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A Crítica
Manaus

Prosamim: Após derrubada de casas, moradores sofrem com insegurança e desrespeito

Com a derrubada das casas nas margens do igarapé São Raimundo, área ficou esquecida e virou alvo fácil para ladrões

Publicado em 17/04/2013 às 11h27 · Atualizado em 12/03/2022 às 01h22
Prosamim: Após derrubada de casas, moradores sofrem com insegurança e desrespeito

A chegada do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim) mudou bem mais que o cenário composto por um amontoado de palafitas no final do beco Normando, bairro da Glória, Zona Oeste. Também mudou a vida dos moradores que ainda estão em suas casas à espera da indenização. A derrubada de mais de 70% dos barracos que ficavam naquele trecho do igarapé do São Raimundo atraiu saqueadores, vândalos, consumidores de drogas e descuidistas de outras áreas da cidade, aumentando o nível de insegurança que já existia na área.

“O que mais assusta a gente é que, antes os moradores conheciam os viciados e assaltantes da área. Agora, é gente desconhecida, que vem de outros bairros para praticar furtos durante a madrugada”, relatou uma moradora, que não quis se identificar.

Com a derrubada das casas, a área ficou praticamente sem iluminação e, durante a noite, saqueadores aproveitam a escuridão para furtar tudo que restou das casas que não foram totalmente demolidas. Não escapa nem a fiação elétrica da rede pública.

“Quando as equipes do Prosamim saem, entram os vândalos. A gente passa a madrugada ouvindo barulho de gente retirando tudo que pode do que restou. Ficam quebrando telhas, tirando fios, madeira, tudo. São pessoas que vêm de outros bairros. Sem falar na bebedeira e no consumo de droga”, relata a técnica de enfermagem Nívea Maria Oliveira.

Ninguém assume a autoria dos crimes, mas há a denúncia de que muita baderna também é feita por moradores da própria área, que receberam os R$ 6 mil referentes ao bônus (indenização a quem era inquilino). Algumas pessoas estariam gastando o dinheiro em “bebedeiras” nas proximidades.

A dona de casa Valdeíza Araújo Lima, 43, cujo casebre ficou solitário no meio dos escombros, não vê a hora de ser chamada pela Superintendência de Habitação do Amazonas (Suhab) para receber a indenização e deixar o local.

O comandante da 5ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), major Jorge Alves, disse que diariamente uma viatura do Ronda no Bairro entra várias vezes no beco Normando. Segundo ele, na sexta-feira foi preso, no beco, um homem que fez cinco disparos com arma de fogo contra outro, supostamente numa disputa por domínio do tráfico de drogas.