Obra na praia da Ponta Negra pode não ser entregue este ano
Secretário Américo Gorayeb adiantou que talvez não consiga entregar o complexo em setembro, conforme anunciado
A conclusão das obras da segunda etapa do Complexo de Lazer da Ponta Negra, na Zona Oeste de Manaus, pode ser umas das primeiras tarefas que o próximo prefeito de Manaus terá que cumprir. A entrega do balneário anunciada pela prefeitura para ser entregue em setembro desde ano pode ser estendida para 2013, segundo o secretário municipal de Infraestrutura (Seminf), Américo Gorayeb, responsável pela realização da obra.
Ele explica que a segunda etapa exige obras de engenharia de maior complexidade. Entre elas está a construção – no terreno da praia – de uma torre de observação que será mais alta que todos os prédios da Ponta Negra, onde os visitantes poderão subir, via elevador, para observar o rio.
Apesar do otimismo com a chegada do verão, Gorayeb não descarta a possibilidade da conclusão da obra ficar para a próxima gestão municipal mesmo dizendo que pretendo cumprir o prazo de entrega.
“Seja quem for tem que terminar a obra. Eu quero crer que a gente não passe deste ano. Quando estou falando de setembro eu gosto muito que minhas coisas fiquem prontas logo. Me incomoda quando eu demoro a realizar uma obra”, disse.
A praia da Ponta Negra, que estava fechada ao público desde o início da revitalização, foi entregue no último fim de semana. A praia praia , que agora é permanente mesmo no período de cheia, faz parte da primeira etapa da reforma da Ponta Negra, inaugurada em dezembro do ano passado. O trecho de areia tem 40 metros de largura por 400 metros de extensão, além do calçadão que margeia a praia. O calçadão foi construído com pedras portuguesas ao longo de 600 metros.
Revitalização
A revitalização total do complexo da Ponta Negra custará aos cofres municipais R$ 29 milhões. Deste montante, 12 milhões foram gastos apenas com a areia da praia perene no trecho entregue.
A areia que compõe a praia permanente foi dragada dos rios Negro e Solimões, em trechos localizados a 80 quilômetros de Manaus, e levada ao balneário em balsas. Ao todo, foram extraídos 980 mil metros cúbicos de areia, sendo 80% do rio Negro e os outros 20% do rio Solimões.
Segundo Américo Gorayeb, todo o processo de extração da areia foi acompanhado pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e seguiu as regras de licenciamento ambiental.
Logística
Embora existam seis jazidas de areia na capital, o secretário informou que a utilização do material local foi inviabilizado pela difícil logística que encareceria o valor da areia.
Ele explica que para levar uma quantidade tão grande de areia para a Ponta Negra, via terrestre, além de elevar o custo, causaria problemas no trânsito e na massa asfáltica onde os caminhões passariam. Gorayeb completa que os caminhões de transporte precisariam fazer de 300 a 400 viagens por dia para cumprir o prazo de construção estabelecido.
Questionado por que a areia do próprio terreno da Ponta Negra não foi utilizada na dragagem, o secretário respondeu que o material do balneário tornou-se inviável porque está coberto por três metros de lama.
‘Não inunda mais’, diz Gorayeb
O secretário Américo Gorayeb garante que não ocorrerá mais inundação no trecho da praia permanente da Ponta Negra. O fato foi verificado no começo do mês de maio, antes mesmo de o rio Negro atingir a cota máxima que, até então, era de 29,77 metros, nível alcançado em 2009. Dias depois, o recorde foi batido, sendo agora a maior marca a de 29,97 metros.
Segundo ele, na ocasião o trecho da praia entregue à população havia sido finalizado com 30,50 metros acima do nível do mar. Para isso, havia sido depositado no local 730 mil metros cúbicos de areia.
Mas como a praia acabou inundou, mais 250 metros cúbicos de areia foram providenciados para evitar uma alagação futura. O titular da Seminf afirma que agora, mesmo que o rio chegue à cota de 30 metros, o local não será mais tomado pelas águas do rio Negro. Segundo ele, o nível ficará 56 centímetros acima da cota recorde de 29,97 metros, a maior cheia dos últimos 110 anos.
De acordo com Américo Gorayeb, a quantidade de areia que será utilizada na segunda etapa é menor que a usada na primeira. Ele adianta que serão utilizados 280 mil metros cúbicos de areia, contra quase 1 milhão da primeira.
Conforme Gorayeb, a obra de engenharia da praia é o maior desafio do projeto da Ponta Negra. Ele avaliou os resultados obtidos como satisfatório.
O que a praia disponibiliza
A Ponta Negra conta com dois banheiros públicos, masculino e feminino, inclusive para cadeirantes, localizados do calçadão de frente para a praia.
Lixeiras para a coleta seletiva estão espalhadas pela faixa de praia perene para que a população não jogue lixo na areia. Agentes de limpeza pública da Prefeitura de Manaus percorrem a praia de um lado para outro para recolher materiais descartados no balneário.
A praia conta com duas torres de vigilância de salva-vidas. Os profissionais monitoram da praia os banhistas que estão na água. A vigilância tem reforço fluvial do Corpo de Bombeiros, que também monitora os banhistas a bordo de uma pequena embarcação.
O esgoto que, anteriormente, era despejado diretamente no rio Negro sem nenhum tipo de tratamento, agora passa por uma estação de tratamento de afluentes que foi construída no calçadão.
A segurança do local continua sendo feita pela Guarda Civil Metropolitana de Manaus.