Manaus ter, 3 nov
A Crítica
Manaus

Mesmo após reparo em reservatório, moradores do Morro continuam sem água

Para tentar armazenar alguns litros em casa, eles estão enfrentando longas caminhadas, filas ou são ‘obrigados’ a comprar

Publicado em 16/06/2017 às 19h17 · Atualizado em 19/03/2022 às 19h45
Mesmo após reparo em reservatório, moradores do Morro continuam sem água
Foto: (Foto: Alik Almeida)

Moradores do bairro Morro da Liberdade, localizado na Zona Sul da cidade, estão há mais de três dias sem água nas torneiras sem água nas torneiras . Para tentar armazenar alguns litros em casa, eles estão enfrentando longas caminhadas, filas ou são ‘obrigados’ a comprar. A Manaus Ambiental, porém, informou que o serviço foi normalizado.

Na rua São Luiz, cerca de 20 moradores relataram à reportagem que ligaram para a concessionária Manaus Ambiental para questionar os motivos da falta de água e saber quais os prazos para o serviço voltar ao normal, mas até a manhã de ontem não haviam sequer sido atendidos. “Eles não atendem a gente. Só eu liguei mais de 30 vezes nesses três primeiros dias, estou sem uma gota de água em casa”, contou a dona de casa Maria Auxiliadora Barbosa, 67.

Para ter água em casa, Maria precisa desembolsar mais de 10 reais diariamente para ter água para lavar roupas, limpar a casa, banho e para cozinhar. “Pago mais de 100 reais por mês para não ter água em casa. Sou praticamente obrigada pagar para carregarem água ou por água mineral. Olha, é um absurdo”.

A aposentada Maria de Jesus Oliveira, 75, moradora do beco São Joaquim, a situação está crítica no bairro há mais de 15 dias, mas se agravou ainda mais nos últimos três dias. “Estamos abandonados aqui. Tem mais de 15 dias que a água vem fraca e não demora muito para ir embora, a gente precisava ser rápida para armazenar em alguns baldes, achava que não podia piorar, mas piorou, nos últimos três dias não estava vindo nenhuma gota”, disse.

Segundo a comerciante Andréa Oliveira, 39, o fornecimento até voltou na noite de quarta-feira e início da manhã de ontem, mas a pressão da água estava fraca e demorou menos de duas horas. “Foi muito rápido, corri na esperança de encher meus tanques, mas não deu. Foi embora logo e estava tão fraca que não subiu nem para a caixa, lá em cima o pessoal está sem água”, contou.

Andréa também afirmou que está gastando mais R$ 20 reais por dia para ter água em casa. “Tinha um poço mais lá para baixo, mas secou. Agora a gente tem que torcer para água voltar ou tem que comprar mesmo. Ninguém vive sem água, a gente precisa cozinhar, tomar banho e lavar roupas”.

Solidariedade

Uma das poucas casas localizadas na rua São Luiz que teve água, em alguns horários, foi a da costureira Darclei Albuquerque, 39. Segundo ela, diariamente os vizinhos fazem uma longa fila na frente da casa dela para encher os baldes e levar alguns litros. “Aqui é mais baixo, então em alguns horários a água vem bem fraquinha. Eu aviso todo mundo e eles fazem uma fila aqui na frente”, contou.

Se não fosse a generosidade da costureira, a situação ficaria ainda mais difícil para os moradores que não tem condições de se locomover ou de comprar água. “Tem pessoas que não tem dinheiro e tem muito idoso que não consegue caminhar para longe e voltar carregando os galões. Deixo eles pegarem água só para ajudar mesmo”.

A comerciante Brenda Rufina, 25, é uma das moradoras que conta com a generosidade de Darclei. Segundo ela, a falta de água no bairro começou a 15 dias e se não fosse a ajuda da vizinha a situação dos moradores seria ainda mais crítica. “Que bom que existem pessoas como ela. Porque muita gente não tem como comprar”.

Em nota, a Manaus Ambiental informou que detectou na madrugada de quinta-feira um vazamento na rede de distribuição de água do reservatório do Mocó, essa unidade é responsável pela transferência de água do reservatório Morro da Liberdade que abastece os bairros: Morro da Liberdade, Santa Luzia, Crespo, Betânia e Educandos. A concessionária informou também que os serviços de correção foram concluídos e o abastecimento dos bairros citados acima já encontra-se dentro de sua normalidade.