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Escola Barão do Rio Branco celebra 120 anos como patrimônio da educação amazonense

Fundada em 1905 e tombada como patrimônio histórico, instituição no Centro de Manaus une tradição e inovação ao formar novas gerações, incluindo alunos refugiados.

Publicado em 30/09/2025 às 19h02
Escola Barão do Rio Branco celebra 120 anos como patrimônio da educação amazonense
Foto: Nilton Ricardo/A CRÍTICA

Fundada em 1905 e tombada como patrimônio histórico do Amazonas, a Escola Estadual Barão do Rio Branco comemora nesta terça-feira (30) 120 anos de história. Localizada na Avenida Joaquim Nabuco, no Centro de Manaus, o colégio atravessou gerações, formando milhares de alunos, que guardam na memória grandes momentos vividos ali. Hoje, a escola busca unir tradição e inovação para atender a uma comunidade escolar diversa.

A manauara Maria de Fátima Cantinho Coelho, de 72 anos, é assistente administrativa e trabalha na escola há 37 anos. Funcionária mais antiga da Barão do Rio Branco, ela testemunhou grande parte da história recente.

“Quando cheguei, em 1988, encontrei uma mesa enorme cheia de processos empoeirados. A diretora da época, Rosimeire Maciel, me perguntou se eu topava arrumar tudo, e respondi que não estava ali para vender beleza, e sim para trabalhar. Arrumamos a escola toda”, conta.


Maria de Fátima Cantinho Coelho, 72, assistente administrativa há 37 anos e funcionária mais antiga da escola. (Foto: Nilton Ricardo/A CRÍTICA)

Nos corredores e salas do prédio histórico também já passaram nomes conhecidos de muitos manauaras. O atual secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Serafim Corrêa, ex-vereador, deputado estadual e prefeito de Manaus, estudou na Barão do Rio Branco entre 1954 e 1958, e cita outros colegas da época.

“Tenho boas memórias: eu, Renato Telles, Marcos Barros, Francisco Marinho, Leopoldo Krichanã, Jorge Elias e tantos outros colegas que já não estão mais conosco. O grupo escolar Barão do Rio Branco deu os primeiros ensinamentos a muitos ilustres amazonenses, como por exemplo o senador Jefferson Peres, que morava bem pertinho, na rua Huascar Figueiredo”, relembra Serafim.


Equipe de professores e funcionários da Barão do Rio Branco: dedicação e compromisso que atravessam gerações. (Foto: Nilton Ricardo/A CRÍTICA)

Apesar das modificações de nomes e prédio, além do estabelecimento oficial do ano de 1905 como data oficial de fundação da escola, que aconteceu somente em 1983, o colégio tem uma trajetória que começa com as Escolas Complementares Masculina e Feminina, unificadas em 1907 como Escola Complementar Mista. Em 1919, recebeu o nome de Grupo Escolar Barão do Rio Branco, em homenagem ao diplomata José Maria da Silva Paranhos Júnior.

Desde 1943, a escola ocupa o prédio histórico na Avenida Joaquim Nabuco, que já funcionou também como residências e consulado, e foi tombado como patrimônio estadual em 1988.

Transformações

À frente da escola há pouco mais de um ano, o diretor Álisson Thiago Barbosa destaca que o colégio passou por diversas modificações ao longo do tempo. Um marco recente foi aumento de alunos refugiados, principalmente venezuelanos, desde o início da pandemia.


Estrutura interna da Barão do Rio Branco, que mantém viva a memória centenária e se adapta às novas demandas da comunidade escolar. (Foto: Nilton Ricardo/A CRÍTICA)

Atualmente, a escola atende apenas alunos do Ensino Fundamental I, do 1º ao 5º ano, com 325 estudantes, sendo 125 venezuelanos. Segundo o diretor, esse cenário impacta diretamente na alfabetização.

“Percebemos que algumas famílias não conseguiam acompanhar a vida escolar por causa da barreira da língua. Então passamos a produzir comunicados bilíngues, em português e espanhol, inclusive nas redes sociais. Isso aproximou os pais da escola e fortaleceu a participação da comunidade”, destacou Thiago.


O diretor Álisson Thiago Barbosa, à frente da Barão do Rio Branco há pouco mais de um ano, destaca o papel da escola na inclusão de estudantes venezuelanos. (Foto: Nilton Ricardo/A CRÍTICA)

Dedicação dos professores

A professora Maria das Graças, de 76 anos, leciona Língua Portuguesa e Matemática há mais de 30 anos. Durante essas décadas de magistério, ela afirma que a maior emoção é ver um aluno aprendendo a ler. Com metade da vida dedicada à educação, ela fala com entusiasmo sobre seu trabalho com crianças e alunos refugiados na Barão do Rio Branco.

“Trabalhar com crianças que não sabem ler e vê-las lendo ao meu lado é lindo. Já chorei com crianças porque elas choravam ao aprender a ler. É o sonho delas, e eu posso ajudá-las a realizá-lo. Eu falo espanhol, então ao alfabetizar digo ‘ventana’ e ‘janela’ ao mesmo tempo, e eles se admiram. É gratificante ver essa troca cultural e linguística”, disse.


A professora Maria das Graças, 76, que há mais de três décadas alfabetiza crianças e acompanha alunos refugiados na instituição. (Foto: Nilton Ricardo/A CRÍTICA)

O professor Josué Marques Pereira, de 60 anos, natural de Urucará e professor de Matemática há décadas, também compartilhou o seu orgulho de fazer parte da história da escola.

“Passei seis meses para ser efetivado no estado e fui lotado aqui, no Barão do Rio Branco. É um privilégio estar entre colegas e professores dedicados, contribuindo para a educação de tantas crianças. Me sinto parte de uma família que faz história nesta escola, que é uma das melhores do estado”, afirmou.

Com uma história centenária, a Barão do Rio Branco quer continuar sua trajetória mantendo vivas as tradições e incorporando inovações que garantam uma educação inclusiva e conectada com a nova realidade da comunidade escolar. “Dar esperança para alunos, famílias e profissionais”, segundo o diretor Thiago, continua sendo o lema da escola, que segue formando cidadãos e preservando a memória de gerações.


Funcionários da Escola Barão do Rio Branco reunidos na escadaria do prédio histórico (Foto: Nilton Ricardo/A CRÍTICA)