de vídeo. Ambos são projetos industriais de diversificação na produção.

As propostas envolvem os mais diversos produtos de fabricação industrial, como colchões de espuma, forno de micro-ondas, artefatos de joalheria, porteiro eletrônico, cabo flexível, película autoadesiva de plástico. A possível inserção desses novos itens nas linhas de produção envolve incentivos fiscais, em especial de redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Há ainda destaque para investimentos no Iranduba, município na região metropolitana de Manaus. A empresa AD Indústria de Alimentos prevê inserção de R$ 1,045 milhão, entre investimento fixo e financeiro para produção de sorbet de açaí, um gelato da fruta.

O titular da Sedecti, Jório de Albuquerque Veiga Filho, vê as inserções na economia do Amazonas com muito otimismo, ressaltando que os valores estão dentro da média esperada para o período, o que ele atribui à pandemia de covid-19.

“Esses investimentos representam a certeza que a economia seguirá crescendo e que, com segurança jurídica, vale a pena continuar investindo, criando empregos, gerando renda, pagando impostos e sendo lucrativos no Amazonas. São investimentos que o Governo do Amazonas considera importantes porque trata da manutenção dos negócios que geram renda, dos empregos e da solidificação do portfólio de produtos que temos no PIM.”, disse à reportagem.

A reunião ocorrerá na sede da Federação das Indústrias do Amazonas e também será transmitida ao vivo no canal da Sedecti no Youtube. Estarão presentes as entidades formadoras do Codam, dentre elas, as principais secretarias e órgãos estaduais ligados à economia, a Prefeitura de Manaus, e representantes da indústria local.

“A expectativa da Sefaz para o Codam desta quinta-feira é excelente. Uma série de projetos devem ser aprovados, gerando mais uma vez emprego, renda e, sobretudo, o aumento do faturamento do Polo Industrial de Manaus, o que repercute na sociedade por meio da cobrança de tributos, como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e os fundos e contribuições”, afirma Alex del Giglio, titular da Secretaria de Estado de Fazenda do Amazonas (Sefaz-AM).

Retomada

Os projetos citados, caso sejam aprovados, devem se juntar ao total de R$ 31 bilhões em investimentos alcançados nos últimos três anos (2019 a 2021), segundo o Codam. Os números são vistos como uma vitória em meio à crise econômica que afeta o mundo e consequentemente o Brasil.

“Esse recorde de investimentos, mesmo enfrentando uma pandemia, demonstra que estamos no caminho certo, melhorando o ambiente de negócios e dando mais segurança aos investidores”, disse o governador Wilson Lima (PSC), em dezembro passado, quando os valores foram divulgados.

Em última pesquisa divulgada em 28 de janeiro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Brasil contava com 12,4 milhões de desempregados, número que representava uma recuperação de 14,5% em pessoas empregadas. Apesar disso, a taxa de desemprego atual (11,6%) ainda é maior que antes da pandemia (11,3%).

Outro mal que castiga o brasileiro é a atual inflação de 10,38% até janeiro de 2022, também segundo o IBGE, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA). O percentual é o maior desde 2016 e impõe ainda mais dificuldades para aquisições de novos bens produzidos pela indústria.

Indústria otimista

Na primeira reunião do Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam) neste ano, os órgãos colegiados irão se debruçar sobre R$ 705 milhões em investimentos de 29 projetos apresentados por empresas e que podem ser instaurados na Zona Franca. Representantes da indústria veem o momento como uma resposta, ainda que indireta, ao governo federal.

No início de fevereiro o Ministério da Economia iniciou discussões, as quais ainda estão em andamento, para reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O tributo é o principal a receber incentivo fiscal no Polo Industrial, o que gerou uma crise com empresários do setor em Manaus. A poeira só baixou quando, na semana passada, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que não tem intenção de prejudicar a Zona Franca e que irá estudar exceções caso haja reduções no imposto.

“A primeira reunião do ano do Codam é mais um indicativo da solidez do nosso modelo Zona Franca de Manaus e do compromisso do governo estadual com as indústrias aqui instaladas”, afirma Antônio Silva, presidente da Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam).

Grande parte dos investimentos a serem analisados pelo Codam estão voltados para inserção de novas linhas de produtos na Zona Franca. A Fieam, que participará da reunião desta quinta-feira, destaca três.

“A Coplast prevê investimento de R$ 42 milhões e geração de 102 novos empregos para produção de artigos plásticos. Já a GBR Componentes espera injetar mais de R$ 90 milhões para fabricação de celular e a Samsung, R$ 40 milhões para manufatura de projetor de vídeo, com 50 novos postos de trabalho”, ressalta o presidente da Federação.

Segundo a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), o faturamento do Polo Industrial no ano passado chegou a R$ 145,586 bilhões. Os valores se referem a janeiro a novembro, uma variação de 32,13% se comparado ao mesmo período de 2020, quando arrecadou R$ 110,181 bilhões.