‘Manaus é um celeiro de efervescência cultural’, afirma maestro Marcelo de Jesus
O maestro mora na capital há mais de duas décadas e desde o início encantou com a recepção baré, que considera o diferencial
Marcelo de Jesus
Idade: 52 anos
Profissão: pianista, maestro e regente da Orquestra Câmara do Amazonas (OCA)
Vive em Manaus desde: 2003
Bairro onde mora: Centro
Bairro onde trabalha: Centro Histórico de Manaus
Local favorito em Manaus: Teatro do Amazonas, principalmente na plateia, pois para o maestro é um lugar mágico.
Manauara de coração. É assim que o maestro Marcelo de Jesus, regente titular da Orquestra Câmara do Amazonas (OCA) se define. Apesar de ter nascido em São Paulo, e morar em diversos outros estados e até países, foi Manaus a cidade que o encantou e onde mora há mais de 20 anos.
Em entrevista à reportagem de A CRÍTICA, Marcelo conta que veio à Manaus pela primeira vez em 1999 a convite do maestro Luiz Fernando Malheiro para participar do Festival Amazonas de Ópera.
Chegando na capital amazonense, a primeira impressão que o maestro teve foi que na região amazônica a recepção calorosa da população faz jus às altas temperaturas que aqui se encontram.
“Vindo do Sudeste, as pessoas são mais contidas. Não têm o toque, as pessoas não olham muito na sua cara. Desde que eu pisei em Manaus, no aeroporto até a entrada do Teatro Amazonas, era sempre ‘olá, tudo bem?’. Uma coisa que olhei e percebi que o povo aqui era animado”, relembra o maestro.
Marcelo de Jesus conta ainda que ao pisar no Teatro Amazonas o encantamento foi instantâneo. Para o maestro que já regeu óperas no Teatro Municipal de São Paulo e no do Rio de Janeiro, o Amazonas possui o melhor teatro do Brasil.
“[…] Depois eu tive um deslumbramento que tenho até hoje pelo Teatro Amazonas. Para mim o teatro mais bonito do Brasil é o Teatro Amazonas, uma joia”, conta Jesus.

(Foto: Junio Matos/A CRÍTICA)
Público encantador
E não é só o Teatro Amazonas que deslumbra, segundo o maestro, é também o interesse da população amazonense com os artistas.
“Comecei a perceber outra coisa que em Manaus é muito importante. A relação do público com o artista. Geralmente, o público que vai à música clássica pensa: ‘Ah, vamos ouvir a sinfonia de Beethoven que eu já ouvi com não sei quem, vamos ver se o maestro é bom’. Aqui, para o público tudo era uma novidade. Uma sinfonia de Mozart ou uma obra contemporânea escrita naqueles dias. É um público que não tem preconceito. O calor do público até hoje é algo impressionante. É o melhor público do Brasil, sem sombra de dúvidas. Um público que foi crescendo com a gente”, ressaltou o regente da OCA.
O maestro destaca ainda que o único lugar onde recebeu o “Anel de Nibelungo” – conjunto de quatro óperas de Richard Wagner, foi o Teatro Amazonas.
“Um público que passou pelo Anel do Nibelungo. Quem no Brasil pode assistir as quatro óperas de [Richard] Wagner em uma semana? Um anel completo que nunca foi feito no Brasil, só em Manaus. Tenho um amigo meu daqui que é poeta. E ele me contou que a melhor experiência que eu tive foi ver O Anel do Nibelungo na sua terra natal”, destacou Jesus.
Celeiro cultural
Para o artista, a capital amazonense é um espaço que reúne diversos artistas talentosos de todos os segmentos, principalmente da música.
“Manaus é um celeiro de efervescência cultural, de liberdade cultural. Aqui nunca tivemos limites de poder fazer repertórios inusitados, sem ter medo de que o público não vai gostar ou aceitar tal coisa. Essa efervescência cultural é só encontrada em Manaus. Tem uma outra parte que são dos artistas amazonenses. É um celeiro vivo de artistas que a gente se questiona como algumas pessoas não sob holofotes do mundo. Temos tantos artistas bons dessa nova geração”, pontua o maestro.
Luz e som para Manaus
O maestro também aproveitou o momento para desejar que Manaus receba bastante luz e som como presente de aniversário de 354 anos de existência.
“E o que eu desejo de aniversário para Manaus é luzes e som no sentido que com a luz vamos poder ter mais visibilidade, ser reconhecido pelo o que a gente é e não pelo que as pessoas acham que nós somos. Chega de ser exótico. Nós somos um povo cultural. E muita música para a gente difundir. A música, para mim, é a maior forma de expressão de amor. É o que dedico para Manaus”, declarou Marcelo de Jesus.