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A Crítica
Manaus

Policiais reclamam de escala do ‘Ronda no Bairro’

Coordenador do programa assegura que a escala de trabalho do projeto atende as necessidades da polícia sem ferir o direito de descanso do policial

Publicado em 14/08/2012 às 15h34 · Atualizado em 19/03/2022 às 13h08
Policiais reclamam de escala do ‘Ronda no Bairro’
Foto: Conforme disse o Cabo Maciel em conversa com a reportagem, ele tem recebido centenas de ligações de colegas que pedem mudança na escala

Com a implantação do programa Ronda no Bairro, os policias militares do Amazonas que prestam serviço em Manaus estão tendo que se acostumar com uma nova rotina de trabalho.

O projeto estabelece uma escala de serviço conhecido na corporação como 3×1, 3×2, ou seja, três dias de trabalho por um dia de folga, três dias de trabalho por dois dias de folga.

Uma parcela dos profissionais, entretanto, não mostra contentamento com a novidade, conforme afirmou o presidente da Associação dos Cabos e Soldados do Amazonas, deputado estadual Cabo Maciel. Ele afirma que tem recebido centenas de ligações de colegas que pedem mudança na escala.

Cabo Maciel explica que o descontentamento acontece porque os dias de folga dos policias vem sendo comprometidos com atividades paralelas nos quartéis.

“O policial policial não é obrigado somente a ‘tirar’ seu serviço, ele também precisa estar presente nas formaturas (solenidade interna), e aulas de educação física. O que compromete o tempo que ele destinaria para seu descanso e família”, ressalta.

O presidente explica que, anteriormente, as escalas usadas eram de 12h de trabalho por 24h de descanso, ou 12h de trabalho por 48h de descanso.

Cabo Maciel disse que tem tentado conversar com o comando da Polícia sobre o assunto, mas que tem percebido resistência quanto a mudanças.

“Todas as vezes que procurei o comando da PM, e a coordenação do projeto, ouvi que tenho que falar com o governador, que só ele pode mudar essa situação”, disse, lembrando que deu entrada em dois documentos junto à Secretaria de Segurança Público do Estado (SSP/AM) apresentando sugestões de escala.

Para ele, as escalas podem seguir a seguinte ordem: 12×24, 12×48, 12×24 ou 12×72. “Acredito que dessa maneira não prejudicaríamos os policias e nem a população”, declara.

Longe da família

“Nosso trabalho não é simples e muito menos tranquilo. Lidamos diariamente com o estresse. Nossas atividades exigem muito da nossa condição física e mental. Chegamos em casa sem qualquer condição de conviver com nossos familiares”, reclama uma policial feminina que pediu para não ser identificada por medo de sofrer punição.

Josielem (nome fictício), que tem dois filhos, diz que já se sente excluída da vida das crianças. Segundo ela, é impossível cumprir o papel de mãe com essas condições de trabalho.

A policial que procurou a reportagem do portal acritica.com acritica.com para contar sua história assegura que, o que mais compromete a qualidade de vida dos militares são as atividades paralelas.

“Imagine que você trabalhou de três horas da tarde até as 23h, pegou uma ocorrência e saiu da Cicom as 1h da madrugada, e 7h da manhã já precisa estar apostos nas formaturas, aulas de educação física, ou até mesmo de hora extra. Você que é mãe, pai, filho, filha, aluno…. eles pensam na população que precisa se sentir mais segura, e esquecem que também somos povo”, lamenta.

Dentro da lei

O coordenador do Ronda no Bairro, tenente coronel Amadeu Soares, assegura que a escala de trabalho do projeto atende as necessidades da polícia sem ferir o direito de descanso do policial.

De acordo com o coronel, o assunto é técnico e não deve ser discutido em período eleitoral, já que conforme ele “existem pessoas querendo usar a corporação para fins eleitorais”.

Amadeu Soares assinalou que o policial militar precisa sim estar presente nas solenidades e compromissos da corporação, e que o próprio profissional escolhe realizar ou não os trabalhos de hora extra.