Comitê de Mudanças Climáticas de Manaus terá primeira reunião
Cinco meses após criação, o colegiado deverá se reunir ainda em outubro para criar cronograma de atividade e elaborar Plano de Ação
Criado em maio pelo prefeito David Almeida (Avante), o Comitê Municipal de Mudanças Climáticas de Manaus deve ter a sua primeira reunião até o fim deste mês. O encontro acontece enquanto a capital amazonense ainda está em estado de emergência por causa da estiagem histórica do rio Negro, potencializada pelas alterações no clima, e as queimadas que atingem a zona rural e região metropolitana.
O colegiado é presidido pelo prefeito de Manaus, David Almeida, e conta com 27 integrantes, dentre secretarias municipais e órgãos ligados à administração da cidade. A recém-criada Secretaria Municipal de Habitação ainda será incluída no Comitê. O titular da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Antonio Stroski, adianta o que deve ser tratado na reunião.
“Na quarta-feira, nós devemos expedir os convites para os membros. A equipe do Comitê vai se reunir para começar a fazer o cronograma de trabalho, inclusive com definição de metas para alguns dos nossos objetivos, dentre eles, a elaboração do Plano de Ação Climática de Manaus”, afirma o secretário.
O documento é considerado um ‘protocolo’ definidor de ações a curto, médio e longo prazo que devem ser pensadas para enfrentar problemas históricos da capital amazonense, agora acentuados pelos extremos climáticos. Dentre eles, os desbarrancamentos em áreas de encosta, o movimento de seca e cheia dos rios (com seus efeitos sobre a população), a falta de arborização na área urbana e a necessidade de menor emissão de gases do efeito estufa.

Secretario informou que comitê deverá elaborar o Plano de Ações Climáticas de Manaus, que funcionará como definidor de ações a curto, médio e longo prazo para enfrentar acontecimentos históricos como a seca extrema e desbarrancamentos (Foto: Divulgação/Semmas)
Ações realizadas
Stroski ressalta que, apesar de o Comitê e o Plano de Ação Climática serem norteadores de políticas para essa problemática, a Prefeitura de Manaus já tem realizado ações voltadas ao tema. “Estamos cuidando da elaboração do inventário de gases de efeito estufa da cidade com o suporte técnico do Iclei (rede global de governos para a sustentabilidade), temos investido em ônibus elétricos e estamos fazendo a transição do uso de diesel nas nossas termelétricas para gás”, diz ele.
Stroski avalia que o plano ainda está na fase inicial de planejamento, “cerca de 10% completo”, e ressalta que o conteúdo será traçado pelo colegiado, no Comitê. No entanto, pontua o que deve constar no planejamento da cidade para mudanças climáticas. “Vamos ter um trabalho que vise a eliminação das ilhas de calor, qual será a contribuição de Manaus para a redução dos gases do efeito estufa e a restauração florestal dos espaços verdes”, comenta.
Questionado sobre se o plano irá prever protocolos para enfrentamento de problemas observados na seca deste ano, como falta de água potável e alimentos, o secretário disse que sim.
“Sim, é preciso ter. Ninguem imaginava que chegaríamos à cota de 12,89 metros no rio Negro, como foi ontem (22). Até uns anos atrás também, nossa cota de referência para cheia era 30 metros, nós passamos. Então, temos que ter um entendimento de alterações desses eventos extremos e pensar quais ações teremos para enfrentar esse cenário”, afirma.
Cobrança
Uma das maiores cidades da região amazônica, Manaus ainda não possui um planejamento permanente e integrado para enfrentar as mudanças climáticas. No ano passado, o Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM) expediu uma recomendação à prefeitura para que criasse um plano próprio sobre a temática.
Sem uma resposta que considerasse efetiva, o órgão fiscalizador entrou com uma representação no Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) para cobrar o planejamento. A ação ainda tramita na Corte.