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A Crítica
Manaus

No ‘verão amazônico’, beber muita água é fundamental, diz médica

Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) destaca que a previsão é de mais calor para os próximos dias

Publicado em 23/07/2020 às 10h47 · Atualizado em 10/03/2022 às 07h44
No ‘verão amazônico’, beber muita água é fundamental, diz médica
Foto: Entre sol e chuva, Zilmar prefere o calor que faz na cidade. Foto: Euzivaldo Queiroz

A população já começa a sentir na pele a chegada do calor mais intenso, comum neste período do ano. No entanto, é a partir de meados de agosto que inicia o chamado “verão amazônico” em que são esperadas as temperaturas mais elevadas até o mês de outubro.

Quem percebeu o aumento nas vendas de água mineral, por exemplo, é o vendedor Zilmar dos Santos, 63. Ele trabalha vestido de paletó e gravata nas ruas da capital amazonense e não se queixa da temperatura, que chega a 32 graus. Para ele, o sol não atrapalha, mas sim, o ajuda nas vendas.

“Eu trabalho, faça chuva ou faça sol, mas eu acredito que a chuva é o que mais atrapalha. Minha proteção contra o sol é o chapéu e paletó também auxilia. Já as vendas têm melhorado, tem dias que vendo mais de 100 garrafas de água gelada ao dia. E isso é devido ao calor”, comentou ele, que trabalha como vendedor há 20 anos.

A recepcionista Catiele Moura Sales, 24, conta que o calor é propício para manter os filhos de cinco e três anos mais refrescados com o banho de mangueira. Ela, que trabalha fora de casa, pede para o marido ter o cuidado para mantê-los bem hidratados durante o dia.

“Tenho percebido que realmente está mais quente, e que os dias de chuva já não estão como nos primeiros meses do ano. A gente tenta amenizar isso com os banhos de piscina inflável, mangueira, tudo o que possa proporcionar um frescor principalmente para as crianças”, contou.

“O ar-condicionado, eu prefiro usar durante a noite mesmo, durante o dia usamos só o ventilador, mas eu sempre peço pra que eles tomem bastante líquidos, e tomem bastante banho também, seja no chuveiro, mangueira ou piscina mesmo”.

Mais calor pela frente

De acordo com o meteorologista do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Márcio Segundo, a previsão é mais calor para os próximos dias.

“No momento estamos no período de transição entre as estações chuvosa e seca o que corresponde a maio, junho e julho, caracterizado por dias alternados entre muita chuva e céu com poucas nuvens”, explicou o profissional.

“O período do chamado ‘verão Amazônico’ deve ter início em meados de agosto indo até o mês de outubro, onde são esperadas as temperaturas mais elevadas do ano”, comentou ainda.

Conforme o boletim climático elaborado pelo Sipam, para o trimestre de julho, agosto e setembro, as chuvas deverão ficar acima da média na faixa norte do Amazonas.

“Enquanto que nas demais regiões do estado ficam dentro da normal esperada. Com relação às temperaturas, em todo o Estado, estas deverão ficar dentro do que é esperado para o período”.

Previsão

Para esta quinta-feira, o Sipam prevê tempo parcialmente nublado com possibilidade de chuva em áreas isoladas, temperaturas variando entre mínimas de 24°C e máximas de 33°C.

Na sexta-feira, o tempo seguirá parcialmente nublado a nublado com possibilidade de chuva em áreas isoladas, temperaturas variando entre mínimas de 24°C e máximas de 32°C. Já no sábado, a expectativa é de tempo com poucas nuvens a parcialmente nublado, temperaturas variando entre mínimas de 24°C e máximas de 33°C.

Beber água é fundamental

De acordo com a médica endócrino-pediatra Júlia Pedroso, a água deve estar sempre disponível para o consumo das crianças. “O ideal é que as crianças tenham garrafinhas e que sejam estimuladas a beber água com frequência. E prefira frutas que possuem mais líquido como melancia e abacaxi, por exemplo”, destacou.

A médica orienta aos pais para que observe a coloração da urina das crianças. “Os pais precisam observar se a cor da urina está clara, caso contrário, é preciso aumentar a oferta de água. O uso de protetor solar e se possível roupas com proteção ultravioleta são ideais para a exposição solar prolongada. Evite exposição ao sol entre 10h e 15h”.

Chuvas acima da média

Conforme o boletim climático elaborado pelo Sipam, para o trimestre de julho, agosto e setembro, as chuvas deverão ficar acima da média na faixa norte do Amazonas.

Blog: Pedro Alves, vendedor de rua

“Geralmente eu uso camisas de manga comprida, mas como eu ainda não consegui comprar, eu uso esses ‘meião’ para proteger o braço, uso chapéu e também visto calça comprida. Agora, com o uso da máscara, isso também ajuda a se proteger do sol. Mas, para vender melhor, eu prefiro esse sol escaldante do que a chuva”, disse o vendedor Pedro Alves, 36. Ele comenta que já está acostumado a trabalhar sob fortes temperaturas, mas conta que não deixa de lado a proteção contra os raios solares, além de trabalhah há mais de vinte anos nas ruas de Manaus.

Criançada sofre com o calorão

De acordo com especialistas, o calor pode trazer inúmeras alterações à saúde das pessoas. A médica pneumologista Socorro Cardoso, afirma que a faixa etária que mais sofre com as altas temperaturas são as crianças e os idosos.

“O quadro respiratório pode ser agravado, inclusive com secreção às vezes mais espessa e predisposição às infecções por vírus e bactérias”, ressaltou ela. O uso de a- condicionado é permitido, mas há uma restrição. “O ar-condicionado é um meio que torna a temperatura mais amena e o recomendável é que seja mantida em torno de 22 graus”, explicou.

Além disso, ela pede que a população se atente para o consumo de líquidos. “Recomendo a hidratação oral, uso de roupas leves para que seja evitado o estresse térmico, e recomendo também o uso de chapéus ou protetor tipo boné”. Caso haja a sensação de desmaio, é um indicativo para que o paciente procure imediatamente um médico. “Essa sensação pode ser hipotensão em consequência da sudorese intensa”.

Para as crianças, o verão amazônico associado ao clima úmido, faz com que os pequenos não tenham a sensação de sede tão perceptível, o que é pode se tornar um problema.

“Também é no verão que aumenta a incidência de gastroenterites entre as crianças, com diarreias e vômitos, levando à desidratação. A insolação também é frequente pela exposição por tempo prolongado ao Sol, muito comum durante passeios aos balneários da cidade”, explicou a médica endócrino pediatra, Júlia Pedrosa.