Em protesto, estudantes ocupam prédio dos cursos de Artes e Turismo da UEA
Os ocupantes protestam contra a PEC 55 e os cortes que a Universidade do Estado do Amazonas vem sofrendo nos últimos anos
Estudantes dos cursos de artes da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) ocuparam no início da tarde desta quinta-feira (10) a sede da Escola Superior de Artes e Turismo, localizada avenida Leonardo Malcher, 1.728, bairro Praça 14 de Janeiro, na Zona Sul de Manaus. O ato é uma forma de repúdio contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 55/2016) que limita os gastos públicos pelos próximos 20 anos à correção da inflação do ano anterior. Os ocupantes também protestam contra os cortes que a UEA vem sofrendo nos últimos anos, os salários atrasados de alguns funcionários e a precariedade da infraestrutura do prédio.
De acordo com o estudante de Teatro Leonardo Scantbelruy, 21, há algumas semanas foram feitas assembleias para essa mobilização. “Dessas reuniões foram trazidas pautas que nos atingem, como os cortes que a instituição está sofrendo, salários atrasados de alguns funcionários e a precariedade da nossa infraestrutura. Nas assembleias tivemos bastante adesão dos alunos nas últimas reuniões e por isso, juntos, resolvemos ocupar a Esat. A partir de hoje iremos pernoitar no prédio por tempo indeterminado”, declarou.
“Pretendemos sair somente quando tivermos uma parecer mais concreto ou quando acontecer a votação da PEC que está prevista para ocorrer no Senado na primeira semana do mês de dezembro”, acrescentou.
Segundo o estudante de Teatro Klindson Cruz, 24, ocupar é necessário e a classe artística do Amazonas precisa também se mobilizar contra a PEC 55. “A gente levou um tapa na cara dos secundaristas de todo o Brasil que estão ocupando as escolas. Já são mais de mil escolas ocupadas. Então, por que não fazer isso aqui no Amazonas? Por que a arte não estava se mobilizando? Foi com este desejo que estamos aderindo também essa ocupação, mas não com o intuito de prejudicar as pessoas, porque vamos ter aulões e oficinas. […] A nossa ocupação é muito artística e o momento é de mostrar que a arte não é entretenimento, por isso estamos aqui ocupando, resistindo, dando a nossa voz e o nosso grito”, disse.
Sobre a PEC 55, Scantbelruy explicou que a proposta de congelamento por 20 anos dos gastos acarreta graves consequências para a sociedade como um todo. “Ela propõe 20 anos de congelamento, sendo que os dez primeiros não há possibilidade de reajuste na questão de investimento para a Saúde e a Educação. Tiramos por parâmetro como está agora, a Educação e a Saúde estão sendo geridas pessimamente por mãos que não priorizam essas vertentes, sem consulta pública, sem reuniões, sem a adesão dos profissionais da Educação, sem o consentimento dos estudantes, aqueles que são afetados diretamente pelas manobras do governo. O nosso intuito é fazer que as pessoas saibam e discutam sobre a PEC, que se conscientizem sobre a problemática disso”, explicou.
Cerca de 80 estudantes – de Turismo, Teatro e Dança – já aderiram ao movimento de ocupação nesta quinta-feira (10), mas o número continua aumentando. Toda a programação da ocupação está sendo preenchida com ações informativas e artísticas, tendo assembleias, apresentações de espetáculos e performances. A programação completa e informes estão disponíveis na página “Ocupa Esat” “Ocupa Esat” no Facebook.
Posicionamento
Em nota, a assessoria de imprensa da UEA informou que as aulas continuam e que está assegurado o acesso aos que desejarem participar de qualquer movimento pacífico, além do livre acesso às atividades acadêmicas sem qualquer restrição ou constrangimento, respeitando o direito constitucional e democrático, seja de participar de qualquer manifestação, seja de assegurar as aulas e atividades acadêmicas previstas em calendário aprovado pelo Conselho Universitário da UEA. A instituição também garante a preservação do patrimônio público nas dependências da UEA ou fora delas.
Ainda no documento, a UEA destaca que a gestão superior respeita toda e qualquer manifestação que eleve o debate político. Além disso, está atenta e trabalhando diuturnamente para manter as conquistas obtidas pela comunidade acadêmica somada por docentes, discentes e técnicos-administrativos. Também assegura que não há um único dia de salário atrasado e a Gratificação de Produtividade Acadêmica (GPA) encontra-se mantida e paga ininterruptamente nas datas previstas, desde o primeiro dia desta gestão até a presente data, a despeito da crise econômica nacional e estadual.