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A Crítica
Manaus

Fieam leva crise do setor de ar-condicionados para Alckmin

Setor busca flexibilizar obrigações do PPB após desabastecimento de compressores, essenciais para produção dos aparelhos na ZFM

Publicado em 30/09/2025 às 15h45
Fieam leva crise do setor de ar-condicionados para Alckmin
Foto: Divulgacao/fieam

A Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) levou a crise que vem atingindo o setor de ar-condicionados à Confederação Nacional da Indústria (CNI) e ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) nesta terça-feira (30). A insuficiência de compressores inverter, componente essencial do produto, vem atingindo o segmento localizado na Zona Franca de Manaus (ZFM) desde março, conforme informações da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros).

O presidente da Fieam, Antônio Silva, informou à diretoria da CNI e ao vice-presidente Alckmin, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), sobre a grave situação que envolve as fábricas sediadas o Polo Industrial de Manaus (PIM), as quais estão sob o risco de terem que parar suas atividades.

Ao lado do presidente da Eletros, Jorge Nascimento Júnior, Silva reiterou o pleito da indústria pela flexibilização do processo produtivo básico (PPB) para ar-condicionados, que atualmente prevê que as fabricantes do produto devam incluir compressores nacionais em ao menos 12% de sua produção total no ano, a fim de manter os incentivos fiscais.

O setor vem reclamando, no entanto, que a única fabricante do compressor inverter no país, a Tecumseh do Brasil, não tem conseguido suprir a alta demanda do produto, arriscando provocar uma paralisação nas linhas de produção.

“Não podemos aceitar que um setor inteiro fabricante de ar-condicionado fique refém da incapacidade de um único fornecedor de compressores. O Amazonas e o Brasil precisam de uma política industrial que assegure competitividade, previsibilidade e condições reais de produção. Essa é a voz da indústria amazonense que levamos hoje ao vice-presidente Geraldo Alckimin”, afirmou o presidente da Fieam.


 

O pleito da indústria era pela suspensão da obrigação de se adquirir compressores nacionais ou, pelo menos, estabelecer um percentual que seja compatível com a real capacidade de produção da Tecumseh. O MDIC chegou a abrir uma consulta pública voltada ao tema, que se encerrou na última semana com a decisão de prorrogar as obrigações para 2026, acumulando exigências não cumpridas nos últimos dois anos.

Segundo a Fieam, é a segunda vez que o ministério precisa alterar as regras devido à falta de capacidade da fornecedora em atender as fabricantes, provocando instabilidade e insegurança jurídica. O vice-presidente Geraldo Alckmin reconheceu a gravidade do problema e se comprometeu a avaliar questão de forma urgente.

Hoje, graças à Zona Franca de Manaus, o Brasil é o segundo maior polo produtor de ar-condicionados do mundo, ficando atrás apenas da China. Em entrevista para A CRÍTICA no final de agosto, Jorge Júnior destacou que o gargalo criado pelo desabastecimento de compressores impõe um grave risco ao modelo, podendo fazer com que as empresas deixem o país caso percam seus incentivos fiscais.