No Centro, moradores do Prosamim ateiam fogo em objetos para protestar contra tarifa d’água
Cerca de 200 pessoas que vivem no Parque Residencial Manaus bloquearam a avenida Ramos Ferreira, uma das principais vias da área central de Manaus, contra a "Tarifa Social", que segundo eles cobra valores abusivos. Eles prometem mais manifestações em horário de pico
Aproximadamente 200 moradores do Parque Residencial Manaus, dentro do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim) localizado na avenida Ramos Ferreira, no Centro de Manaus, estão reunidos desde às 18h desta quinta-feira (3) para protestar pela ação “Tarifa Social”, que chegou às residência com preços supostamente abusivos, e pelo corte no fornecimento de água, realizado nesta quarta-feira (2).
Para chamar atenção da população, os moradores do Parque Residencial Manaus atearam fogo em pneus, lixo, madeira e resto de móveis, bloqueando o fluxo de veículos na avenida Ramos Ferreira, já próximo da avenida Joaquim Nabuco.
Um dos habitantes do conjunto habitacional, o motorista Alex Rodrigues, de 29 anos, informou que, se nada for resolvido, haverá manifestação todos os dias no mesmo local e no mesmo horário de pico.
“É um absurdo tudo isso. Essa ação já ocorre há anos. Temos taxas de esgoto de 100% em cima da tarifa de água, sendo que aqui não tem tratamento de esgoto”, reclama.
O líder comunitário Odenis Reis, de 52 anos, relatou o que os moradores vêm sofrendo com a situação: “De repente veio valores absurdos, de R$ 200 a R$1,800 reais, e nós não temos condições de pagar essa taxa. Além disso, eles não chamam os moradores para uma negociação, para uma taxa fixa ou para tirar o valor de esgoto. É muito alto e um verdadeiro absurdo”.
Indignada, a dona de casa Eliana Barroncas, de 59, concordou e reclamou o quanto foi ruim esses dias sem um pingo de água nas torneiras. “As vezes, a água vem suja e, num calor desses, é horrível ficar nessa situação. Estamos esquecidos”, desabafou.
Policiais militares e agentes do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito de Manaus (Manaustrans) estiveram no local e, por volta de 19h40, o fogo já estava controlado pelo Corpo de Bombeiros.
Resposta
Em nota, a Manaus Ambiental informou que todos os procedimentos comerciais foram realizados seguindo a Lei Federal de 2007. A suspensão negociada foi o que aconteceu hoje no Prosamim, disse o órgão, que ressaltou que analisa os clientes inadimplentes antes de iniciar o procedimento, que primeiramente consiste no envio de um aviso de suspensão de abastecimento com prazo de 30 dias para a regularização.
A concessionária aguarda o vencimento de duas contas (no caso do Prosamim, todos tinham contas vencidas além do prazo, segundo a Manaus Ambiental). Depois do prazo de 30 dias, a concessionária envia uma equipe para renegociar. Caso o cliente não renegocie sua dívida, a empresa ainda aguarda de 2 a 3 dias para realizar uma nova negociação.
Ainda em nota, por não haver resultado nesta negociação, o órgão informou que é realizada a suspensão do abastecimento de água. A concessionária reitera que a tarifa social é um benefício para todos os clientes de baixa renda.