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A Crítica
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OAB-AM lança ‘Manual de Conscientização Antirracista’

A cartilha apresenta textos numa linguagem acessível que abordam o contexto histórico da temática racial, além do desenvolvimento da legislação atual que criminaliza práticas racistas, cria políticas afirmativas e de reparação.

Publicado em 11/12/2020 às 20h59 · Atualizado em 22/03/2022 às 16h46
OAB-AM lança ‘Manual de Conscientização Antirracista’
Foto: Divulgação

Com o objetivo de estabelecer um diálogo acessível ao público jovem acerca da temática racial nasceu a ideia de produção do ‘Manual de Conscientização Antirracista’. Elaborado por membros da Comissão de Igualdade Racial (Coir) da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Amazonas (OAB-AM) e lançado nessa quinta-feira (10), o material, inicialmente, seria voltado para alunos do ensino médio da rede pública e privada de ensino, mas ganhou novos rumos, sendo disponibilizado ao público em geral através do link.

A cartilha apresenta textos numa linguagem acessível que abordam o contexto histórico da temática racial, além do desenvolvimento da legislação atual que criminaliza práticas racistas, cria políticas afirmativas e de reparação. O manual explora ainda os conceitos de racismo estrutural, institucional e racismo recreativo. Lançado no formato digital (e-book), o conteúdo pode ser acessado pelo computador, tablet e celular e, posteriormente, será distribuído de forma presencial nas escolas.

De acordo com a presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB-AM, Ana Carolina Amaral, o manual é uma construção coletiva, fruto de um ano de muitos estudos e imersão na temática racial. Ela destaca que a acessibilidade do material é uma das características mais presentes, pois apresenta uma linguagem fácil, que dialoga com a juventude, e essa será a responsável pela construção de uma sociedade antirracista.

“O manual estabelece um diálogo aberto e real, não só trazendo conceitos do que é racismo, mas viabilizando o conhecimento do que é o racismo na prática e o que ele causa, quais são as dificuldades de acesso, de oportunidade, o que é inviabilizado para pessoas negras, porque os índices de violência contra elas são tão altos. A gente traz o histórico, fala do presente e aponta soluções para o futuro”, disse.

O presidente da OAB-AM, Marco Aurélio Lima Choy, que participou do lançamento transmitido online, externou, na ocasião, sua gratidão às membras da Comissão que, segundo ele, dedicam um tempo de suas vidas para as causas da OAB. “Essa causa da igualdade é uma causa muito importante, muito presente no dia a dia, e a gente fica muito feliz por ver o trabalho reverberando em vários segmentos. O trabalho do manual é algo que a sociedade está respirando, mostra um papel proativo da sociedade em ter atitudes antirracistas”, destacou.

A vice-presidente da OAB-AM, Grace Anny Benayon Zamberlini, destacou a importância de a sociedade estar atenta, aprendendo, buscando e consumindo conteúdos que abordem a temática racial. “A sociedade precisa entender a importância de cada um de nós olharmos de forma séria, para que medidas antirracistas sejam efetivamente cumpridas, para que a gente possa conscientizar as pessoas que isso não é uma brincadeira, que o que a gente está falando é algo importante e que merece respeito”, disse.

Para a advogada e membra da Coir-AM, Luciana Santos, o racismo é ainda um assunto tabu no país, apesar de estar começando a ser mais pautado. Ela destaca a importância do assunto ser dialogado nas escolas, para que histórias e ideologias que foram reproduzidas durante décadas sejam revistas.

“Para mim que ainda tenho como objeto de estudo na academia essa questão do direito a uma educação plural, essa cartilha é realmente muito importante. Porque a gente sabe o perigo da história única que nós tivemos durante décadas e décadas, e nós sabemos da importância da escola, já que inicialmente nós pensamos nesse manual para os estudantes do ensino médio”, disse.

A advogada e membra da Coir- AM, Laila Alencar, destacou a importância da representatividade no âmbito da advocacia e afirmou que, para uma luta por direitos ser efetiva é necessário conhecer a realidade social do outro. “Nós percebemos que muitos advogados ainda não percebem a realidade do coleguinha que está ao lado… O manual tem esse primeiro passo que é conscientizar as pessoas, depois de criada a consciência você sabe quem você é, onde você está e quais as armas que você tem pra lutar contra qualquer coisa que está atrapalhando a sociedade”, ressaltou.