Manauaras sofrem com a degradação e o esquecimento de espaços de convivência
Cidade já não dispõe mais de 'points' públicos como o Parque Residencial Jefferson Peres e o Largo Mestre Chico
O abandono de praças e parques da cidade é uma triste realidade na capital amazonense. Logo que inaugurados, os espaços de convivência viram pontos de encontro de casais apaixonados, pessoas praticam exercícios físicos e levam os animais para passear, mas com o passar dos meses, aliado ao descaso dos órgãos públicos e a ação de vândalos, eles acabam sujos e e entram em decomposição.
Inaugurada em dezembro de 2009, a praça do Bombeamento, na avenida Padre Agostinho Caballero Martin, na Compensa, não lembra em nada o espaço público que atraia famílias diariamente. Moradores reclamam do abandono e afirmam que o espaço deixou de ser local de recreação e passou a ser considerada área vermelha.
A dona de casa Maria do Carmo da Silva, 62, atribui a destruição da praça à falta de manutenção por parte dos órgãos públicos e ações de adolescentes que expulsam os antigos freqüentadores. “Se você vier aqui no fim da tarde vai ver estudantes usando drogas e destruindo o pouco de estrutura que se mantém de pé. Essas atitudes afastam as pessoas”, contou.
A praça está com a quadra de esportes deteriorada, o mato alto, o lago virou lixeiro e os bancos estão em estado de miséria. Segundo o universitário Tony Oliveira, 19, a praça não passa por obras de manutenção há mais de três anos e os jovens não tem mais lugar para passear e fazer atividades físicas.
“A praça antes era bastante frequentada, movimentada e animada, mas toda essa alegria deu lugar a outras coisas. Eu mesmo já vi pessoas transando de dia em baixo das árvores, na quadra, não podemos nem passar lá por dentro”, disse.
Os moradores do entorno da praça afirmaram que até solicitaram a revitalização do espaço público, mas não foram atendi dos ou informados que uma equipe iria ao local, enquanto isso a praça segue esquecida e em ruínas. “Fomos na Prefeitura e no governo, mas nem fomos atendidos, nos ignoraram”, afirmou o industriário Carlos da Gama Mariano, 33.
Governo e prefeitura
A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) informou que as praças vinculadas ao Prosamim estão em fase de ajuste de tratativas com o governo estadual para que fiquem sob a responsabilidade da prefeitura. Elas precisam, primeiramente, estar em perfeitas condições de infraestrutura para que possam ser entregues e, a partir daí, administrada pela Prefeitura de Manaus.
Questionado, o Governo do Estado não se manifestou até o fechamento da edição.
Mestre Chico em ‘petição de miséria’
O cenário de abandono do largo Mestre Chico, na rua General Glicérico, na Cachoerinha, Zona Sul, não perde em nada para a praça do Bombeamento. O mato está alto e, segundo moradores do entorno, não há manutenção há mais de quatro meses.
O local era freqüentado por moradores e por esportistas de outros bairros por ter extensa área utilizada para corridas e caminhadas, mas há meses os freqüentadores evitam passar pelo local. Segundo o professor de Gestão Hilton Bruno de Souza, o parque virou moradia de mendigos e usuários de drogas.
“Sempre tem relatos de que alguém foi assaltado, apesar de eu mesmo nunca ter visto, a gente fica com medo de passar porque aqui. Evito ao máximo porque tem muita gente mal encarada”, contou.
Praça de residencial foi abandonada
Os moradores do Parque Residencial Jefferson Peres, na avenida Lourenço da Silva Braga, também reclamam do abandono do local.
Segundo a dona de casa Maria Lúcia Paiva, 53, há mais de dois anos a praça não recebe capinação ou manutenção. “Antes era muito mais frequentado. Só que o mato está alto, os bancos quebrando e as quadras sem reforma, aí muitas pessoas deixariam de vir. Os jovens que ainda continuam frequentando, mas está bem complicado”, disse.
A quadra de esportes é um dos principais alvos de reclamação dos moradores da área porque era uma das poucas opções de lazer da comunidade. Os problemas vão desde vandalismo contra o espaço público até a falta de iluminação. “Estamos sofrendo com praticamente tudo e estamos cansados de pedir ajuda, eles tem essa mania feia de inagurar e abandonar”.