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A Crítica
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Contra violência de gênero, dezenas de pessoas fazem manifestação em frente ao TCE-AM

O principal alvo da manifestação foi o conselheiro do TCE-AM Ari Moutinho, que teria cometido os crimes de injúria e ameaça contra a presidente eleita do tribunal, Yara Lins

Publicado em 10/10/2023 às 18h11
Contra violência de gênero, dezenas de pessoas fazem manifestação em frente ao TCE-AM
Foto: Jeiza Russo

Um grupo de aproximadamente 65 pessoas esteve na tarde desta terça-feira (10) em frente à sede do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), localizada na Avenida Efigênio Salles, bairro Aleixo, zona Centro-Sul da cidade, em defesa da presidente do TCE-AM, Yara Lins, 66 anos, e contra a violência de gênero. A conselheira, no último dia 6, afirmou ter sofrido agressões verbais do conselheiro Ari Moutinho, 50 anos, durante sessão da primeira câmara no dia 3 de outubro. 

Com palavras de ordem o grupo erguia faixas com as frases “Não à violência de gênero” e “Fora Ari”. Ao microfone, manifestantes repudiavam o ocorrido com Yara Lins, que registrou Boletim de Ocorrência (BO) ainda no dia 6 na Delegacia Geral de Polícia Civil, localizada na avenida Pedro Teixeira, bairro Dom Pedro, pelos crimes de ameaça e injúria. O conselheiro negou ter ofendido a colega de poder e ainda disse que tomará “as medidas judiciais cabíveis para se defender”. 

“Hoje estamos reunidos aqui por nós estamos cansadas de sofrer violência dentro de casa, dos ônibus e no ambiente de trabalho. Somos mulheres e merecemos respeito. E pelo fato de a nossa conselheira ter passado por esse acontecimento, ela foi guerreira em abrir a boca e denunciar. Porque hoje muitas mulheres que se encontram em casa e por medo não tem coragem de denunciar na delegacia”, declarou a autônoma Cristiane Furtado, 41 anos, presente a manifestação.

No discurso os manifestantes classificavam a suposta agressão verbal de Ari como “machista” e “misógina”. Uma das faixas erguidas pelos manifestantes trazia o nome da advogada criminalista, Catharina Estrella, que foi associada a uma cadela durante tréplica argumentativa do promotor de Justiça, Walber Nascimento no dia 14 de setembro. Quatorze dias depois do ocorrido, o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) publicou em Diário Oficial a aposentadoria do promotor com o salário de R$ 42.345 mil. 

Além da organização popular, universitários também fizeram parte do ato. Como o estudante de direito da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), João Taketomi, 19 anos. Ele explicou que a solidariedade à todas as mulheres que sofrem violência de gênero foi o motivo pelo qual o levou a comparecer na manifestação. Ele ainda afirmou que é “insustentável a manutenção do conselheiro Ari Moutinho (no TCE-AM ) por não respeitar as mulheres”. 

“É absurdo considerarmos a existência de um conselheiro, de um membro de poder, que desrespeita um gênero tão forte quanto o feminino. É por isso que estamos aqui e continuaremos atentos à qualquer agressão. Porque que agridam mulheres, estaremos lá para defendê-las. A mobilização contou com apoio de alguns comitês feministas como ‘As Amazonas’. Hoje estamos aqui por todas as mulheres”, declarou o acadêmico de direito. 

A manifestação se encerrou por volta das 15h e teve apoio da Polícia Militar do Estado do Amazonas (PMAM) que conteve os manifestantes de maneira pacífica na calçada do TCE-AM. O trânsito na avenida Efigênio Salles não foi comprometido. Nenhum membro ou representante do tribunal compareceu no ato para dialogar com os manifestantes até o momento em que a reportagem esteve no local.