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A Crítica
Manaus

Paulo Onça é velado em quadra de escola de samba com últimas homenagens

Esposa do cantor e compositor falou sobre continuidade do legado. Amigos e familiares prestaram as últimas homenagens na quadra da GRES Vitória Régia

Publicado em 27/05/2025 às 17h27
Paulo Onça é velado em quadra de escola de samba com últimas homenagens
Foto: Jeiza Russo/AC

“Nada se acabou, continua. A gente só perde de vista, mas vamos sentir no coração e levar o legado dele”. A emoção não deixou nem por um segundo a fala da esposa de Paulo Onça, Simone Andrade. Ao lado do caixão, com uma camisa de Xangô, o Orixá da justiça, cultuado nas religiões de matriz africana, Andrade recebeu todos os amigos e familiares que foram se despedir do sambista e compositor de sucesso.

O velório aconteceu durante a manhã desta terça-feira (27), na quadra do Grêmio Recreativo Escola de Samba (GRES) Vitória Régia, situada na rua Jhonatas Pedrosa, bairro Centro, zona Sul de Manaus.  A cerimônia fúnebre também teve a presença de autoridades, como o desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), Flávio Pascarelli, que considerava Onça como um irmão.

O diretor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas (ESMAM) lamentou a morte do amigo e pediu que todos se lembrem das contribuições que o sambista amazonense criou para a cultura do estado. 

“Foi o homem que fez o samba do Amazonas ir para o Brasil todo; músicas como “feitio de paixão”, que é um clássico. Os sambas na Grande Rio, pra Salgueiro e o grande samba que ele fez aqui pra Vitória Régia… eu acho que o legado é muito grande e eu espero que os que venham depois aproveitem bastante”, comentou. 


Amigos de Paulo Onça promoveram uma roda de samba e cantaram composições do sambista (Foto: Jeiza Russo) ()

Na cadência do samba

Na quadra da verde e rosal, considerado o berço do samba amazonense, o silêncio angustiante das lágrimas de saudade se encontrava com os acordes e o ritmo do gênero musical que deu para Paulo tanto prestígio e fama. Os soluços, os choros, eram interrompidos pelos refrões de grandes clássicos. As mãos se desfaziam dos abraços para aplaudir na mesma cadência. 

Cantavam “naquela mesa tá faltando ele. E a saudade dele tá doendo em mim”, composição de Sérgio Bittencourt, sucesso na voz de Nelson Gonçalves. Ou também “quem deu amor, quem se entregou não merecia uma partida sem deixar explicação”, dos mestres Rufino e Toninho. E é claro “sem subornar teu coração, com feitio de paixão farei tudo pra ganhar tua confiança. Com a esperança de aprendiz juro que vou te fazer feliz”, canção de Paulo Onça, eternizada na voz de Jorge Aragão. 

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“É o nosso grande mestre, nosso grande professor; de vários sambistas amazonenses e pelo Brasil afora. Me diz quem nunca ouviu falar no grande Paulo Onça? O grande compositor amazonense! O que fica é a saudade, o respeito, o carinho e a humildade que ele tinha sempre; a gente tem agora é que levar o seu legado e jamais deixar se apagar; é eterno nos nossos corações”, disse o presidente da Grande Família, Caçula.


Simone Andrade, esposa de Paulo Onça, fala em continuar legado do artista (Foto: Jeiza Russo/AC) ()

Enterro 

O enterro está marcado para as 16h desta terça-feira (27), no cemitério de São João Batista, bairro Nossa Senhora das Graças. O sepultamento será aberto para o público, como a esposa diz que ele gostaria que fosse. Simone tenta deixar a tristeza de lado porque acredita que a essência do marido é a alegria.

Ela se apega a tudo que ele construiu, vive o que Onça acreditou e se conforta em saber que cada abraço recebido de um fã ou amigo é como se fosse uma parte dele em contato com ela novamente. 

“Ele ganhava todo mundo de graça, querido por todos. Ele amava compor, era o combustível dele; um ser humano maravilhoso. Estou feliz porque vou lutar pra deixar esse legado para a nova geração do samba”, disse.

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