Homicídios sobem 17,6 % no primeiro semestre na cidade de Manaus
Disputas e rachas entre as facções são apontadas pelas autoridades como o fator do aumento
Com uma média de três mortes violentas por dia nos seis primeiros meses, 2017 já supera o ano de 2016 em relação ao mesmo período do ano passado em Manaus. Foram 521 mortes entre homicídios e latrocínios registrados de janeiro a junho. No mesmo período do ano passado foram 443 mortes. O crescimento é de 17,6%.
Para o comandante geral da Polícia Militar, David Brandão, o aumento dos homicídios está diretamente ligado ao massacre da primeira semana do ano em presídios da cidade – quando 67 presos foram mortos, seguido pela fuga em massa de detentos do sistema prisional. Só no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) foram 59 mortos em 1º de janeiro, sendo que o número incial era 56, mas posteriormente foram encontrados mais três corpos de detentos.
Em maio deste ano mais uma vez o sistema prisional do Amazonas foi destaque nas páginas de polícia. Seis detentos da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP) foram mortos dentro das celas onde eles permaneciam presos em regime fechado.
Apesar de expressivas, essas mortes no sistema carcerário não entram no total de 521 homicídios e latrocínios registrados.
Guerra e ações
Desde março deste ano, a Zona Sulda cidade tem sido destaque pelos crimes de homicídio. Os crimes estão diretamente ligados à disputa pelo domínio do tráfico naquela área, que é considerada um dos berços da facção criminosa do Amazonas, a Família do Norte (FDN).
“Desde que os líderes da facção romperam, os soldados do tráfico começaram uma disputa para ver quem irá tomar conta daquela zona e a forma que eles encontraram para isto foi eliminar os concorrentes tirando a vida deles. Instalou-se uma verdadeira guerra, mas já identificamos os principais envolvidos neste crime organizado e só sossegaremos quando prendermos todos”, ressaltou o diretor do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), Guilherme Torres.
O aumento no número das mortes têm mobilizado as polícias. “Temos uma equipe de inteligência que está trabalhando para inibir tais registros. Por exemplo, desde março temos registros que os homicídios na zona Sul aumentaram e após um levantamento de inteligência fizemos inserções nos bairros daquela zona e conseguimos um bom resultado, uma vez que as mortes diminuíram naquela localidade”, disse o delegado-geral adjunto, Ivo Martins.
Para o segundo semestre, a PM está investindo em operações e na presença de policiais em áreas onde a mancha criminal é maior.
Ano da guerra entre facções
“Estamos trabalhando com uma realidade diferente dos outros anos, pois desde o início do ano instaurou-se uma guerra entre as facções. Iremos continuar combatendo estes crimes e trazer a paz ”, disse David Brandão.
Blog: Sérgio Fontes, secretário de Segurança
Trabalhamos com as consequências da briga entre facções criminosas que ocorrem dentro e fora dos presídios basicamente por mais territórios e áreas de influência. A esmagadora maioria das execuções tem relação direta com essa disputa. O objetivo é desarticular essas organizações criminosas por meio de grandes apreensões de drogas e a prisão de todos os seus líderes.