Djalma Batista: onde os opostos se completam
Avenida que une moderno ao tradicional vai ganhar nova 'cara'
Comer um lanche ou café da manhã na praça, tomar sopa com os filhos, comprar farinha e carne no mercado municipal, além das casas antigas que sofrem adaptações ao decorrer das décadas. Com características típicas de uma rua de bairro tradicional de Manaus, a avenida Djalma Batista se prepara para se transformar na “avenida Paulista” amazonense. A partir do próximo mês, uma das principais vias da cidade começará a ser revitalizada e corre o risco de perder o antagonismo que a transforma em um lugar especial.
Localizado no primeiro dos quatro quilômetros da avenida avenida , o mercado municipal Dorval Porto “vê de perto” as mudanças da via. Presente diariamente em 20 dos 50 anos de existência do mercado, a comerciante Tereza Carvalho lembra o passado com saudades. “Cheguei aqui no último ano em que teve carnaval na rua, era um barato! As pessoas usavam o mercado como ponto de encontro. Hoje em dia ainda vem muita gente, mas nada comparado ao movimento daquela época”, disse.
Tereza é uma das clientes do aposentado Francisco da Costa, feirante do mercado há 38 anos. Ele paga R$ 20 por mês pelo box que ele mantém na feira. O espaço é considerado referência para os amantes de uma boa farinha e de feijão. “A farinha ‘tá’ muito cara e para não perder o cliente a gente inventa coisas, né? Eu dividi o peso da farinha e agora tenho sacos com preços que variam entre R$ 5 e R$ 16 e fica mais fácil deles continuarem levando”, disse.
A economia do mercado sobrevive a três shoppings centers, e todos eles contam com grandes supermercados entre as principais lojas. Os estabelecimentos comerciais contabilizam centenas de visitas diárias de pessoas atraídas por lojas com marcas internacionalmente conhecidas e salas de cinemas prontas para atender públicos de todas as idades.
Próximo ao Mc Donalds, uma das principais redes redes de alimentos de fast food no mundo, o café da dona Nazaré Gomes permanece montado na praça. Formada em assistência social e com curso de pós-graduação no currículo, ela conta que encontrou no lanche uma forma de sobreviver à falta de espaço no mercado de trabalho. “Eu criei a minha filha só com o meu trabalho aqui. Hoje ela tem 18 anos e cursa Direito em uma faculdade particular. É daqui que eu tirei dinheiro para fazer a reforma da minha casa, comprar um carro e me manter”, afirmou.
Às margens da via ainda há drogarias, lojas de times de futebol, bares, cursos pré-vestibular, universidades, salões de beleza e até agência de detetive. Todos aguardam o futuro que virá com a transformação transformação da avenida que faz parte do percurso de várias pessoas diariamente.