Marcha pela ciência é realizada em prol de um ‘conhecimento sem cortes’
Uma caminhada para chamar a atenção sobre a necessidade de preservar a comunidade científica
Uma caminhada para chamar a atenção sobre a necessidade de preservar a comunidade científica, Manaus integrou o movimento internacional e marchou pela ciência. Uma iniciativa da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) que teve a movimentação da Avenida Eduardo Ribeiro até a Avenida 7 de setembro com o tema ‘Conhecimento sem cortes’.
Para uma das organizadoras do evento e professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Jerusa Araújo, o objetivo do movimento é chamar a atenção dos cientistas e pesquisadores para que eles movimentem suas localidades e que a população em geral possa entender melhor que afetar a pesquisa através de cortes vai afetar diretamente o progresso e o bem estar da população.
“As pesquisas e as novas tecnologias desenvolvidas sofrem com corte de 44% no primeiro orçamento que foi imposto no governo Temer, dinheiro que podia ser desenvolvido nas Universidades, no Inpa e na Fiocruz”, revela.
Na discussão que ocorreu na manhã de ontem (22), foram debatidos quais as políticas que os pesquisadores podem fazer. Conforme a professora foi abordado como necessidade de voltar a Secretaria de Estado da Ciência Tecnologia e Inovação (Secti-AM) , além de ter um destino correto do R$ 1 bilhão que o governo tem recolhido da Suframa. “Esse dinheiro que era para ser repassado para a ciência e tecnologia e na verdade estão sendo transferidos para dentro das empresas internas”.
A professora revela que o último edital disposto à ciência e tecnologia foi em 2013 e conta a relevância da ciência à população. “A importância da ciência é gerar conhecimento que vai ser aplicado em todas as áreas do conhecimento tanto humano, social, do índio, da aplicação de tecnologia, por exemplo, exportamos bicicleta e cavaquinho, mas não conseguimos sustentar essa indústria. Temos pessoas qualificadas, porém somos impossibilitados de produzir nossa própria tecnologia”, diz.
Um dos participantes da mobilização foi o arqueólogo Filippo Stampanoni, que conta que participou do evento pelo fato da ciência e tecnologia estarem necessitando de financiamentos e precisarem ser consideradas importantes para o desenvolvimento do país de forma geral.
“Eu como arqueólogo sinto que estamos com dificuldades de financiamentos de modo específico, não temos pós-graduação no estado, só tem um curso de graduação muito básico. Portanto, nós sentimos a necessidade de formar arqueólogos e dar oportunidades aos que já são formados de ter laboratórios, reservas técnicas e museu para trabalhar”, declara Filippo.
Outro professor da Ufam, José Wilson Nascimento, sente as dificuldades cada vez mais frequentes no estado quanto à ciência e tecnologia. “Somos professores e temos dificuldades de ter instrumentos de trabalho. Por isso, com isso, precisamos quebrar paradigmas e somar forças não só no sentido de preservar, mas ter incentivos para desenvolver o estado”.
Movimento Mundial
A marcha pela a ciência iniciou nos Estados Unidos, num protesto de estudantes de todo o país contra a política do presidente Donald Trump. O governante, ao assumir o mandato, no início deste ano, impôs diversas medidas polêmicas dentre elas cortes no financiamento das áreas da ciência e tecnologia.
Além dos EUA, outras 500 cidades de todo o mundo se reuniram para protestar contra cortes e medidas prejudiciais à ciência nos países. No Brasil participaram pelo menos 20 cidades e o dia 22 foi escolhido em comemoração ao dia da terra.
Frase:
“São mais de R$1 bilhão de dinheiro que deveria ser investido na ciência e tecnologia, entretanto não chega às mãos dos cientistas e nem dso pesquisadores”, enfatiza.