Lei das sacolas plásticas gera crise na indústria, que prevê demitir 30% dos funcionários
Vereadores articulam mudanças na lei municipal que proibiu distribuição das sacolas plásticas na capital. Sindicato das Indústrias de Material Plástico de Manaus (Sinplast) pede 'previsibilidade'
Com a proibição de distribuição gratuita de sacolas em supermercados de Manaus, por causa da lei municipal que entrou em vigor na última sexta-feira, as 12 fábricas que fornecem o produto aos mercados da cidade já projetam demissão de 30% de funcionários.
Segundo o diretor do Sindicato das Indústrias de Material Plástico de Manaus (Sinplast), Paulo Abreu, os fabricantes dessas sacolas atualmente empregam cerca de 700 funcionários. Ele explica que a lei que proíbe a distribuição das sacolas de plástico, vai afetar o faturamento e também a produção do setor.
O empresário reclamou que antes da aprovação da lei a Câmara Municipal de Manaus e nem os vereadores proponentes da lei fizeram contato com o setor a fim de entender os impactos da legislação no setor de plástico.
“Se vota uma lei com 100% de aprovação que é esdrúxula. Não tem decisão unilateral no mercado ou ela atinge a todos ou não atinge ninguém. O número de empresas plásticas no estado é 249, quando se fala em 30% é de funcionários que produzem só sacolas”, criticou.
Abreu registrou que ainda não existem números precisos e disse que ainda é necessário esperar ao menos 60 dias para saber se a projeção de redução de rendimento do mercado de sacolas vai provocar as demissões previstas.
Ainda conforme o diretor do Sinplast, o movimento de proibir as sacolas é irreversível, mas ele cobra que a lei tenha previsibilidade e que a Prefeitura de Manaus conscientize a população a respeito do descarte apropriado do plástico.
“Não espero nada excepcional. É simplesmente para apagar aquela imagem negativa de uma decisão imprópria. Dentro de seis meses o setor já vai estar bem ‘estruturadinho’ e vai dar para a gente conversar”, finalizou,
Está previsto para amanhã (6), a votação de uma emenda do vereador líder do prefeito Marcelo Serafim (PSB) à lei 485/2021 da vereadora Glória Carrate (PL), aprovada em abril, que proibiu a distribuição das sacolas.
A emenda não vai vetar a venda e distribuição de sacolas de plásticos. No prazo de até 180 dias (seis meses), a lei vai abarcar os mercados menores e conforme explicou o vereador , até 31 de dezembro de 2023, todas as sacolas plásticas serão proibidas.
“As biodegradáveis podem ser distribuídas. Não haveria problema na distribuição das sacolas biodegradáveis. As sacolas plásticas que estão sendo vendidas, devem ser comercializadas no limite do seu custo. Não pode ter sacola sendo vendida a cinquenta centavos”, explanou Marcelo Serafim.