Parques do Prosamim continuam abandonados e no alvo de vândalos em Manaus
Enquanto a população segue sem áreas de lazer, as áreas do projeto bilionário patrocinado pelo Governo do AM ficam desprezadas
Construídas para proporcionar lazer à comunidade, áreas do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim) – projeto de cifra bilionária patrocinado pelo Governo do Estado – continuam “rejeitadas” pela população. A alegação é uma só: falta segurança em determinadas localidades. Em outras regiões, porém, a comunidade decidiu abraçar as áreas destinadas ao passeio público e, de lá, consegue até retirar lucro.
Entre a avenida Álvaro Maia e a rua Walter Raiol, na divisa dos bairros Presidente Vargas e Santo Antônio, Zona Sul, uma área de lazer, inaugurada após a construção do Prosamim, tem sido utilizada apenas por moradores de rua e usuários de droga. Os 11 bancos da praça e um quiosque de 12 metros quadrados não têm qualquer utilidade.
No quiosque, um cano estourado jorra água sem parar. Alagado, o local está tomado por roupas velhas, copos e sacos plásticos, garrafas e muita sujeira. O telhado do local está quebrado e as paredes pichadas. “Já teve até morte aí dentro”, diz a dona de casa Marly Souza, 34, que mora nas imediações.
Segundo ela, o espaço, que deveria ser ocupado pela comunidade, foi tomado por meninos de rua e não há segurança no local. Conforme a dona de casa, a população se sente insegura ao frequentar o lugar, especialmente à noite, porque não há policiamento ostensivo.
MUDANÇA
Há um ano, outra área do Prosamim, na rua Igarapé de Manaus, Centro, enfrentava a mesma situação de abandono, até a comunidade que vive no entorno decidir ocupar o espaço. Dos dois quiosques do local, um funciona regularmente. Os banheiros são conservados pela própria população. Uma exposição organizada pela Associação de Feira de Artesanato do Parque Residencial Manaus movimenta o passeio público todas as sextas-feiras.
“Pegamos toda a nossa produção, expomos, e tudo o que vendemos é rateado”, diz o presidente da associação, Wigson Azevedo. Ele trabalha atualmente na venda de alimentos e bebidas no quiosque do parque da rua Igarapé de Manaus, espaço que hoje dá lugar a uma antiga favela. “Sustento meus seis filhos com o dinheiro daqui”, afirma. Wigson Azevedo registra, entretanto, que falta participação da comunidade para a preservação da praça. No lugar, onde há paredes, há pichação.