Em votação apertada, professores da Ufam decidem não entrar em greve
Foram 115 votos contrários à greve e 102 a favor da paralisação, que seria protesto contra a PEC 55 e a Reforma do Ensino Médio
Em uma votação apertada, os professores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) decidiram não entrar em greve. Foram 115 votos contrários à greve e 102 a favor da paralisação.
Contando apenas a votação em Manaus, foram 78 votos contra a greve e 65 a favor da paralisação. Além de Manaus, foram registrados votos em Humaitá, Benjamim Constant e Parintins. Itacoatiara e Coari não tiveram os votos registrados porque não enviaram em tempo hábil.
Esta foi a primeira vez que os professores da Ufam deliberaram um pedido de greve desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou legítimo que os órgãos cortem o ponto de servidores público em greve, permitindo a suspensão imediata dos salários dos servidores, tal qual ocorre na iniciativa privada.
No momento do anúncio do resultado, houve comemoração por parte dos professores que votaram contra a greve, e uma manifestação contrária de um grupo de alunos que apoiava a greve dos professores.
“Foi uma vitória da democracia, porque tem muito professor a favor da greve, e tem muito professor a favor da mobilização mas contra a greve, que é o nosso caso. Nós queremos um novo modelo de mobilização. A gente não precisa parar a aula para se mobilizar. A gente pode falar sobre nossas demandas, nossos anseios, mas sem parar as aulas, porque no final das contas os prejudicados são os nossos alunos e nós não queríamos isso”, afirmou Kátia Geraldi, do curso de Ciências Farmacêuticas. Para ela, a decisão vai fortalecer as mobilizações. “Isso uniu a gente. Porque eles queriam mobilização com greve e nós queremos mobilização sem greve. Então eles ganharam a mobilização e nós vamos poder continuar dando aula, então está tudo certo”, analisou a docente, afirmando que agora a categoria está unido. “Se tudo que foi falado aqui for cumprido, agora nós somos uma categoria só lutando pela mesma coisa: dando aula e lutando pelo direito à educação”.
Na análise da presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua), Guilhermina Terra, não houve perdedores. Ela, que era favorável à greve, afirmou que a mobilização irá continuar independente da greve. “A gente entende que esse processo seria importante para fortalecimento da futura greve geral, para realmente lutarmos a favor da categoria trabalhista, mas como quem manda é a nossa base e estamos em um processo democrático, temos que aceitar. Mas nós não perdemos, porque é de comum acordo que iremos continuar com as mobilizações, isso que é importante. Todos os docentes estão empenhados a lutar contra as medidas do governo. Isso para a gente é positivo”, avaliou ela.
A greve nacional proposta era para marcar posicionamento contrário à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55/2016 – que limita por 20 anos os gastos primários – e contra a Medida Provisória (MP) 746/2016 – que trata da reforma do Ensino Médio. Em âmbito nacional, o Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) já instalou o Comando de Greve nesta quinta-feira, contando com a adesão de boa parte das universidades federais e também estaduais.
*Inicialmente, o placar da votação foi publicado com erro. A correção foi feita às 18h08.