Conferência debate políticas públicas para os povos indígenas do Amazonas
Durante o evento, o diretor-presidente da FEI, tomou posse do cargo de maneira simbólica com a celebração de um ritual
O diretor-presidente da Federação Estadual dos Povos Indígenas (FEI), Sinésio Trovão, tomou posse do cargo de forma simbólica nesta segunda-feira (17) durante a abertura da Conferência Estadual das Organizações dos Povos Indígenas do Amazonas. No auditório do Centro Cultural dos Povos da Amazônia, Zona Sul de Manaus, repleto de líderes de diversas etnias, ele recebeu das mãos do vice-governador Tadeu de Souza (Avante), o cocar das lideranças.
O evento reúne, até quarta-feira, representantes das organizações indígenas de todo estado. A iniciativa com a inédita organização do governo, vai debater propostas para a construção do programa Amazonas Indígena, com ações coletivas nas mais diversas frentes com ênfase nas questões relacionadas à segurança territorial, sustentabilidade e projetos sociais voltados às comunidades indígenas. O diretor-presidente reconheceu a importância do encontro para a abertura do diálogo entre os entes da federação e os povos.

(Foto: Márcio Silva)
“Nós queremos unir os movimentos indígenas. Queremos discutir junto ao movimento indígena e com o governo para promover a união. Não podemos, o movimento, não debater com o governo e o governo não debater com o movimento indígena. Juntos podemos construir e é isso que o povo indígena quer e é isso que estamos buscando”, declarou Trovão.
Além das federações e lideranças indígenas, participam da conferência também representantes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) e do Ministério dos Povos Indígenas (MPI). Segundo Sinésio, essa integração é necessária para alinhar como cada ente federativo poderá com a articulação de políticas públicas direcionadas aos povos originários.
“Com a criação do Ministério dos Povos Indígenas, nós do estado do Amazonas também vamos começar a aproximação do governo do estado. Somente assim as questões indígenas do Brasil e do Amazonas podem avançar com a união integrada com as discussões para um futuro melhor. A partir dessa conferência serão construídas políticas públicas voltadas para questão indígena do estado do Amazonas”, declarou o diretor-presidente.

(Foto: Márcio Silva)
A presidente da Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (Apiam), Maria Baré, ressaltou a importância da discussão de soluções políticas para os povos originários. Ela lembrou que o Amazonas possui 66 etnias e quase a metade da população indígena do país, por isso, segundo ela, é necessário ir além do discurso.
“Precisamos de uma FEI forte. Temos um parente que vai restar à frente, mas ele por si só não vai resolver nada. Precisamos de recursos no orçamento para que de fato as ações de governo cheguem na ponta, nos territórios, nas comunidades mais longínquas desse estado do Amazonas. Porque senão vai ser em vão esse encontro que está acontecendo hoje”, reforçou a presidente da Apiam.
O vice-governador Tadeu de Souza, garantiu o compromisso do estado com a luta. Ele destacou que as políticas para os povos indígenas nunca foram prioridade nos governos anteriores, uma lógica que a gestão do governador Wilson Lima (UB) pretende mudar e a conferência seria fundamental não somente para que o estado possa ouvir, mas também para que os povos possam compreender a execução das leis e garantir seus direitos.
“A nossa luta depende das de vocês. O exercício das nossas instituições depende de vocês. Lutar, enfrentar, entender a problemática indígena é um exercício diário. Sei o quanto vocês tem dificuldades para acessar as portas dos gabinetes e essa é uma oportunidade histórica. No início do ano vivemos um Apocalipse Yanomami. Essa dor também é minha e a gente tem a oportunidade de mudar isso. Que esses três dias de conferencia seja um marco temporal no Amazonas para o início de um novo tempo da política para a população indígena no Amazonas”, assegurou o vice-govenador.

(Foto: Márcio Silva)