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A Crítica
Manaus

Movimento busca incentivar entrada de mulheres na ciência e tecnologia do Amazonas

“Lugar de mulher é na ciência e onde ela quiser” é a principal reflexão do Movimento Mulheres e Meninas na Ciência, lançado nessa sexta-feira (11), no Amazonas, em comemoração ao Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência

Publicado em 12/02/2022 às 16h05 · Atualizado em 12/03/2022 às 13h09
Movimento busca incentivar entrada de mulheres na ciência e tecnologia do Amazonas

“Lugar de mulher é na ciência e onde ela quiser”. Essa é a principal reflexão que se destacou durante o lançamento da programação do “Movimento Mulheres e Meninas na Ciência” realizada nessa sexta-feira (11), em comemoração ao Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência.

O evento aconteceu no auditório Tauató, na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), localizada na Universidade Nilton Lins, bairro Flores, zona centro-sul de Manaus.

A cerimônia contou com a presença de cinco mulheres em cargos de chefia de instituições voltadas à educação, pesquisa e ciência. Foram elas: a diretora-presidente da Fapeam, Márcia Perales; a diretora-presidente da Fundação de Vigilância Sanitária do Amazonas (FVS-RCP), Tatyana Amorim; a diretora do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Adele Benzaken; reitora da Universidade Nilton Lins, Gisélle Lins; diretora-presidente da Fundação Hemoam, Socorro Sampaio; e diretora do Instituto Nacional de Pesquisa na Amazônia (Inpa), Antônia Franco.

Durante a ação, Márcia Perales incluiu o anúncio de editais inéditos destinados às cientistas do Amazonas com o intuito de estimular a igualdade de gênero na Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) no estado.

A diretora-presidente da Fapeam destaca que em 2018, 416 projetos de pesquisa eram coordenados por mulheres e com base nisso, a fundação consistiu em fortalecer ainda mais a presença da mulher na ciência, tecnologia e inovação.

“No ano passado nós lançamos dois editais mais que a gente chama de “ciências duras” e também o mais amplo Estado. E aí nós temos como fruto desses editais 70 projetos sendo desenvolvidos, liderados por cientistas. Esse ano agora, no dia de hoje, 11 de fevereiro, nós lançamos, além de uma mais ampla, dois novos editais inéditos, né? Um é um edital voltado para temáticas específicas que são os ODS e o outro é livre, um é do interior do estado, outro pra capital. E com isso a gente objetiva aumentar o número de mulheres na liderança de projetos de pesquisa nesta empreitada”, descreve.

Questionada sobre a importância do ensino básico como incentivo a mais mulheres a ingressarem na ciência, Márcia Perales ressaltou que o Amazonas se preocupa em estimular o interesse de meninas desde os primeiros anos à pesquisa científica.

“É fundamental, é base de tudo, né? A educação é muito importante. [É preciso] que nós tenhamos um olhar voltado também a entender que ela pode se aproximar, as possibilidades se aproximarem dela, novas perspectivas surgirão na sua vida. Ela se fortalecerá. É por isso que o PCE, que é o Programa Ciência na Escola, que foi mencionado, é desenvolvido há 18 anos. Ele tem uma importância tão grande porque essas meninas são chamadas pelos seus professores para participar de projetos de pesquisa, acho que é importante na questão da educação”, ressaltou Perales.

Evasão escolar de meninas no Amazonas

Dados da Unesco apontam que menos de 30% dos pesquisadores no mundo são mulheres. Somado a isso, temos outro índice alarmante: o abandono de estudos por meninas.

Como a reportagem da A CRÍTICA, noticiou em novembro do ano passado, a evasão escolar é quase o dobro no Amazonas em comparação a outros estados. De acordo pesquisa “Por Ser Menina 2021”, encomendada pela Plan International Brasil e executada pela consultoria Tewá 225, o Amazonas é o estado onde houve o maior percentual de interrupção escolar, 32,8%; a média nacional foi de 18,2% apontado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019.

Para a diretora da Fiocruz Amazônia, Adele Benzaken, é necessário que se desenvolvam políticas públicas para reduzir esse índice que se agravou durante a pandemia.

“É urgente defender a participação não só de mulheres, mas de meninas na ciência. Devemos portanto estar atentos a essa grande pandemia que vem afetando não só a saúde da população mas também a educação. Aproveito para anunciar que a Fiocruz estará realizando palestras “Amazônidas na ciência”, que começa hoje, mas que vai ao longo do ano até a Semana Nacional de Ciências e Tecnologia em outubro”, acrescentou a diretora da Fiocruz Amazônia.

“Precisamos promover não só a questão das mídias sociais na ciência, mas também promovendo oficinas e workshops com meninas que estão nas escolas mostrando a elas, com concursos ao longo do ano e finalizando em outubro com uma peça teatral com essas meninas. Então o foco é a mulher na ciência e isso deve ser estimulado”, finalizou Benzaken.