Com enredo dedicado ao Pará, Aparecida entra na avenida do samba
Apesar da famosa "rixa" entre amazonenses e paraenses, o vice-presidente da agremiação verde e branca, Fabrício Nascimento, disse que o intuito é justamente brincar com essa relação
Nos primeiros raios de sol do Domingo Gordo de Carnaval, a última a entrar no desfile do grupo especial das escolas de samba de Manaus foi a Mocidade Independente de Aparecida, às 5h50 da matina. Detentora de 22 títulos, ela é a maior vencedora do Carnaval amazonense e traz neste ano um enredo baseado no legado histórico cultural do Estado vizinho, Pará.
“Égua, maninho! Espia só! Tem açaí, tem tucupi, tem maniçoba. Tem carimbo, Çairé e Siriá. Tem boto e tem Iara, de Marajó, encantaria de arrepiar… Tem Ver-o-Peso, e rio-mar. Tem Nazinha a nos abençoar… A Aparecida vem mostrar. Que aqui também tem Pará!”, é o tema enredo deste ano.
Apesar da famosa “rixa” entre amazonenses e paraenses, o vice-presidente da agremiação verde e branca, Fabrício Nascimento, disse que o intuito é justamente brincar com essa relação, relembrando as raízes culturais. “Todos viemos do Grão-Pará. Somos o mesmo povo e esse reverencial é sempre saudável de ser lembrado”, afirmou.
O carnavalesco Fabiano Fayal concordou e ressaltou a ideia de diversidade através dos carros alegóricos e do samba-enredo deste ano. “É um Estado maravilhoso, em que temos tantas coisas parecidas e apostamos nossas fichas nele para levar o 23° título”, disse.
Uma reza a Nossa Senhora de Nazaré para preparar a harmonia no alinhamento ao tempo animou os mais de 3.800 brincantes. Completando 39 anos no próximo dia 15 de março, a comissão de frente traz uma índia mirim com a figura do jacaré ao fundo, uma lembrança dos nativos colonizados que conseguiram manter suas raízes em meio à relação com o homem branco.
Em uma manobra coreografada, a cabeça de crocodilo se une ao resto do corpo do animal representados por vários foliões na avenida, e começa a dançar em sincronia.