Condutor envolvido em acidente com turista diz ser inocente
Condutor da embarcação que colidiu com a que carregava turista inglesa, morta na quinta-feira, diz que não foi imprudente
O condutor da embarcação Clissia 6, Mailson Gomes, 62, pretende provar para a Polícia e Justiça do Amazonas que não é o culpado do acidente fluvial que resultou na morte morte da turista inglesa Gillian Metcalf, 54 anos, na última quinta-feira(05). O principal trunfo de Mailson são quatro testemunhas que viram o acidente e se comprometeram a contar o que viram, desmentido a versão do condutor da lancha Dona Shirley, Jailson Pereira de Jesus, que o coloca como responsável pela colisão. Ele afirma que não fugiu e prestou socorro.
Em entrevista para A CRÍTICA, no domingo(08), ele afirmou que o acidente foi provocado pelo condutor da lancha Dona Shirley, em uma manobra irregular, no Rio Negro. Segundo Mailson, o condutor abasteceu a lancha com passageiros em um pontão, a 50 metros de distância do porto da Ceasa. Ao invés de esperar a lancha Clissia 6 passar, o piloto da Dona Shirley acelerou na tentativa de atravessar na frente dele. A manobra fez com que a lancha Dona Shirley se posicionasse na linha de colisão com a Clissia 6, segundo Mailson.
Ele relata que tem 31 anos de experiência na travessia de passageiros e destaca que o procedimento correto nesse tipo de caso é o condutor da embarcação que pretende sair esperar a outra que está em deslocamento passar, cruzando-a pela parte de trás. “Não sou dono da verdade, mas quem tem o mínimo de experiência com embarcação sabe que se tem uma embarcação em deslocamento, o certo é esperar ela passar e não tentar ultrapassar pra ficar na frente”, disse.
Velocidade reduzida
Mailson diz que reduziu a velocidade, mas acabou colidindo contra a parte traseira da embarcação. “Infelizmente, lancha não é como carro. A partir do momento que você puxa o manete a lancha não para de imediato, mesmo reduzindo a velocidade como fiz”. Ele completa que se estivesse em alta velocidade, a Clissia 6 teria passado por cima da lancha Dona Shirley e provocado danos maiores.
“Se eu não tivesse tentado evitar de todo o jeito esse acidente, minha lancha teria virado a Dona Shirley, que possivelmente afundaria. O que causou a morte da turista não foi a lancha que eu estava. A lancha bateu no cano da cobertura da lancha Dona Shirley e atingiu a cabeça dela. Quando vi, achei que ia esperar eu passar, mas ele estava de cabeça baixa e acelerou na minha direção”, disse.
Mailson afirma que logo após a colisão foi em direção a Jaison, mas outra lancha, a Bons Amigos, estava mais próxima do pontão e levou as vítimas com Jaison para a beira do rio. Nesse período, Mailson recolheu os coletes da lancha Dona Shirley, que caíram no rio, e foi falar com Jaison. “Perguntei por que ele fez isso e ele disse: ‘pensei que dava para passar’”, disse.