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A Crítica
Manaus

Comissão Interventora comenta problemas expostos do prédio da Santa Casa de Misericórdia

Segundo Tiago Queiroz, membro da Comissão Interventora, a ideia trabalhada junto com a Susam é de que o prédio seja usado como sede do Centro de Reabilitação Albergue Sá Bandeira

Publicado em 23/12/2015 às 20h46 · Atualizado em 19/03/2022 às 21h07
Comissão Interventora comenta problemas expostos do prédio da Santa Casa de Misericórdia
Foto: Parecendo um cenário de guerra, a instituição serve de casa para muitos moradores de rua e usuários de drogas

Fechado há onze anos, o prédio da Santa Casa de Misericórdia está repleto de lixo, infiltrações e com alas completamente devastadas por ação de vândalos que entram na instituição para saqueá-la, levando principalmente telhas de barro e fios de cobre. Localizado na Rua Dez de Julho, no Centro de Manaus, o prédio serve de casa para moradores de rua e usuários de drogas. Como praticamente não existe mais telhado, as chuvas castigam cada vez mais as dependências e, por isso, há muitas salas com água parada (assista ao vídeo assista ao vídeo ), o que pode facilitar o desenvolvimento do mosquito aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika.

O membro da Comissão Interventora da Santa Casa de Misericórdia, Tiago Queiroz, explicou que no prédio tenta-se fazer a segurança patrimonial, porém o número de seguranças é insignificante.

“O que ocorre é que três vigilantes é um número ínfimo para o tamanho do prédio. São mais de 11 mil metros quadrados no Centro. Por mais que a Polícia Militar e Civil apresentem algumas estratégias para inibir a ação desses meliantes, tudo é muito incipiente e insuficiente. Existem pontos de distribuição de drogas que são adjacentes à Santa Casa, e isso é de conhecimento público, mas infelizmente o Estado de um modo geral não faz nada para coibir esse tipo de atividade ilícita”, explicou o advogado, revelando ainda que os seguranças são disponibilizados pelo Estado do Amazonas por meio de um contrato firmado entre a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam) e a própria empresa de vigilância Visam.

“Recentemente, o secretário da Casa Civil do Amazonas, doutor Raul Zaidan, disse que a Polícia Civil fará uma intervenção mais aguda para conter o avanço do tráfico de entorpecentes e do uso de drogas na área. Então vou esperar para que agora em dezembro ou no começo de janeiro essa ação atinja o nível máximo de eficácia a que ela se dispõe”, complementou.

Sobre a água empossada em vários salões do prédio, Queiroz explicou que o Departamento de Vigilância e Promoção à Saúde é acionado pela Comissão Interventora a cada três meses para fazer uma limpeza e disparar o fumacê que mata a larva dos mosquitos.

“Os canos são reparados sistematicamente por nós. A gente repara, as pessoas entram, depredam, a gente repara e fica nesse círculo vicioso. Nós não temos recursos da Santa Casa parafazer esse tipo de reparo. Sai do meu bolso, do professor Joaquim Loureiro e do Claudivan Ozório [todos integrantes da comissão]”, afirmou.

Sinal vermelho

O advogado informou que o processo de desapropriação do prédio está parado no Ministério Público. De acordo com ele, a atual dívida da instituição é de R$ 8.403.140,05.

“O processo no Ministério Publico está parado. A crise econômica e financeira que assola o País infelizmente retardou o processo de pagamento da indenização derivada dessa desapropriação. Tenho estado constantemente na Casa Civil e na Susam sempre requerendo o pagamento dessa indenização, mas o Estado reforça o discurso que vai honrar o compromisso de desapropriar a área para soerguer uma nova unidade de saúde pública, mas que postergou o pagamento desse compromisso por conta da crise”,declarou.

Ainda de acordo com ele, o que vem sendo feito nos bastidores entre a Susam e a Comissão Interventora é alinhavar o projeto do que funcionará na nova unidade de saúde, mas que ainda carece de aprovação do governador.

“Em nível de Susam isso já foi aprovado, fizemos uma reunião, o secretário [Pedro Elias de Souza] endossou a nossa ideia, todavia carece de ratificação por parte do governador do Estado. Isso deve ser decidido até o início do ano que vem”, revelou.

Nova proposta

A ideia do prédio da Santa Casa de Misericórdia se tornar um hospital do câncer voltado ao público infanto-juvenil já foi deixada de lado.

“Foi abandonada por conta da inviabilidade de construir um hospital naquele local. Hoje as normas de saúde, por conta das exigências legais e normativas que cuidam da matéria, são gigantescas. Fizemos um estudo e a conclusão desse trabalho foi que seria inviável a implantação de um hospital naquele local. Todavia a ideia que se mostrou mais plausível, viável e econômica, dado o financiamento federal, é a instalação de um centro especializado em reabilitação para cuidar exatamente da última etapa do tratamento médico que é a mais negligenciada no SUS”, disse o integrante da Comissão Interventora.

“O Centro de Reabilitação Albergue Sá Bandeira tem sido a ideia trabalhada tanto pela Susam quanto pela Comissão Interventora para que a Santa Casa de Misericórdia volte a cuidar da população mais carente e ofereça serviço de qualidade nessa área”, finalizou.

ComissãoInterventora comenta problemas expostos no prédio e revela que Santa Casa deMisericórdia deve virá um centro de reabilitação