Manaus dom, 8 nov
A Crítica
Manaus

Em votação apertada, professores da Ufam decidem não entrar em greve

Foram 115 votos contrários à greve e 102 a favor da paralisação, que seria protesto contra a PEC 55 e a Reforma do Ensino Médio

Publicado em 24/11/2016 às 20h45 · Atualizado em 12/03/2022 às 18h22
Em votação apertada, professores da Ufam decidem não entrar em greve

Em uma votação apertada, os professores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) decidiram não entrar em greve. Foram 115 votos contrários à greve e 102 a favor da paralisação.

Contando apenas a votação em Manaus, foram 78 votos contra a greve e 65 a favor da paralisação. Além de Manaus, foram registrados votos em Humaitá, Benjamim Constant e Parintins. Itacoatiara e Coari não tiveram os votos registrados porque não enviaram em tempo hábil.

Esta foi a primeira vez que os professores da Ufam deliberaram um pedido de greve desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou legítimo que os órgãos cortem o ponto de servidores público em greve, permitindo a suspensão imediata dos salários dos servidores, tal qual ocorre na iniciativa privada.

No momento do anúncio do resultado, houve comemoração por parte dos professores que votaram contra a greve, e uma manifestação contrária de um grupo de alunos que apoiava a greve dos professores.

“Foi uma vitória da democracia, porque tem muito professor a favor da greve, e tem muito professor a favor da mobilização mas contra a greve, que é o nosso caso. Nós queremos um novo modelo de mobilização. A gente não precisa parar a aula para se mobilizar. A gente pode falar sobre nossas demandas, nossos anseios, mas sem parar as aulas, porque no final das contas os prejudicados são os nossos alunos e nós não queríamos isso”, afirmou Kátia Geraldi, do curso de Ciências Farmacêuticas. Para ela, a decisão vai fortalecer as mobilizações. “Isso uniu a gente. Porque eles queriam mobilização com greve e nós queremos mobilização sem greve. Então eles ganharam a mobilização e nós vamos poder continuar dando aula, então está tudo certo”, analisou a docente, afirmando que agora a categoria está unido. “Se tudo que foi falado aqui for cumprido, agora nós somos uma categoria só lutando pela mesma coisa: dando aula e lutando pelo direito à educação”.

Na análise da presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua), Guilhermina Terra, não houve perdedores. Ela, que era favorável à greve, afirmou que a mobilização irá continuar independente da greve. “A gente entende que esse processo seria importante para fortalecimento da futura greve geral, para realmente lutarmos a favor da categoria trabalhista, mas como quem manda é a nossa base e estamos em um processo democrático, temos que aceitar. Mas nós não perdemos, porque é de comum acordo que iremos continuar com as mobilizações, isso que é importante. Todos os docentes estão empenhados a lutar contra as medidas do governo. Isso para a gente é positivo”, avaliou ela.

A greve nacional proposta era para marcar posicionamento contrário à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55/2016 – que limita por 20 anos os gastos primários – e contra a Medida Provisória (MP) 746/2016 – que trata da reforma do Ensino Médio. Em âmbito nacional, o Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) já instalou o Comando de Greve nesta quinta-feira, contando com a adesão de boa parte das universidades federais e também estaduais.

*Inicialmente, o placar da votação foi publicado com erro. A correção foi feita às 18h08.