Morte de piloto em Manaus revive drama de acidente da Rico
Comandante do Caravan era tio da comissária Monique, morta na queda de um Brasília da empresa Rico, em 2004
O piloto Antônio José de Almeida Maia, 54, morto em um acidente aéreo na manhã de ontem, era tio da comissária de bordo Monique Azevedo Maia, vítima do acidente com a aeronave da empresa Rico Linhas Aéreas que matou 33 pessoas em maio de 2004. Anos depois da perda de Monique, a família Maia vê a tragédia se repetir. O piloto Antônio Maia morreu depois que o avião que ele pilotava, modelo Caravan, prefixo PT-PTB, da empresa CTA Taxi Aéreo, caiu segundos depois de decolar do Aeródromo de Flores, na Zona Centro-Sul. A aeronave caiu em um terreno onde funciona o depósito da empresa Ramsons, localizado a poucos metros da pista de pouso e decolagem de onde o Caravan partiu às 6h10.
O piloto, conforme o plano de voo divulgado pela CTA iria abastecer a aeronave no Terminal 2 do aeroporto Eduardo Gomes, o Eduardinho. Segundo testemunhas, o Caravan PT-PTB partiu da pista 29 do aeródromo já perdendo altitude. A aeronave atravessou a avenida Torquato Tapajós, colidiu contra a rede elétrica de 13 mil volts, fez um movimento conhecido como looping e seguiu em direção a uma área verde do terreno. O avião ainda se chocou contra um buritizeiro onde perdeu as asas, o tanque de combustível e inúmeras outras peças que ficaram espalhadas pelo terreno entre as árvores.
O corpo de Antonio ficou preso a cabine do avião encontrada a mais de 30 metros de distância do tanque de combustível.
Segundo o irmão de Antônio e tio de Monique, Elias de Almeida Maia, 47, os familiares estão desolados com a tragédia ligada a um avião que ocorre pela segunda vez. Para ele, aviação é uma profissão de risco na qual acidentes acontecem.
Assim como o irmão e a sobrinha, Elias também esteve ligado a avião durante boa parte da vida. “Voei durante 20 anos como comissário. Graças a Deus nunca aconteceu nada, mas acidentes podem acontecer em segundos. A vontade de Deus é soberana. A gente sente muita a perda, mas tem que se submeter a Deus”, disse.
Elias disse que viu Antonio pela última vez na noite de segunda-feira, quando ele contou sobre a viagem que faria no dia seguinte. “Ele ia abastecer o avião e seguiria para Boa vista, mas infelizmente a viagem foi outra, para o céu. Ele esteve lá em casa ontem à noite (segunda-feira) e me contou que viajaria cedo. Deu um abraço na minha mãe, que tem 80 anos, e no meu pai, de 83, e agora deixou três filhos”, lamentou.
Para Otávio de Azevedo Maia, 52, também irmão da vítima, Antônio era excelente piloto e voava todos os dias. “Ele tinha mais de 30 anos como piloto e era muito experiente”, disse.
Esmagamento do crânio foi fatal
Segundo o capitão do Corpo de Bombeiros, Orleilson Muniz a análise preliminar dos peritos dos órgãos envolvidos na investigação do acidente e na remoção do corpo, apontam que o piloto teve morte por esmagamento de crânio. Ele explica que depois que o avião ficou com o teto voltado para o solo, o bloco do painel se soltou e caiu em cima da cabeça do piloto. Segundo ele, os ferimentos no corpo do piloto na fuselagem na aeronave também colaboraram para a morte.
A análise dos peritos sobre as possíveis causas do acidente reforçam o relato das testemunhas que afirmam que o motor da aeronave parou em pleno ar. Para o capitão Muniz, houve perda de potência de motor, uma vez que, o avião decolou e conseguiu atravessar apenas a avenida Torquato Tapajós e não teve altitude suficiente para passar pelos fios de alta tensão. “Para a aeronave decolar e não conseguir altitude suficiente para passar por cima dos fios uma das causas mais prováveis é a perda de potência do motor, mas só a pericia poderá afirmar a verdadeira causa”, disse.
Caravan tinha 13 anos de uso
Segundo o proprietário da empresa CTA, Cleiton de Souza, a aeronave fabricada em 1999 estava com a manutenção e documentação em dia e nunca apresentou falhas mecânicas que comprometessem o voo. Ele explica que a última intervenção na aeronave foi feita no dia 18 de janeiro de 2012, em Porto Alegre, conforme a recomendação de revisão do fabricante.
“Temos cinco aeronaves entre modelos Caravans e Sênecas e infelizmente esse é o primeiro acidente com nossas aeronaves. Nossos aviões são os únicos de Taxi Aéreo do Estado que fazem manutenção também nos Estados Unidos”, disse. Ele também explicou que o acidente com o avião que caiu no bairro Zumbi, Zona Leste e matou seis pessoas, em 2010, e envolveu o nome da empresa ocorreu com um avião terceirizado.
Questionado sobre a declaração do vigilante sobre a parada do motor no ar, Cleiton disse que somente o Sétimo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa VII) poderá apontar a causa do acidente. O Seripa VII iniciou a investigação pouco depois do acidente e recolheu os restos da aeronave para perícia. Cleiton esclareceu que o piloto só seguiu para o aeroporto Eduardinho porque o avião não tinha como abastecer no aeródromo. “A Petrobras informou que o caminhão de abastecimento de querosene estava com problemas e não tinha previsão de quando ficaria pronto. Então decidimos que ele iria abastecer no Eduardinho e voltaria para o aeródromo. Segundo ele, o avião precisa estar abastecido porque atua como aeromédico e deve estar pronto para decolar a qualquer momento.