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A Crítica
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Idosos se reinventam e tecnologia vira nova ‘parceira’ na pandemia

Para ‘encurtar’ a distância dos filhos e netos, por conta da pandemia do novo coronavírus, idosos que estão em isolamento social utilizam algumas ferramentas para matar a saudade da família, conversar, brincar e até assistir filmes

Publicado em 01/02/2021 às 12h23 · Atualizado em 09/03/2022 às 08h54
Idosos se reinventam e tecnologia vira nova ‘parceira’ na pandemia
Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

Os idosos estão cada vez mais se rendendo as tecnologias. O acesso as redes sociais e outras ferramentas de comunicação se intensificou devido a pandemia da Covid-19, já que foi preciso manter o distanciamento social. Para os mais velhos, o celular se tornou indispensável seja para o trabalho em casa ou para matam a saudade dos filhos e netos distantes.

A mudança de rotina surgiu para o professor universitário, Anízio de Araújo, 66 anos, ainda no início da pandemia. Ele precisou se adaptar ao ensino a distância e a usar ferramentas de videoconferência o que antes não era necessário.

“Estou em casa desde o dia 17 de março desenvolvendo atividades por meio da tecnologia. Tivemos de nos adaptar e usar o Zoom e até mesmo o WhatsApp para repassar o conteúdo. É por meio desse aplicativo que faço a maioria das aulas”.

A pastora, Ivana Lima Cavalcante, 61 anos, chega a distribuir 300 mensagens de apoio ao dia para quem necessita de ajuda espiritual. É por meio do WhatsApp que ela dissemina as mensagens de esperança, por que não pode se deslocar até os hospitais para fazer a ação. Pela internet, ela atende pessoas de outras partes do Brasil e até de outros países como Alemanha, Estados Unidos, Suíça e Espanha.

“Não está sendo fácil ficar trancada dentro de casa. O que está me fazendo aguentar é que não parei de receber ligações do Brasil e do exterior solicitando a minha ajuda. Eu trabalho 24 horas por dia enviando mensagens de esperança no Facebook e Whatsapp, pois muitas dessas pessoas chegaram quase a enlouquecer por conta da pandemia. Com a tecnologia, eu cheguei em lugares que eu nem pensei chegar”.

Além de servir para o trabalho, ela comenta que o celular é fundamental para as transações bancárias e é assim que ela consegue comprar os mantimentos para casa com segurança. “Eu comecei a usar o PIX. É muito prático, você ganha tempo, não precisa ficar dentro de banco. Fico feliz que hoje através de tecnologia, eu consigo acessar minha conta bancária em qualquer lugar”, conta ela que, atualmente, mora sozinha.

A Saudade dos Netos

A pedagoga aposentada, Maria Amazônia Cavalcante, 71 anos, mais conhecida como “Zoca”, faz videochamadas para se aproximar dos dois netos. Ela mora com o marido, os dois mantêm o isolamento social e seguem distante dos parentes.

“Sou muito agarrada nos meus netos, de eles passarem o final de semana aqui comigo, de dormirem comigo, e de repente veio isso e nos separou brutalmente. E aí como eu estou em isolamento e isso mexeu muito com a minha cabeça por que me deparei com a solidão”, afirmou.

“Eu consigo matar a saudade dos meus netos pelas videochamadas. A gente tem até assistido filmes juntos. Eles assistem lá e eu aqui e depois a gente comenta sobre o filme”, brincou a idosa.

A intenção dela é aprender a jogar com o neto pela internet. “Com o meu neto, ele joga vídeo game, a minha missão agora é aprender o jogo para jogar com ele. Ele me mandou um manual, eu estou lendo e vamos ver no que vai dar”. Quanto a saudade, ela destacou que a internet pode ajudar, no entanto, não substitui a presença física. “É muito bom, mas não é igual ao presencial. A gente tem saudade mesmo é do abraço”, finalizou.