Pacientes relatam demora no diagnóstico de tuberculose, em Manaus
Doença sofreu aumento em todo o Amazonas. Neste ano, até o dia 8 de março, já foram registrados 469 casos
Foi depois de quase dois meses com os sintomas de tuberculose que a social media Andressa Marques decidiu procurar um médico. A razão da demora até a busca por tratamento era porque ela imaginava se tratar de uma forte gripe. Com o avanço dos sintomas, ela buscou um médico e o diagnóstico para tuberculose pulmonar deu positivo.
“Meu primeiro sintoma foi a tosse que não passava e em seguida comecei a ficar febril no fim do dia. Conforme foi passando o tempo, senti dores no peito. Em seguida veio o suor noturno e a perda de peso, até que chegou um momento que estava com todos esses sintomas juntos”, conta ela à reportagem.
Andressa Marques estava com um quadro avançado quando começou o tratamento. “O diagnóstico não foi assim que comecei a ter os sintomas. Ainda demorei procurar o médico achando que era só uma gripe mais forte. Como já estava com muitas dores, eu resolvi ir ao médico particular e o mesmo solicitou uma tomografia, constatando a doença que já estava bem avançada”, comenta ainda.
No início do diagnóstico, ela foi encaminhada para a Policlínica Cardoso Fontes e posteriormente, foi orientada a buscar uma Unidade Básica de Saúde mais próxima de sua casa. Atualmente, Andressa está no quinto mês de tratamento e se sente bem melhor.
“A princípio eu tomava três pílulas por dia que continham quatro remédios cada. Hoje, eu tomo somente duas que contém dois remédios. Hoje em dia, todos os meus sintomas já sumiram e estou ainda tentando recuperar meu peso somente. Todo mês faço exames de acompanhamento, que precisam dar negativo”.
Mãe e filha diagnosticadas
Outra pessoa que continua em tratamento é a estudante Rosineide Pinho de Souza, 26 anos, que foi diagnosticada com tuberculose três meses após os primeiros sintomas. Sua filha de um ano também se recupera da mesma doença. Ela explica que seu caso primeiramente foi dado como gripe.
“Todas as vezes que procurei um médico e falei sobre meus sintomas, sempre tratavam como uma gripe forte e me passavam xarope e analgésicos. A doença tinha afetado boa parte do meu pulmão esquerdo. Da minha filha foi cerca de mais ou menos um mês para iniciar o tratamento”. Atualmente, ela está no quinto mês de tratamento e sua filha no terceiro mês. As duas se recuperam da doença.
“Hoje em dia, eu estou bem melhor, os sintomas diminuíram, mas as vezes ainda tenho tosse, sinto catarro no peito, não consigo caminhar por muito tempo, pois fico mais cansada do que antes da doença. No momento, estou com a minha filha em observação no hospital em Manaus, com febre que não, somente diminuir, e não sei é algo relacionado com a tuberculose”, afirma.
Doença no Amazonas
Em 2022, o Amazonas registrou 3.826 novos casos de tuberculose, sendo 2.676 novos casos em Manaus (69,9%). Os números são maiores que 2021, quando o Estado contabilizou 3.205 novos casos, sendo 2.310 em Manaus (72%). Até o dia 8 de março de 2023, 469 diagnósticos para a doença foram confirmados no Estado e desse total, 333 novos casos são em Manaus (71%). Os dados são da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Drª Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP).
A tuberculose é uma doença infecciosa, transmissível, causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch, que afeta prioritariamente os pulmões (forma pulmonar), mas pode acometer outros órgãos ou sistemas.
“A partir do momento que você inala a micobactéria da tuberculose, você pode desenvolver a doença pulmonar, mas em algumas pessoas que tem a imunidade mais adequada, essa micobactéria pode ficar inóculo e depois de alguma situação futura, com a queda da imunidade, faz com que a doença aflore não necessariamente no pulmão, mas em outros orgãos como figado, baço, ou ate mesmo em gânglios linfáticos”, explica o médico pneumologista, David Luniere.
Para a tuberculose, a suspeita começa com a tosse além de duas semanas, além de ser comum o doente apresentar febre baixa no final da tarde ou início da noite, sudorese noturna, falta de apetite e perda de peso.
“O quadro da doença pulmonar, o paciente pode ter tosse persistente por três ou quatro semanas, e depois disso ela pode se tornar produtiva, febre principalmente de caráter vespertino, perda de peso. Com o avançar da doença, ele pode ter tosse com raios de sangue e pode evoluir para episódios de falta de ar e dor torácica”, apontou ainda o médico.
Formas de prevenção à tuberculose
De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a principal forma de prevenção da tuberculose é a vacina BCG. A vacina é oferecida de graça no Sistema Único de Saúde (SUS).
A vacina deve ser aplicada nas crianças logo ao nascer ou, no máximo, antes dos 5 anos de idade. A BCG protege contra as formas mais graves da tuberculose. Ainda como medida de prevenção, é sempre importante avaliar os familiares e outros contatos do paciente com a doença para que não desenvolvam a forma ativa da tuberculose.
Vale destacar que os exames e o tratamento para tuberculose são gratuitos e estão disponíveis em toda rede pública de saúde. A doença tem cura se o tratamento for realizado corretamente, pelo tempo de seis meses, na maioria dos casos.
Campanha de combate à doença
Em celebração ao Dia Mundial de Combate à Tuberculose, 24 de março, o Amazonas lançou, na terça-feira passada (14) a programação da Campanha de Combate à Tuberculose com o objetivo de sensibilizar a população sobre a importância da prevenção e do tratamento adequado da doença no Amazonas. A iniciativa é coordenada pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Drª Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), vinculada à Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM).
A programação inclui capacitações sobre o diagnóstico e tratamento da Tuberculose e da Infecção Latente da Tuberculose (ILTB), oficinas, exposições, busca ativa por pessoas com sintomas respiratórios suspeitos de tuberculose, visitas de apoio técnico, investigação de contatos de casos de tuberculose, caminhada de mobilização social, além de distribuição de material educativo.
Essa semana, os profissionais da Policlínica Cardoso Fontes, unidade referência em pneumologia sanitária no Estado, receberam capacitação para investigação de comunicantes e controle da tuberculose. De acordo com a SES-AM, a equipe foi capacitada para melhorar o fluxo de acompanhamento e tratamento dos pacientes com tuberculose e acompanhar pessoas que vivem próximas ao paciente com a doença.
Quanto aos trabalhos realizados pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), o chefe do Núcleo de Controle da Tuberculose da Semsa, enfermeiro Daniel Sacramento, ressalta que a campanha de intensificação das ações contra tuberculose vai envolver todas as unidades de saúde da capital, com ações educativas (palestras e rodas de conversa), busca ativa de sintomáticos respiratórios, que são as pessoas que apresentam tosse por duas semanas ou mais, com oferta do exame de escarro e integração com as atividades do Programa Saúde na Escola (PSE).
“Também será reforçada a avaliação dos contatos intradomiciliares de pacientes em tratamento nas unidades de saúde. Os contatos dos pacientes que podem ter adquirido a doença pela convivência em casa e por isso devem ser avaliados. A detecção precoce dos casos é essencial para o controle da transmissão e redução da mortalidade por tuberculose”.