Dia da Cobra: projeto Suaçuboia conscientiza sobre importância das serpentes
O INPA e a Save The Snakes fizeram uma programação especial no Bosque da Ciência para conscientizar crianças e adultos sobre a contribuição das serpentes para o meio ambiente e o desenvolvimento científico
Nesta terça-feira (16), Dia Mundial da Cobra, o Projeto Suaçuboia, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e a Save The Snakes fizeram uma programação especial no Bosque da Ciência para conscientizar crianças e adultos sobre a contribuição das serpentes para o meio ambiente e o desenvolvimento científico.
Alice, de 11 anos, era uma das crianças mais interessadas pelas explicações sobre as cobras no Bosque da Ciência, bairro Petrópolis, Zona Sul de Manaus. Toda a curiosidade começou a 2.851 km da capital amazonense, lá no Rio de Janeiro. Ela veio com a família para conhecer a Amazônia durante as férias escolares e foi quem escolheu o destino. Ao lado dos pais, ficou encantada com os padrões de cores nas escamas das serpentes e com a variedade de espécies regionais.
“Eu já fui para alguns lugares aqui no país, só que a Amazônia… falam tanto, tantas coisas. Fiquei desde o primeiro ano até o sexto, na escola, aprendendo sobre ela e com curiosidade para conhecer”, disse a jovem estudante.

Alice Montedonio, estudante do Rio de Janeiro/RJ (Foto: Daniel Brandão/A CRÍTICA)
O pai, o juiz federal Frederico Montedonio, disse que é a segunda vez dele em Manaus, mas que na primeira veio por causa do trabalho e não aproveitou muito. Agora, como turista, ele afirma conhecer mais daquilo que também tinha apenas ouvido falar. Na avaliação do passeio pelo INPA com a filha, se mostrou feliz em compartilhar com ela o aprendizado sobre os répteis.
“A gente vive em área urbana muito afastada da natureza. É muito importante que as crianças tenham contato desde cedo e se conscientizem sobre como é a natureza. Eu não tive essa oportunidade quando era criança”, comentou Frederico.

Frederico Montedonio, Juiz Federal da 8ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, acompanhou a filha durante visita ao projeto (Foto: Daniel Brandão/A CRÍTICA)
Universo ofídio
A programação começou às 8h e teve horário de encerramento às 17h. Com entrada gratuita, os visitantes puderam conhecer um pouco sobre a ecologia das cobras, como proceder em casos de acidentes com elas e quais as classificações. A escolha de mostrar todo esse universo ofídio para as crianças foi algo pensado pelo Projeto Suaçuboia como essencial no desenvolvimento delas e de uma sociedade mais capacitada para lidar com animais presentes tanto nas lendas regionais quanto no dia a dia de muitos amazonenses.
Uma das responsáveis pela apresentação dessas informações para as crianças é a universitária do curso de Ciências Biológicas, Stephany Feliciano. Ela é voluntária do Suaçuboia e decidiu encarar a tarefa porque acredita no poder que a educação tem em transformar a vida das pessoas. O desafio foi conseguir “traduzir” as informações técnicas de forma simples para os pequenos.
“A nossa ideia é mostrar que as cobras não são vilãs, são animais que têm importância como todo ser vivo. Algumas espécies ficam perto da extinção e a consciência de proteger elas não pode ficar restrita ao lado acadêmico, dentro das universidades”, disse a universitária.
Dona da festa
Entre as barracas da exposição estava ela, a suaçuboia, cobra que dá nome ao projeto idealizador do evento. Dentro do terrário, ela parecia calma, recolhida, mas era badalada. Mesmo dormindo, muitas pessoas queriam tirar fotos e ficavam encantadas com a beleza da serpente. O fundador do projeto, Igor Fernandes, ficou responsável por contar um pouco das características do animal. Ele também é conhecido como jararaca-do-igapó, tem dentes grandes para caçar morcegos, apesar de não ter veneno. Geralmente é encontrado em ambientes com água, e pode apresentar até 25 variações de cor, isso apenas no Amazonas.
“Pode ser laranja, amarelo, marrom, cinza, preto… é um bicho arborícola, com hábitos noturnos. Durante o dia, dorme em galhos ou troncos; à noite, sai para caçar”, disse Igor.

A cobra Suaçuboia, ou cobra-de-veado ou jararaca-do-igapó, que dá nome ao projeto (Foto: Daniel Brandão/A CRÍTICA)
O projeto
Falar sobre as cobras é algo que o projeto Suaçuboia faz há quatro anos com muito empenho. Ele surgiu com o foco pela pesquisa acadêmica no Instituto Federal do Amazonas, o IFAM, e ultrapassou os limites do estado. Com o apoio da ONG canadense Save The Snakes, realizou nesta terça-feira o primeiro evento da entidade norte-americana na Amazônia. Além disso, o projeto também atua em ações em municípios como Tefé, especialmente junto das comunidades ribeirinhas, para expandir o conhecimento técnico e aliar ao empírico.
Segundo a coordenadora do Suaçuboia, Alessandra Rodrigues, o papel que as serpentes desempenham para o equilíbrio ecológico precisa ser reconhecido e protegido, como a função de controle do número da população de outros animais. Por outro lado, elas também são essenciais para o desenvolvimento do conhecimento humano, uma vez que muitas delas estão presentes em estudos na criação de remédios, por exemplo.
“Para controle de pressão, por exemplo, o remédio foi desenvolvido a partir de toxinas de cobras. A gente fala e pensa sobre elas dentro da floresta, mas também sobre sua contribuição para a biotecnologia”, explicou a coordenadora.