Manaus dom, 1 nov
A Crítica
Manaus

Praça é disputada por dona de terreno particular e moradores da rua no Alvorada

Moradores temem que a proprietária do terreno ao lado da praça, aos poucos, tome posse da área pública

Publicado em 05/04/2017 às 13h24 · Atualizado em 12/03/2022 às 22h34
Praça é disputada por dona de terreno particular e moradores da rua no Alvorada

Uma área do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), localizada na rua Rafael Assayag, no bairro Alvorada 1, Zona Centro-Oeste da cidade, que hoje funciona como uma pequena praça, é alvo de uma disputa entre moradores e uma policial civil, que pediu para não ser identificada.

Segundo denúncia de moradores, que também pediram para não serem identificados, na extremidade entre a pracinha e o terreno da policial civil foi colocado um contêiner e eles temem que, aos poucos, ela vá “tomando posse” da área pública.

De acordo com os denunciantes, a policial civil foi indenizada pelo Prosamim, mas teria intenções de invadir novamente o terreno. Versão que é veementemente negada pela policial civil. Ela informou que comprou o terreno no ano de 1999 e não foi indenizada pelo Prosamim quando ocorreram as intervenções naquela região do bairro Alvorada.

A policial civil disse, também, que o terreno dela inclui a área onde hoje está localizada a pracinha, mas que funcionários do Prosamim pediram para gramar aquela área apenas para a inauguração da obra e posteriormente ela poderia murar e “ganhar” um terreno gramado e com quatro bancos. “Meu erro foi deixar eles gramarem isso aí. Eu deveria ter murado tudo logo no início, pois minha propriedade chega até aqui (pracinha) e eu tenho documentos que provam”, disse.

A policial civil contou que essa é a segunda vez que ela foi denunciada. A primeira vez foi há mais de cinco anos, quando ela construiu um muro em volta da propriedade. “Eles falaram que eu estava invadindo, mas é minha propriedade. E agora de novo isso”, disse.

Aluguel

Os imóveis localizados na propriedade são alugados pela policial civil. O próximo a ser inaugurado funcionará como um restaurante e fica de frente para a praça. “Deve ser porque vai ter um ponto comercial aqui”, disse, sobre a possível motivação das denúncias.

O contêiner está sob a responsabilidade Ronal Polpas. “Eu sou inquilino aqui. Esse contêiner está sob minha responsabilidade, mas está dentro da propriedade da locatária. Não tem nada irregular aqui”, disse o proprietário da empresa, que pediu para não ser identificado. O inquilino informou que o contêiner está na propriedade há cerca de um mês e ninguém do bairro foi até ele questionar sobre invasão de área pública.

Suhab deve vistoriar o terreno

A Unidade de Gerenciamento do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus informou que o Prosamim do bairro Alvorada foi entregue há muitos anos e não teria como informar se a proprietária foi indenizada ou não e a extensão do terreno dela. Mas comunicou que a Superintendência Estadual de Habitação (Suhab) teria esses dados.

A Suhab informou que uma equipe de fiscalização irá ainda essa semana ao local, na tentativa de identificar e pode até notificar, caso não exista documentação. Eles pedirão que a dona do terreno apresente a documentação da área, que hoje é pública. Caso não haja documentos, o caso será encaminhado ao departamento jurídico.