PC indicia responsáveis por retirada de peça centenária sem autorização
A representante em Manaus das Lojas Marisa, a engenharia e a arquiteta responsáveis pelo projeto de restauração e manutenção da marquise foram indiciadas criminalmente
A representante em Manaus das Lojas Marisa, a engenheira e a arquiteta responsáveis pelo projeto de restauração e manutenção da marquise centenária que foi arrancada da loja da localizada entre a avenida Eduardo Ribeiro e rua Henrique Martins, no Centro, em novembro do ano passado, foram indiciadas criminalmente pela Polícia Civil.
De acordo com o delegado Samir Freire, da Delegacia Especializada em Crimes contra o Meio Ambiente e Urbanismo (Dema), o indiciamento aconteceu porque a empresa retirou a marquise sem a autorização necessária do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico (Iphan) e do Instituto Municipal de Planejamento e Urbanismo (Implurb). Segundo o delegado, tanto a representante da loja, Juliana Glória Macena, quanto a engenheira, Ivana Helena Soares, e a arquiteta, Anne Barbosa de Carvalho, foram ouvidas pelo menos duas vezes na delegacia e alegaram que possuíam a autorização do Iphan para remover a peça que apresentava avarias e risco de desabamento.
“No entanto, no decorrer das investigações verificamos que a empresa apenas iniciou o processo de autorização no Iphan e não deu entrada no procedimento na prefeitura, o que inviabiliza esse tipo de trabalho. Ou seja, eles pularam algumas etapas do processo e por isso a obra foi considerada irregular”, explicou o delegado, ao ressaltar que a obra permanece embargada. “Esse tipo de trabalho requer muitos detalhes, porque precisa ser acompanhado por um especialista, devido o seu valo histórico, e precisa ser devida autorizado tanto pelo Iphan quanto pelo Implurb”, frisou ele. O caso será encaminhado à Justiça do Amazonas ainda nesta semana.
A retirada da marquise de mais de 100 anos de uma das lojas Marisa causou polêmica nas redes sociais em novembro, após A CRÍTICA denunciar o caso. Na época, a empresa justificou que a remoção da peça ocorreu devido o risco iminente de desabamento.