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A Crítica
Manaus

‘Manaus é um celeiro de efervescência cultural’, afirma maestro Marcelo de Jesus

O maestro mora na capital há mais de duas décadas e desde o início encantou com a recepção baré, que considera o diferencial

Publicado em 24/10/2023 às 12h53
‘Manaus é um celeiro de efervescência cultural’, afirma maestro Marcelo de Jesus
Foto: Junio Matos/A CRÍTICA

Marcelo de Jesus

Idade:  52 anos
Profissão:  pianista, maestro e regente da Orquestra Câmara do Amazonas (OCA)
Vive em Manaus desde:  2003
Bairro onde mora:  Centro
Bairro onde trabalha:  Centro Histórico de Manaus
Local favorito em Manaus:  Teatro do Amazonas, principalmente na plateia, pois para o maestro é um lugar mágico.

Manauara de coração. É assim que o maestro Marcelo de Jesus, regente titular da Orquestra Câmara do Amazonas (OCA) se define. Apesar de ter nascido em São Paulo, e morar em diversos outros estados e até países, foi Manaus a cidade que o encantou e onde mora há mais de 20 anos.

Em entrevista à reportagem de A CRÍTICA, Marcelo conta que veio à Manaus pela primeira vez em 1999 a convite do maestro Luiz Fernando Malheiro para participar do Festival Amazonas de Ópera.

Chegando na capital amazonense, a primeira impressão que o maestro teve foi que na região amazônica a recepção calorosa da população faz jus às altas temperaturas que aqui se encontram.

“Vindo do Sudeste, as pessoas são mais contidas. Não têm o toque, as pessoas não olham muito na sua cara. Desde que eu pisei em Manaus, no aeroporto até a entrada do Teatro Amazonas, era sempre ‘olá, tudo bem?’. Uma coisa que olhei e percebi que o povo aqui era animado”, relembra o maestro.

Marcelo de Jesus conta ainda que ao pisar no Teatro Amazonas o encantamento foi instantâneo. Para o maestro que já regeu óperas no Teatro Municipal de São Paulo e no do Rio de Janeiro, o Amazonas possui o melhor teatro do Brasil.

 “[…] Depois eu tive um deslumbramento que tenho até hoje pelo Teatro Amazonas. Para mim o teatro mais bonito do Brasil é o Teatro Amazonas, uma joia”, conta Jesus.


(Foto: Junio Matos/A CRÍTICA)

Público encantador

E não é só o Teatro Amazonas que deslumbra, segundo o maestro, é também o interesse da população amazonense com os artistas.

“Comecei a perceber outra coisa que em Manaus é muito importante. A relação do público com o artista. Geralmente, o público que vai à música clássica pensa:  ‘Ah, vamos ouvir a sinfonia de Beethoven que eu já ouvi com não sei quem, vamos ver se o maestro é bom’. Aqui,  para o público tudo era uma novidade. Uma sinfonia de Mozart ou uma obra contemporânea escrita  naqueles dias. É um público que não tem preconceito. O calor do público até hoje é algo impressionante. É o melhor público do Brasil, sem sombra de dúvidas. Um público que foi crescendo com a gente”, ressaltou o regente da OCA.

O maestro destaca ainda que o único lugar onde recebeu o “Anel de Nibelungo” – conjunto de quatro óperas de Richard Wagner, foi o Teatro Amazonas.

“Um público que passou pelo Anel do Nibelungo. Quem no Brasil pode assistir as quatro óperas de [Richard] Wagner em uma semana? Um anel completo que nunca foi feito no Brasil, só em Manaus. Tenho um amigo meu daqui que é poeta. E ele me contou que a melhor experiência que eu tive foi ver O Anel do Nibelungo na sua terra natal”, destacou Jesus.

Celeiro cultural

Para o artista, a capital amazonense é um espaço que reúne diversos artistas talentosos de todos os segmentos, principalmente da música.

“Manaus é um celeiro de efervescência cultural, de liberdade cultural. Aqui nunca tivemos limites de poder fazer repertórios inusitados, sem ter medo de que o público não vai gostar ou aceitar tal coisa. Essa efervescência cultural é só encontrada em Manaus. Tem uma outra parte que são dos artistas amazonenses. É um celeiro vivo de artistas que a gente se questiona como algumas pessoas não sob holofotes do mundo. Temos tantos artistas bons dessa nova geração”, pontua o maestro.

 Luz e som para Manaus

O maestro também aproveitou o momento para desejar que Manaus receba bastante luz e som como presente de aniversário de 354 anos de existência.

“E o que eu desejo de aniversário para Manaus é luzes e som no sentido que com a luz vamos poder ter mais visibilidade, ser reconhecido pelo o que a gente é e não pelo que as pessoas acham que nós somos. Chega de ser exótico. Nós somos um povo cultural. E muita música para a gente difundir. A música, para mim, é a maior forma de expressão de amor. É o que dedico para Manaus”, declarou Marcelo de Jesus.