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A Crítica
Manaus

Nordestino e sulista que são tipicamentes manauaras

Padres Alex Ribeiro e Nelson da Silva relatam o amor que sentem por Manaus, por sua cultura e população

Publicado em 23/10/2022 às 09h07
Nordestino e sulista que são tipicamentes manauaras
Fotos: Arlesson Sicsu

Manaus é uma cidade que conta com a força da religião e de seus sacerdotes desde o princípio, que com a fé e a devoção tornam a vida mais leve e dão esperança ao povo. Dentre os vários líderes religiosos  em Manaus que recebem a missão com muito carinho, os padre Alex Palmer Sampaio Ribeiro, de 32 anos,  e Nelson Pereira da Silva, 53, enxergam com zelo e amor a história e o povo desta cidade.

Presbítero jesuíta, Alex é Maranhense, filho de mãe maranhense e pai cearense, que vieram para Manaus em 1996, junto com  um irmão e uma tia.  Semelhante a tantas famílias que migraram do Nordeste e ajudaram a construir a história deste lugar.

“Apesar da minha pouca idade ao chegar em Manaus, lembro-me bem do choque de realidade que foi: as casas de madeira que vislumbrei na periferia, o aspecto físico das pessoas, o sotaque do povo daqui e a sonoridade contagiante das toadas de boi-bumbá, que naquela época vivia uma fase de ouro! Isso, sem falar das comidas e as frutas daqui, que pra mim eram outra novidade, o peixe em abundância, o tucumã, o açaí, o cupuaçu…”, lembrou ele.

Quando  Alex chegou a Manaus, ele tinha apenas 6 anos e a familia foi morar no bairro Tancredo Neves, na zona Leste, mas logo se mudaram para o bairro Santo Antônio, na zona Oeste, onde estudou o ensino fundamental e médio, passando pelas escolas Santo Antônio e Nossa Senhora da Aparecida. 

No ano 2000, Alex ingressou no Coral Infantil do antigo Centro Cultural Cláudio Santoro. “Aquela experiência, como nos anos seguintes em que fui membro do Coral Juvenil da mesma instituição, mantida pela Secretaria de Cultura do Estado, me possibilitou adentrar o universo do canto erudito ao passo em que os Festivais Amazonas de Ópera, desde então, vem caindo no gosto do povo amazonense e ganhando projeção e importância aos olhos do mundo. Tenho um sentimento de profunda gratidão por ter vivido essa etapa”, contou.

Em 2007, logo após o ensino médio,  Alex saiu de Manaus para iniciar sua formação jesuítica e passando por várias regiões do Brasil, teve muitas oportunidades de falar de Manaus em diversos lugares e dizer que a capital  é como qualquer grande centro urbano. Enfrenta desafios e cresce a cada ano que passa.

Atualmente, o padre Alex atua na Área Missionária Santa Margarida de Cortona, nas comunidades Alfredo Nascimento e Aliança com Deus, na zona Leste de Manaus, mas mora no bairro São Jorge, do outro lado da cidade.  O padre é um amante do boi Caprichoso desde que chegou a  Manaus e também é um tímido torcedor do Flamengo.

Influência indígena

Padre Alex reuniu tudo que ele mais gosta em Manaus e destacou as influencias originárias e disse que é exatamente isso que fez ele gostar tanto de Manaus e levantar sem dúvida a hashtag #nossasorigensindigenas.

“Dentre várias coisas que gosto em Manaus, eu não consigo não admirar nossas influências e culturas indígenas e caboclas. Nossa culinária, as músicas, o artesanato… as expressões únicas e originais da nossa terra”, disse Padre Alex.

Nosso líder religioso ainda concluiu dizendo que recebe a missão  como um presente de Deus e que não seria mais feliz em outro lugar.

“É difícil esgotar, em poucas linhas, o tanto que tenho a dizer de Manaus, essa boa terra que nos acolheu! Mas posso concluir dizendo que, apesar do caráter missionário da minha vida, que poderia me colocar em qualquer outro lugar do mundo agora, hoje tenho a graça de estar nesta cidade a serviço do povo manauara, num momento em que reacender o zelo, o amor e o respeito pela Amazônia e seus povos originários, é um dever crucial de quem se coloca verdadeiramente na luta pela defesa da vida. Parabéns, Manaus, pelos seus 353 anos! Seja abençoada hoje e sempre a sua gente batalhadora, simples e de esperança dias melhores”, concluiu.

Do Paraná para Manaus

Um outro exemplo de quem veio para Manaus e foi conquistado por essa cidade é o padre Nelson Pereira da Silva, nascido em 14 de novembro de 1968 no município de Santa Izabel do Oeste, no Estado do Paraná. Mas é  aqui que o padre Nelson se sente parte e contruiu, na caminhada e na fé dos fillhos desta terra, que reconhecem seu sacerdócio e legado na cidade.

Filho de Tibúrcio Pereira e Luiza Hofmam Lima , ambos naturais do Rio Grande do Sul, o padre sulista está em Manaus desde 2003, onde colabora na missão da  Arquidiocese de Manaus e mora no bairro Armando Mendes. Em 2003 a 2007, o líder religioso foi pároco da Área Missionária Zumbi/Armando Mendes. 

No ano de 2008, assumiu a missão na Área Missionária São Domingos Sávio e em 2011, o Arcebispo da época, Dom Luis Soares Vieira, o nomeou para ser o Padre Capelão da Polícia Militar no Estado do Amazonas. 

No dia 10 de julho de 2010, Pe. Nelson recebeu o Prêmio Betinho Atitude Cidadã a nível de Região Norte, escolhido pelo COEP (Comitê de Entidades no combate à Fome pela Vida) do Estado do Amazonas, soleinade realizada no auditório do Sesi Amazonas. Em 10 de novembro de 2011, recebeu o Título Cidadão do Estado do Amazonas entregue pela Assembléia Legislativa do Estado , e no dia 1º de dezembro de 2017, Pe. Nelson recebeu na Câmara Municipal de Manaus, o Titulo Cidadão de Manaus.

Sua família é composta por oito irmãos, três irmãs e cinco irmãos. Sua cor preferida é o vermelho, típico de quem é  torcedor do Internacional de Porto Alegre, e por essas paragens, fazendo alusão à cor encarnada, ele é  torcedor do Boi Garantido.

O melhor café regional

O padre  também levantou as hashtags para engrandecer a beleza da cidade e para ele é impossível não citar nossa culinária. A hashtag do padre Nelson é Manaus tem o #melhorcaféregonal

“Logo que cheguei aqui em Manaus, comecei a degustar a culinária local, e caiu muito bem no meu paladar a tapioca com o tucumã e o queijo coalho. Ainda nos dias de hoje quando vou tomar um café na padaria ou nos locais que servem o café regional, não pode faltar a tapioca com o tucumã e o queijo coalho, coisa boa!”, disse Padre Nelson.
 
O padre também destacou  o povo manaura e disse que não tem nada melhor nesta cidade que o povo acolher e ser solidário. Ele  levantou a hashtag que Manaus tem um #povomaravilhoso.

“Destaco como característica do povo manauara a acolhida e a solidariedade. Quando cheguei nesta cidade fui muito bem recebido pelo povo por onde eu passava. Como padre, fui percebendo que o povo manauara é um povo solidário, exemplo visível é quando exortamos nas realizações de campanhas para recolher donativos ou alimentos para distribuir às pessoas mais carentes, o povo sempre colabora fazendo a partilha e na grande maioria das vezes, partilhando do pouco que se tem”, concluiu.