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A Crítica
Manaus

Em Manaus, Dia de São Francisco é marcado por humanismo e caridade com almoço

Igreja de São Francisco das Chagas, na Colônia Oliveira Machado, ofereceu almoço comunitário para carentes, como pessoas em situação de rua, relembrando discurso humanitário do santo

Publicado em 05/10/2018 às 00h07 · Atualizado em 12/03/2022 às 16h39
Em Manaus, Dia de São Francisco é marcado por humanismo e caridade com almoço
Foto: A auxiliar de cozinha Francisca Ralcherles, que garantiu seu almoço e de mais três filhos no almoço do Dia de São Francisco / Fotos: Jair Araújo

Neste 4 de outubro, Dia de São Francisco, santo protetor dos animais, da natureza, propagador da paz, da humildade, do bem e do serviço a favor do irmão e de toda criação de Deus foi celebrado de uma forma bastante humanitária: a paróquia dedicada ao santo, localizada no bairro da Colônia Oliveira Machado, Zona Sul, organizou um almoço coletivo para famílias carentes da cidade, entre eles pessoas em situação de rua.

A iniciativa é realizada há seis meses, sempre no dia 4 de cada mês, explica o padre Geraldo Bendaham, pároco da Igreja de São Francisco das Chagas. E, desta vez, coincidiu com a data em homenagem a um dos santos mais populares da Igreja Católica onde, segundo a crença, fez votos de pobreza e herdou as chagas de Jesus Cristo pregado na cruz.

O pároco da Igreja de São Francisco das Chagas, Geraldo Bendaham / Foto: Jair Araújo

“As pessoas que vieram almoçar aqui são os verdadeiros Franciscos, os outros Franciscos, e trazem graves problemas: perderam famílias, não têm casa, moram na rua. São ‘sobras’ da sociedade, uma realidade concreta, mas que torna-se invisível para a sociedade”, disse o padre Geraldo Bendaham, pároco da Igreja de São Francisco das Chagas.

Algumas pessoas já trazem as chagas no nome, como o carregador de mercadorias do Porto de Manaus, Marcelo Chagas, 37. No seu caso, a pobreza se reflete na moradia: ele está em situação de rua, e aproveitou para vir almocar um suculento tambaqui frito com arroz, feijão e farofa, com refrigerante e água de acompanhamento.

“Não tenho palavras para falar, atos assim são sem explicação”, disse ele, emocionado e natural de Castanhal (PA). “Fui parar na rua por buscar diversão nas drogas e bebidas. É a terceira vez que eu venho almoçar aqui”, detalha Chagas.

Francisca

Com nome do santo, a auxiliar de cozinha Francisca Ralcherles Souza Sena, 38, trouxe os filhos de 8 e 9 anos e um de 11 meses para almoçar. Mais dois deles, ambos de 17 anos, ficaram em casa.

“Para mim foi a melhor coisa que eles fizeram pois muitas pessoas não tem nada para comer em casa. Nem todos os dias temos essa comida. Hoje eu estou de folga e trouxe as crianças. É uma doação nota 1000”, comentou ela, moradora da própria Colônia Oliveira Machado.

Cerca de 100 pessoas almoçaram no evento realizado hoje / Foto: Jair Araújo

Francisca já foi devota de São Francisco, depois passou a frequentar igrejas evangélicas e hoje não tem uma religião definida. Curiosamente, ela tem dois irmãos que tem o nome do santo franciscano, herança da mãe, esta, sim, devota fervorosa dele.

Assim como nos versos da conhecida oração de São Francisco, quem foi no almoço encontrou verdade e esperança: “Onde houver erro, que eu leve a verdade / Onde houver desespero, que eu leve a esperança / Onde houver tristeza, que eu leve a alegria / Onde houver trevas, que eu leve a luz”.

Frase

“Os que vieram almoçar aqui são os verdadeiros Franciscos, os outros Franciscos, e trazem graves problemas”, diz Padre Geraldo Bendaham, pároco da Igreja de São Francisco das Chagas.

Blog: Padre Geraldo Bendaham, pároco da Igreja de São Francisco das Chagas

“São Francisco viveu a experiência cristã do Evangelho. Sua vida, na sua época, já foi uma inspiração, e até hoje continua inspirando por exemplo pessoas da ecologia, cientistas, crentes e que professam inclusive outras religiões. Hoje, mais de 800 anos, continuamos a olhar para Francisco porque ele foi pessoa extremamente apaixonada pelo mundo, numa visão integral. Isso é muito imporante. Hoje tende-se a se fragmentar a realidade. Francisco olhou de forma integral e global. Por exemplo, quando ele estabeleceu uma visão universal dizendo: “Irmão Sol, irmã Lua, irmão Água”. Foi o amor à criação, tanto que ele tem o ‘Cântico das Criaturas’, onde canta o louvor à toda a natureza, especialmente às pessoas. E ele abraçou o leproso, pra dizer que abraça os excluídos. Francisco é um caminho de fé, de amor, mas também de amor à criação”.