Médicos que atuam em hospitais públicos do Amazonas ameaçam protestos
A categoria decidiu a medida em uma reunião na sede do Conselho Regional de Medicina (CRM), mas descarta paralisação dos serviços
Médicos prometem fazer manifestações em todas as unidades de saúde do Amazonas, nas quais prestam serviços, na manhã desta sexta-feira (1°). O ato, de acordo com a categoria, é uma forma de chamar a atenção para a situação da saúde pública no Estado, em função dos pagamentos dos profissionais que atuam por meio de cooperativas. A categoria decidiu, pelo manifesto, em uma reunião na tarde de hoje, na sede do Conselho Regional de Medicina (CRM), mas não deu detalhes de que forma isso seria feito e descartou uma paralisação dos serviços.
No encontro eles apresentaram suas reivindicações por meio de uma carta conjunta em que pedem a quitação imediata dos débitos de 2018, pelo menos para uma das competências médicas que estão com os salários atrasados. No documento pedem ainda a definição de um cronograma mensal de repasse dos pagamentos referentes ao mês corrente, associados à regularização dos débitos existentes.
A reunião contou com a presença do Sindicato dos Médicos do Amazonas (SIMEAM), do CRM e de representantes das Empresas Médicas prestadoras de serviços médicos à Secretaria de Saúde do Estado do Amazonas (Susam).
O representante do Instituto de Cirurgia do Estado do Amazonas (Icea), José Francisco dos Santos, destacou que a situação foi se agravando ao longo do tempo e que há empresas com atrasos de mais de cinco meses, mas afirmou que a manifestação não vai interferir no atendimento da população.
“De forma nenhuma isso vai acontecer, será ordeira e sempre respeitando o direito do cidadão. Se tiver que haver manifestações mais profundas, pode ser no sentido de cirurgias eletivas que poderão ser diminuídas, mas sempre respeitando isso. Nós vamos adequar o movimento para que nós sejamos pelos menos respeitados. Nós estamos brigando justamente na condição de atendê-los com o mínimo de dignidade possível. Hoje esse cidadão não morre por falta de médicos, mas vai morrer por falta de insumos e condições de ser atendido dentro das unidades do Estado”, afirmou.
Sobre a situação o presidente do CRM, José Bernardes Sobrinho, explica que os médicos aguardam uma proposta oficial por parte da Susam, para tomar posições mais precisas em relação ao assunto daqui para a frente. “O movimento é justo, não é antiético, porque estão sem receber a três, quatro, cinco meses. É uma situação insustentável. Hoje vamos analisar a proposta que os deputados, como forma de ajudar, conseguiram e ficaram de fazer por escrito. Então vamos esperar isso para analisar essa contraproposta do governo e decidir o que vai ser feito nos próximos dias”, explicou.
Posicionamento
Em nota, a Susam disse que “já iniciou o processo de pagamentos dentro da decisão do Estado, comunicada publicamente, de que, dos R$ 108 milhões disponíveis para todas as secretarias em janeiro, a maior parte, R$ 65,7 milhões, vai para a Saúde. E, para que nenhum trabalhador fique sem receber, o pagamento referente a dezembro será proporcional. O compromisso do governo, também já tornado público, é de que as despesas correntes desse ano sejam pagas, estacando o acúmulo de dívidas que aconteceu em anos anteriores”.